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Mondo Marca

Cartier

Uma das mais tradicionais joalherias do mundo, a francesa Cartier conquistou membros da realeza e ganhou prestígio mundial graças à soma do padrão de excelência de seu fundador com a criatividade, a ousadia e o espírito desbravador de seus herdeiros.
Graziela Canella Andrea Tavares

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Modelo Santos Dumont Racing (T8200907)

Modelo Santos Dumont Racing (T8200907)

Da oficina à corte
Em 1847, o jovem Louis-François Cartier assumiu a pequena oficina de joias de seu mestre, Adolphe Picard, localizada em um dos endereços mais sofisticados na Paris de então, a Rue Montorgueil. Nascia assim uma das mais tradicionais joalherias do mundo, a maison Cartier, então representada por um coração entre as iniciais “L” e “C” em um losango. Apenas quatro anos depois, quando Napoleão 3º subiu ao poder, a Condessa Nieuwerkerke indicou o jovem Cartier para ser o novo fornecedor oficial da realeza.

Seu prestígio atraiu clientes da alta sociedade parisiense, que recebia atendimento exclusivo e personalizado. Em 1859, Cartier abriu uma sede no Boulevard des Italiens, importante rua de Paris. No mesmo ano, a imperatriz Eugénie de Montijo encomendou um serviço de chá de prata, que atualmente integra o acervo histórico da marca. Em contraste com os ornamentos rebuscados da época, suas joias leves e modernas se destacavam e atraíam um número cada vez maior de clientes.

1912: colar de diamantes e água marinha

1912: colar de diamantes e água marinha

Rei dos joalheiros
Uma nova fase para a Cartier se iniciou em 1872, quando o filho de Louis-François, Alfred, ingressou como sócio com o objetivo de expandir os negócios, inicialmente com a produção de relógios. Com a inclusão de outro filho (Louis) na sociedade, em 1898, a marca passou a se chamar Alfred Cartier & Fils, e logo se mudou para a Rue de La Paix, na região da luxuosa Place Vendôme.

Em 1902, a Cartier abriu a primeira loja em Londres, na New Burlington Street, comandada por mais um herdeiro, Pierre Cartier. Logo, a loja recebeu um pedido de 27 tiaras para a cerimônia de coroação do rei da Inglaterra, o então príncipe de Gales, Eduardo 7º, que declarou Cartier o “joalheiro dos reis, rei dos joalheiros”. Dois anos depois, a marca recebeu a patente de fornecedor da corte também naquele país, tornando-se a mais prestigiosa joalheria do mundo.

A expansão teve continuidade com a abertura de uma luxuosa maison Cartier na Quinta Avenida, em Nova York, em 1909, além de pontos de venda em Moscou e no Golfo Pérsico no ano seguinte, e culminou com a inauguração de luxuosas boutiques em Monte Carlo e Cannes, nos anos 30.

1915: loja na Rue de la Paix

1915: loja na Rue de la Paix

Ícone brasileiro
O aviador Santos Dumont, grande amigo de Louis Cartier, foi quem inspirou um dos principais lançamentos da marca no início do século 20. Seu relato sobre o desconforto do uso de relógios de bolso durante os voos inspirou Cartier a desenhar o primeiro relógio de pulso com pulseira de couro do mundo, especialmente para o brasileiro, com caixa plana de aro quadrado. A marca já produzia relógios de pulso, mas o lançamento comercial do modelo masculino Santos, em 1911, impulsionou as vendas da joalheria e até hoje figura com destaque nas coleções, em versões renovadas.

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Best seller: o relógio Santos, feito especialmente para o brasileiro Santos Dumont (acima, à esquerda), tornou-se ícone da Cartier

Best seller: o relógio Santos, feito especialmente para o brasileiro Santos Dumont (acima, à esquerda), tornou-se ícone da Cartier

Netos visionários
Por influência da terceira geração da família, representada pelos filhos de Alfred, Pierre e Jacques, a Cartier consolidou-se no início do século 20 como dona de um estilo inovador, inspirado por inúmeras viagens que atribuíram às criações novas cores, materiais e referências a culturas distantes. Pierre Cartier trouxe da Rússia esmaltes finos e esculturas de animais feitas de pedras duras, enquanto Jacques viajava pelo Golfo Pérsico e pela Índia, de onde trouxe pérolas e tesouros multicoloridos dos marajás.

