tamanho da letra : imprimir

Mondo Marca

Montblanc

A fabricante alemã de canetas-tinteiro que revolucionou a escrita no início do século 20 é hoje sinônimo de elegância, status e bom gosto, com equilíbrio entre o trabalho artesanal, a tecnologia e o acabamento de joalheria. Tudo para fazer instrumentos de escrita perfeitos.
Graziela Canella Andrea Tavares

Enviar por email

Compartilhar

O produto antes do nome
Em 1906, o comerciante da cidade alemã de Hamburgo, Alfred Nehemias, e o engenheiro berlinense August Eberstein retornaram de uma viagem aos Estados Unidos fascinados por uma novidade: a caneta-tinteiro. Com o desenvolvimento da indústria e dos transportes, instrumentos de escrita portáteis eram necessários, mas até então era difícil imaginar que uma caneta pudesse ter seu próprio compartimento de tinta embutido, dispensando os tinteiros da época. A invenção, porém, ainda precisava ser aperfeiçoada. De volta a Hamburgo, a dupla se associou a um empresário do ramo de papelaria, Claus-Johannes Voss, para iniciar a produção de uma versão alemã das canetas-tinteiro.

Ainda com o nome Simplo Filler Pen Co., a empresa apresentou em 1908 seu primeiro modelo, chamado Rouge et Noir (do francês, “vermelho e preto”, já que a caneta era preta com um detalhe vermelho na extremidade da tampa). O nome foi inspirado no título da obra literária do escritor francês Stendhal (O vermelho e o negro) e a promessa era a de uma caneta com escrita sem manchas e vazamentos. O nome Montblanc só surgiu em 1909, quando a Simplo lançou um novo design, que incorporou várias melhorias ao modelo Rouge et Noir.

A referência à montanha mais alta da Europa era uma analogia ao avanço na tecnologia e na técnica artesanal que a novidade representava. O desenho na tampa da caneta, uma espécie de estrela branca de seis pontas arredondadas, que representa a neve sobre o pico da montanha, antecipava o que viria a ser o emblema da marca. Em 1913, a caneta já era um best seller na Alemanha e em outros países, e a empresa passou a se chamar Montblanc Simplo GmbH.

O começo de tudo: a pioneira Rouge et Noir, da Simplo

Primeira casa: fachada antiga da sede em Hamburgo

Obra-prima
O grande avanço tecnológico na história da Montblanc ocorreu em 1924, com o lançamento da Montblanc Meisterstück (do alemão, “obra-prima”). Produzido em resina de alta qualidade na cor preta e decorado com três anéis de metal banhados a ouro, o modelo fez jus ao nome e permanece um clássico até hoje, ganhando espaço permanente no acervo de design do Museu de Arte Moderna (MoMA), em Nova York. Em 1929, seu bico de ouro ganhou a gravação “4810”, em referência à altura em metros do Mont Blanc. Já o número “149” designa a classificação do tamanho da pena, de 27 milímetros. Outra inovação importante neste ano foi a instituição da garantia vitalícia, assegurando que uma peça passe de pai para filho por várias gerações.

4810: a altura do Mont Blanc gravada na pena

Nobreza: modelo Meisterstück de platina

A chegada ao varejo
Somente em 1919, a empresa inaugurou sua primeira butique própria, em Hamburgo, com venda exclusiva de canetas e outros produtos como papéis, lápis e tinta, em formato precursor das lojas-conceito de marcas de luxo. Logo também foram inaugurados pontos de venda em outras cidades da Alemanha, além de Londres, Paris e Barcelona.

Nesse período, a publicidade norte-americana inspirou a empresa a lançar campanhas inovadoras – como a pintura de canetas gigantes nas laterais de aviões e até um painel na fachada de um prédio na capital francesa. No final dos anos 20, os produtos Montblanc já eram comercializados em mais de 60 países. Outra expansão na linha de produtos se deu em 1935, com a abertura de uma oficina perto de Offenbach, na Alemanha, que fabricava pequenos artigos de couro como estojos e cadernos.

Desenvolvimento e apoio às artes
Depois da Segunda Guerra Mundial, nos anos 40, a empresa recebeu apoio do ministério da Fazenda alemão para reconstruir suas fábricas e escritórios, tal era sua importância para o país. A década seguinte foi dedicada à pesquisa e ao aprimoramento da qualidade das matérias primas, especialmente plásticos que se tornaram mais resistentes e passaram a ter um brilho mais duradouro. Nos anos 60, além do sucesso da Meisterstück, a Montblanc passou a dedicar-se ao lançamento de novos designs, mais leves e esguios.

Em 1977, a marca foi adquirida pelo grupo inglês Dunhill, tornou-se nome consolidado no mercado de luxo e, em 1986, lançou o slogan “Montblanc, the art of writing” (isto é, “a arte da escrita”), reafirmando seu compromisso com o apoio às artes, à literatura, à dança e à música. Desde então, lançou inúmeras edições limitadas em homenagem a escritores e personalidades consideradas “patronos das artes” em seu tempo. Até hoje, a empresa realiza doações a festivais, exposições, concursos e instituições como o Museu Contemporâneo de Hamburgo.

