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Mondo Marca

Tiffany & Co.

Fundada há mais de 175 anos, a marca que é sinônimo de joalheria e qualidade na lapidação de diamantes faz parte da história de Nova York, com loja que tornou-se ponto turístico e locação de um clássico do cinema. Além disso, faz parte do inconsciente coletivo do norte-americano no quesito joalheria, por conta das peças produzidas para ocasiões especiais, como nascimentos, noivados e casamentos – várias de prata, a valores mais acessíveis.
Graziela Canella Andrea Tavares

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A loja do livro azul
Em 18 de setembro de 1837, os jovens norte-americanos Charles Lewis Tiffany e John B. Young, amigos desde a infância, fundaram uma loja no número 259 da Broadway, em Nova York. Com apenas US$ 1 mil para investir no negócio, a dupla vendia artigos de luxo para casa e escritório como produtos de papelarias, cintos, mocassins, prataria e objetos de decoração da Ásia e da Europa – tudo com uma política de preço na etiqueta, não negociável, uma novidade para a época.

Em 1841, a dupla convidou um primo de Charles para tornar-se investidor, fundando a Tiffany, Young & Ellis. Aos poucos, a loja foi se tornando referência para compra de presentes de casamento, noivado e até chá de bebê. Em 1845, lançou seu primeiro catálogo, conhecido como Blue book (do inglês, “livro azul”), cuja capa apareceu pela primeira vez o famoso tom de azul claro que, até hoje, é marca registrada da joalheria.

O nome da loja: o fundador Charles Lewis Tiffany

 

Livro “Azul Tiffany”: página do primeiro Blue book

 

Aposta na joalheria
Tudo isso contribuiu para Charles Tiffany – que se tornou único dono da empresa após a aposentadoria do sócio, comprando sua parte – decidir fazer um grande investimento nas pedras preciosas, passando a focar quase totalmente seu mix de produtos em joias. Em 1853, mudou o nome da loja para Tiffany & Company – a versão por extenso de “Tiffany & Co.”.

A loja arrebatou as mulheres nova-iorquinas em 1840 ao lançar a coleção de joias Palais Royal (do francês, “palácio real”), que encantou as mulheres nova-iorquinas por conta do nome que fazia referência à nobreza, algo incomum para os norte-americanos. No final da mesma década, a luta de classes na França e as revoluções por toda a Europa fizeram despencar os preços dos diamantes negociados naqueles países.

Em 1867, a Exposição Universal de Paris foi ponto de partida para o reconhecimento internacional da joalheria, pois rendeu à marca o prêmio de “Qualidade em Prata”, algo até então inédito para empresas norte-americanas. Em 1870, obteve o prêmio na categoria de joias e relógios. O clássico anel de noivado no formato que se conhece hoje, com um único diamante lapidado e encaixado sobre um anel de ouro branco, foi criado pelo fundador da marca em 1886.

Anel de noivado: a versão tradicional foi criada pela Tiffany & Co.

 

Herdeiro no design
Em 1902, a Tiffany criou um departamento de criação e fabricação de joias, conhecido como Tiffany Art Jewellery, iniciativa do filho de Charles, o designer Louis Comfort Tiffany.

Mais que ter sido indicado para redecorar a Casa Branca, Louis se celebrizou por suas peças coloridas e esmaltadas, de formas orgânicas e inspiração na fauna e na flora norte-americanas e atmosfera art nouveau (do francês “Arte Nova”, movimento artístico que surgiu na França em 1890, marcado por formas fluidas e linhas orgânicas, uso de temas ligados à natureza e presença da figura feminina). Atualmente, joias e peças de design criadas pelo herdeiro de Charles Tiffany, como as luminárias de vidro colorido (conhecidas como “Tiffany Lamps”), são disputadas por colecionadores de arte e integram os acervos de museus ao redor do mundo.

Luminária Tiffany: o herdeiro de Charles Tiffany criou um estilo para o objeto

Loja célebre
Mais de um século depois de sua fundação, em 1940, a Tiffany & Co. mudou para seu endereço mais conhecido – o prédio de cinco andares no número 727 da Quinta Avenida, esquina com a 57th Street. Com projeto arquitetônico da firma Cross & Cross e mitológica estátua de bronze de H.F. Metzler na entrada, representando o deus Atlas, a loja é ponto turístico em Manhattan.

Sua história é marcada por episódios incomuns, como o do dia em que o relógio da estátua parou de funcionar – reza a lenda, no exato momento da morte do presidente Abraham Lincoln – mais precisamente às 7h22 do dia 15 de abril de 1864. Em 1961, tornou-se estrela de Hollywood, graças ao filme Breakfast at Tiffany’s (do inglês, algo como “Café da manhã na Tiffany”, que, no Brasil, ganhou o nome “Bonequinha de luxo”). Inspirado no livro de mesmo nome de Truman Capote, o longa tem Audrey Hepburn no papel de Holly Golightly, jovem garota de programa que sonha casar com um milionário e contempla a vitrine da loja em uma cena inesquecível. De acordo com a personagem, “nada de ruim pode acontecer a ninguém na Tiffany”.

Somente em 1963 foi inaugurada a primeira loja fora de Nova York: mais precisamente em São Francisco, na Califórnia. Em 1972, a expansão internacional começou pelo Japão.