Em 1909, após cinco décadas de investigação, uma técnica revolucionária permitiu o uso da platina como matéria-prima, e Louis recriou o estilo grinalda – ornamentos de diamante montados em platina – com design moderno e formas básicas de geometria, como quadrados e círculos.

1917: retrato de Louis Cartier

1917: retrato de Louis Cartier

1906: broche de diamantes e platina

1906: broche de diamantes e platina

Gestão internacional
No início dos anos 70, as três subsidiárias da então empresa familiar, em Paris, Londres e Nova York, foram compradas por um grupo de investidores liderado pelo norte-americano Robert Hocq, e ganhou novo fôlego sob comando do executivo francês Alain Perrin. A nova gestão introduziu uma diversidade de produtos, com a linha Les Must de Cartier (do francês, algo como “itens necessários da Cartier”) composta por artigos de couro, canetas, isqueiros e óculos.

A diversificação continuou ao longo da década, com o lançamento de perfumes, novos modelos de relógios, artefatos de couro e uma linha especial de joias batizada de “Cartier Collection” (do inglês, “Coleção Cartier”), que mostra a evolução histórica e artística da marca. Na mesma época, em 1978, o grupo foi unificado e criou-se a Cartier Monde.

1977: anúncio da linha Les Must de Cartier

1977: anúncio da linha Les Must de Cartier

Final da década de 70: óculos da linha Les Must de Cartier

Final da década de 70: óculos da linha Les Must de Cartier

Joalheria que fez história
Ao longo de 166 anos, a Cartier lançou joias que marcaram a história da própria maison e introduziram novos conceitos na joalheria mundial. Além dos famosos “C” entrelaçados e das caixinhas vermelhas, elementos da fauna e flora são constantes, com destaque para a pantera, um de seus mais famosos símbolos.

O felino apareceu pela primeira vez em 1915, mas somente 33 anos depois gerou a primeira série de peças, incluindo um broche com uma safira de 152.35 quilates, feita para o duque de Windsor. A pantera também é personagem principal de um filme comemorativo aos 165 anos da marca, lançado em 2012. Entitulado “L’Odyssée de Cartier” (do francês, “A odisseia de Cartier”) e dirigido por Bruno Aveillan, o vídeo de 3 minutos e meio foi resultado de dois anos de trabalho com uma equipe de 50 profissionais. Nele, a pantera realiza uma viagem por momentos e locais que influenciaram a marca, que incluem Rússia, Índia, China e até um salto sobre as asas do 14-Bis.

Outro clássico é a pulseira Love, de 1969, que só pode ser colocada e retirada do pulso com o uso de uma pequena chave de fenda que abre seus parafusos e fez tanto sucesso que inspirou uma coleção de anéis, colares, relógios e outros itens. Na relojoaria, destacam-se os modelos Santos e o Tank – criado em 1917, em homenagem às tripulações dos carros de combate aliados da Primeira Guerra.

Outro hit que marcou época foi o anel Trinity (do inglês, “trindade”), formado por três alianças de ouro, cada qual com um simbolismo – a de ouro amarelo remete à fidelidade, a de tom avermelhado simboliza o amor e a de ouro branco, a amizade. Em 1975, por encomenda da atriz mexicana Maria Felix, a Cartier lançou o colar La Doña, com dois crocodilos enlaçados, que deu origem a uma extensa série inspirada no réptil.

L'Odyssée de Cartier: vídeo comemorativo dos 165 anos da marca

L’Odyssée de Cartier: vídeo comemorativo dos 165 anos da marca

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Joias para a duquesa de Windsor: um coração coroado, um flamingo e o célebre Panthère. Todos integram o acervo Cartier Collection

Joias para a duquesa de Windsor: um coração coroado, um flamingo e o célebre Panthère. Todos integram o acervo Cartier Collection

A Cartier em números
Atualmente, a marca Cartier é avaliada em US$ 6,897 bilhões pela consultoria britânica Interbrand, e ocupa a 60ª posição no ranking das mais valiosas do mundo, com sede em Paris e fábrica de relógios em Genebra, na Suíça. Atualmente, integra o Richemont, conglomerado suíço de de marcas de luxo (dono de marcas como Montblanc, Alfred Dunhill e Piaget), com faturamento estimado em US$ 3 bilhões. Deste valor, aproximadamente 75% é obtido pelas vendas de joias e relógios.