A década de 90 começou com a inauguração da primeira loja em Hong Kong, em 1992; três anos depois, São Paulo foi escolhida para sediar a primeira loja das Américas, antes mesmo dos Estados Unidos, na esquina das ruas Oscar Freire e Haddock Lobo, ponto nobre da região dos Jardins. Em 1997, ingressou no segmento de relógios de luxo, e foi adquirida pelo conglomerado de luxo suíço Richemont, detentora de marcas como Cartier e Piaget.

E = mc2: Edição limitada Albert Einstein

Literatura: edição limitada em homenagem ao escritor italiano Carlo-Collodi, o criador do Pinóquio

Patrono das artes: a Montblanc Max Reinhardt, produtor e diretor de teatro austríaco

Edição Escritores de 2013: tributo ao escritor francês Honoré de Balzac

Versão esferográfica: linha Escritores com o autor norte-americano William Faulkner

Casal real: edição limitada Wedding Pen Monaco, usada pelo Príncipe Albert 2º e sua noiva Charlene Wittstock

O segredo do sucesso
O processo de fabricação rigoroso e a fórmula da resina utilizada para obter um corpo lustroso – cuja composição é mantida em segredo – são alguns dos processos que garantem a qualidade e a exclusividade das canetas Montblanc. As 60 etapas de produção de uma única peça podem levar um mês de muito trabalho manual que resultam em uma escrita de precisão absoluta.

Se as duas metades da pena cortadas com lâminas de diamante não forem perfeitamente alinhadas, a escrita é comprometida. Além disso, cada peça é rastreada por um sistema intitulado Quo Vadis (do latim, “para onde vais?”), por meio da gravação de numerações a laser que permitem registrar a identificação do cliente no momento da compra e ainda rastrear canetas em pontos de venda não autorizados.

No centro financeiro de Wall Street, em Nova York, as canetas Montblanc foram apelidadas de “power pen” (do inglês, algo como “caneta poderosa”), já que são usadas na assinatura de acordos importantes. O preço dos modelos, com diversos revestimentos como ouro, aço inoxidável, fibra de carbono, além de diamantes, rubis, esmeraldas e safiras, varia de € 300 até € 125 mil, valor atribuído a um modelo cravejado com 4.810 brilhantes.

Power pen: em 1963, o chanceler da Alemanha Ocidental Konrad Adenauer e o presidente John Kennedy, em assinatura de acordo com uma Montblanc

A Montblanc de hoje
Depois da comemoração de seu centenário, em 2006, a Montblanc expandiu as linhas de produtos e aproximou-se do público feminino, com o lançamento de joias, perfumes, carteiras, bolsas, óculos e também modelos de canetas mais delicados. Nomeou embaixadores conhecidos do público, como o ator norte-americano Nicolas Cage e a cantora lírica britânica Katherine Jenkins.

Atualmente, soma mais de 380 lojas próprias e 9 mil pontos de vendas em 90 países, incluindo cerca de 200 joalherias credenciadas e nove lojas próprias no Brasil – em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Campinas e Brasília. Estima-se que o país tenha em torno de 400 mil usuários das canetas Montblanc. Mesmo com um portfólio de mais de 3 mil itens, a marca tem mais de 45% de seu faturamento na venda dos instrumentos de escrita, seguida por relógios (30%) e acessórios de couro (20%). Ainda sob comando do conglomerado Richemont S.A., registrou faturamento de € 672 milhões e lucro de € 109 milhões em 2010.

Embaixador: o astro norte-americano Nicolas Cage na inauguração de uma loja da marca em Xangai

Casa da caneta: atual sede da Montblanc, na cidade alemã de Hamburgo

Tradição e tecnologia
Em setembro, a Montblanc lançou no Brasil o modelo Heritage Collection 1912, tributo a um período de inovações promovidas pela marca na escrita e na tecnologia. Para seu desenvolvimento, os mestres-artesãos da Montblanc exploraram novas possibilidades de engenharia e design para construir um mecanismo que controla dois movimentos complexos da pena – retrátil e por enchimento de pistão – com o simples movimento de puxar o cone. De resina preta e tampa de madrepérola, com detalhes polidos folhados a platina, o modelo é inspirado na pioneira caneta-tinteiro Simplo Safety Filler.

Tributo: Montblanc Heritage Collection 1912

Ícones
A estrela branca de pontas arredondadas, que remete ao pico dos alpes franceses, o Montblanc
A caneta Meisterstück;
O slogan “The art of writing”
A garantia permanente
As edições limitadas em tributo a escritores e patronos da arte

Joias para os olhos
Em abril de 2001, a Montblanc anunciou acordo com a italiana Marcolin para criação, produção e distribuição de sua linha de óculos, composta por modelos de receituário e solares – a licença foi renovada em 2010. A marca inspira uma coleção luxuosa com variedade de estilos, elegância discreta e atenção aos detalhes. Além dessas características, detalhes clássicos das canetas também surgem em algumas hastes de óculos, como o trio de anéis dourados da Meisterstück e a estrela branca.

Modelo MB0396 028

Modelo MB0416 25F

Pronúncia
“Mon-BLÔ. Por conta da origem francesa, o “t” do meio desaparece e a terminação “-anc” vira apenas “ã”. Outra observação importante é a grafia da marca: “Montblanc”, em uma única palavra.

www: Montblanc virtual
www.montblanc.com
www.facebook.com/montblanc‎
www.twitter.com/montblanc_world
www.youtube.com/user/montblanc

Enviar por email

Compartilhar

Últimas edições