1940: a Tiffany chega a seu icônico endereço, a Quinta Avenida, em Nova York

 

Bonequinha de luxo: Audrey Hepburn diante da vitrine da Tiffany

 

Hoje: a loja da Quinta Avenida. No detalhe, o relógio da estátua Atlas, inspiração para uma linha de joias da grife

 

Linhas assinadas
Vários designers de joias se celebrizaram na história da Tiffany com coleções autorais. Um dos principais foi o francês Jean Schlumberger, nos anos 50, “queridinho” de ícones de estilo como a editora de moda Diana Vreeland e a primeira-dama americana Jacqueline Kennedy, fã de seus braceletes esmaltados a ponto de serem apelidados de “Jackie’s bracelets”. Na década de 70, foi a vez de a estilista italiana Elsa Peretti introduzir desenhos de linhas leves e sensuais com toques de modernidade. Suas peças tinham formas naturais, como lágrimas, maçãs e estrelas do mar, feitas de prata, laca, ouro, platina ou pérolas. Nos anos 80, o diretor criativo da casa, John Loring, convidou ninguém menos que Paloma Picasso, filha do pintor catalão, para se juntar ao time de designers.

Recente colaboração de sucesso se deu em parceria com a figurinista australiana Catherine Martin, que assinou uma linha inspirada pelo filme O grande Gatsby, dirigido pelo também australiano Baz Luhrmann. As peças foram criadas com base nos arquivos da própria marca e usadas na obra protagonizada por Leonardo DiCaprio e Carey Mulligan.

Desde setembro, a diretora criativa da marca é a joalheira Francesca Amfitheatrof, que substituiu Loring. Nascida em Tóquio e criada em Londres, tem em seu currículo a criação de joias para Chanel e Fendi, entre outras grifes.

Designer de sobrenome: criações de Paloma Picasso

O grande Gatsby: o filme de Baz Lurman que estreou em maio inspirou uma nova linha de joias, assinada pela figurinista Catherine Martin

 

A joalheira Francesca Amfitheatrof: nova diretora de criação da marca, com passagens por Fendi e Chanel

 

A Tiffany em números
Uma das maiores joalherias do mundo, a Tiffany também figura entre as marcas mais valiosas, com valor estimado em mais de US$ 4 bilhões pela consultoria britânica Interbrand e faturamento estimado em US$ 2,7 bilhões.

São mais de 230 pontos de venda em 52 países, incluindo três unidades no Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília). Está prevista para 2014 a abertura de sua maior loja na Europa, um prédio de 976 metros quadrados na Avenida Champs-Elysées, em Paris, onde já mantém outras três filiais.

Em outubro, também lançou uma nova versão de sua loja virtual, com mais informações de seu legado mescladas com dados de produtos, permitindo uma experiência de compra com imersão histórica. Suas linhas de produtos incluem, além de joias, pratarias, porcelanas, cristais, presentes, relógios, perfumes, óculos e bolsas.

Sofisticação e criatividade: as lojas de Las Vegas e Pequim

2012: loja temporária na Somerset House, em Londres

 

O super diamante
Em 1877, a Tiffany extraiu de uma mina em Kimberley, na África do Sul, um dos maiores e mais raros diamantes amarelos do mundo, com 287 quilates. Batizada de “Tiffany Diamond” (do inglês, “Diamante Tiffany”), a pedra foi cortada em 82 facetas, atribuindo-lhe muito mais brilho em relação às tradicionais 58. Tornou-se símbolo da arte joalheira, avaliada em mais de US$ 18 mil na época em que foi comprada, e fez da Tiffany uma referência em diamantes – a empresa só trabalha com os exemplares mais puros, com a condição de que não sejam comprados em áreas de conflito.

Esse raro diamante foi cravado em uma peça criada pelo designer francês Jean Schlumberger, usada por Audrey Hepburn na noite de estreia do filme Bonequinha de luxo, em 1961. O Tiffany Diamond está em exposição no primeiro andar da loja na Quinta Avenida, em Nova York.

Tiffany Diamond: raro diamante amarelo com 287 quilates

 

Brilho no olhar
Em dezembro de 2006, a Tiffany & Co. e a Luxottica anunciaram parceria para o lançamento da primeira coleção de óculos licenciada pela joalheria, que chegou às lojas em 2008. São armações de receituário e óculos solares femininos com inspiração nas joias e nas peças de design que marcaram a história da marca, presente em detalhes sutis aplicados nos frontais e nas hastes.

modelo TF2086G 8002

 

modelo TF4084G 80023B

 

www: Tiffany & Co.
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Ícones
A caixinha azul turquesa com laço de cetim branco, feito sempre da mesma forma
O anel de noivado clássico, com diamante solitário suspenso sobre aliança de ouro branco
Relógios de prata da coleção Atlas, inspirados na estátua de sua loja mais icônica
A vitrine da loja na esquina da Quinta Avenida, eternizada pelo filme Bonequinha de luxo, dirigido por Blake Edwards, de 1961

Pronúncia
“TÍ-fã-ni En Cô”. Fácil na escala de pronúncia das grifes, especialmente quando se fica apenas com a primeira parte do nome, Tiffany.

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