Está presente em mais de 130 países, com 310 lojas próprias e cerca de 10 mil pontos de venda. Entre os principais endereços, estão a Avenue des Champs Elysées em Paris, a Quinta Avenida em Nova York, a Rodeo Drive em Los Angeles, a New Bond Street em Londres e Via Condotti em Roma. Algumas unidades têm projeto do arquiteto francês Bruno Moinard, que criou o Bronze Concept, conceito de loja que contém elementos que remetem à história da marca, e alguns endereços contam com espaços exclusivos para noivas. No Brasil, a marca chegou nos anos 70, na época representada pela Natan, e atualmente conta com lojas nos shoppings Cidade Jardim, em São Paulo, e Village Mall, no Rio de Janeiro.

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Endereços privilegiados: as butiques Cartier de Milão (à esquerda) e Paris (ao alto)

Endereços privilegiados: as butiques Cartier de Milão (à esquerda) e Paris (ao alto)

A realeza de hoje
A relação da Cartier com a monarquia teve início pouco depois de sua própria fundação e, ao longo dos anos, a joalheria francesa passou a conquistar títulos de fornecedor oficial de joias para monarcas de países como França, Inglaterra, Espanha, Portugal, Rússia, Sérvia, Bélgica, Romênia, Egito, Albânia e Mônaco.

Prestigiada pela família real britânica, a Cartier viu um de seus itens históricos voltar aos holofotes recentemente – uma tiara de diamantes produzida em 1936, usada em abril de 2011 pela duquesa de Cambridge, Kate Middleton, no casamento com o príncipe William. A peça pertence à rainha Elizabeth 2ª e foi presente de sua mãe no aniversário de 18 anos.

A tiara Halo: produzida em 1936, foi usada por Elizabeth, a rainha-mãe da Inglaterra, e por Kate Middleton em seu casamento com o príncipe William em 2011

A tiara Halo: produzida em 1936, foi usada por Elizabeth, a rainha-mãe da Inglaterra, e por Kate Middleton em seu casamento com o príncipe William em 2011

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Joalheria e tradição em óculos
A primeira criação da Cartier no segmento de óculos data de 1887, para a princesa de Essling, da Áustria – um lorgnette (óculos de mão, com um pequeno cabo que suspende o frontal) de padronagem tartaruga e diamantes.

A primeira coleção de óculos sob o conceito Les Must de Cartier foi lançada em 1983 e logo as peças foram adotadas por celebridades como Elton John e David Bowie.

Atualmente, a marca é distribuída no Brasil pela GO, inclusive a coleção de alta joalheria, e todos os modelos de armações de receituário e óculos solares são inspirados em coleções de joias e relógios, como os clássicos Panthère e Santos. O perfeccionismo da produção em joalheria tem a mesma força no desenvolvimento de armações com materiais nobres, como chifre, madeira, ouro, platina e pedras preciosas.

modelo Panthère Wild (T8200868)

modelo Panthère Wild (T8200868)

modelo Caresse d’Orchidées T8140158

modelo Caresse d’Orchidées T8140158

Ícones
A caixinha de couro vermelho
Os “C” entrelaçados
Os diamantes montados na platina em estilo grinalda
A pantera, os jacarés do modelo La Doña e outros ícones da fauna e da flora
Relógios como o Santos e o Tank
A pulseira Love
A aliança Trinity
A imagem da atriz italiana Monica Bellucci, embaixadora mundial da marca há 15 anos

Escrita de luxo: a caneta Panthère e a caneta e a lapiseira de ouro Bamboo

Escrita de luxo: a caneta Panthère e a caneta e a lapiseira de ouro Bamboo

Monica Bellucci: embaixadora da marca desde 1999

Monica Bellucci: embaixadora da marca desde 1999

A atriz Vanessa Hudgens: adepta do bracelete Love

A atriz Vanessa Hudgens: adepta do bracelete Love

Pronúncia
“Car-TIÊ”. Essa não reserva mistérios. Em francês, quando falada, a terminação “-er” se transforma em “ê”.

www: Cartier virtual
www.cartier.com.br
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