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Mondo Fashion

Fendi

Graziela Canella Divulgação Andrea Tavares

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modelo FF 0026S 7OO

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Família e empresa, tudo ao mesmo tempo
A história da casa de moda italiana teve início em 1918, quando Adele Casagrande, então com 20 anos, abriu uma pequena loja de artigos de couro e peles na Via Del Plebiscito, no centro de Roma. Herdeira de ricos produtores de couro de Florença, a jovem desafiou a tradicional sociedade italiana na época, em que negócios eram operados quase exclusivamente por homens e vendia bolsas de couro macio com design sofisticado e acabamentos de fechos e fivelas, além de sacolas feitas de tiras de lona.

Em 1925, Adele casou-se com Edoardo Fendi, se mudou com o marido para o andar de cima da loja e decidiu atribuir à empresa seu novo sobrenome. O momento era propício para os negócios – alguns anos após o final da Primeira Guerra Mundial, a sociedade italiana voltava a consumir bens de luxo, o que contribuiu para o crescimento da Fendi. Em 1932, a marca inaugurou sua segunda loja, na Via Piave, e logo começou a atrair clientes de várias partes do país.

As irmãs Fendi
De 1931 em diante, o casal teve cinco filhas: Paola, Anna, Franca, Alda e Carla Fendi, que cresceram “brincando” com acessórios de couro e, naturalmente, começaram a ingressar nos negócios da família logo após a Segunda Guerra, em 1946, revelando-se empreendedoras como a mãe.

A primeira foi Paola, então com apenas 15 anos, que mais tarde veio a assumir a divisão de peles. Depois veio Anna, que tomou a frente da divisão de couro; seguida por Franca, no relacionamento com clientes; Carla, como coordenadora de negócios e Alda, à frente do departamento de vendas.

As filhas de Adele e Edoardo introduziram novas ideias em todas as áreas do negócio da família e lançaram novas linhas de produtos como bolsas, malas e peles. Entre suas principais apostas, e talvez a mais acertada, foi a contratação do estilista alemão Karl Lagerfeld para a posição de diretor criativo da grife, em 1965.

Negócio em família: as cinco irmãs comandam os negócios

Negócio em família: as cinco irmãs comandam os negócios

Novos rumos com Lagerfeld
O renomado fashion designer alemão promoveu, nos anos 60, uma revolução na casa Fendi, a começar pelo logotipo – foi ele o criador do símbolo com as duas letras “F” invertidas, que permanece até hoje, batizado de “Zucca” (ou “Zucchino”, na versão menor). Sua nova leitura dos famosos casacos de pele da marca levou a nobre matéria-prima da alta costura para o prêt-à-porter, ou seja, as roupas de pronta entrega, aplicando acabamentos de pele nas jaquetas jeans.

O kaiser, como é chamado, também começou a desenvolver novos tratamentos para peles e couro, como um revestimento de ouro 24 quilates, além de elaborar novas técnicas de corte, curtimento e colorações, tratamentos em outros materiais, bordados, impressões e até fibras entrelaçadas, aplicados nos acessórios da grife. As novas técnicas também permitiram a criação de bolsas mais leves e sofisticadas. Logo a marca tornou-se referência na arte de criar peças-desejo, especialmente bolsas, premiadas mundialmente.

Expansão internacional
Em 1968, o então presidente da renomada loja de departamentos norte-americana Bloomingdale’s, Marvin Traub, descobriu em Roma as bolsas e as malas da Fendi e levou peças da marca para serem vendidas em Nova York. Em pouco tempo, várias outras grandes lojas começaram a fazer pedidos, o que atribuiu à Fendi o status (mantido até hoje) de marca com maior número de representações em lojas de departamentos nos Estados Unidos.

Na década de 70, as melhores lojas de vários países vendiam suas linhas de produtos, que, além de bolsas, malas e peles, incluíam jeans, luvas, gravatas, óculos, relógios, isqueiros e canetas. A primeira loja em solo norte-americano só foi inaugurada em 1989 e pela primeira vez reunia no mesmo endereço todos os itens do portfólio.

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Terceira geração
Em 1987, Silvia Venturini Fendi, filha de Anna, assumiu a direção de estilo da linha de difusão da casa italiana, a Fendissime, no cargo que viria a ocupado posteriormente pelo italiano Giambattista Valli. Silvia tinha apenas quatro anos quando Karl Lagerfeld entrou na empresa dos avós e, 40 anos depois, passou a dirigir o estilo ao lado do mestre alemão. Assumiu o departamento de artigos de couro e acessórios em 1996 e, no mesmo ano, relançou a linha Selleria, originalmente desenhada com técnicas e conceitos usados pelos seleiros romanos, especializados em produzir selas e outros itens para montaria, em 1925.

Em 1997, Silvia criou o que viria a ser um dos modelos de bolsa mais vendidos e copiados do mundo, a Baguette – cujo nome faz referência a seu formato estreito e alongado, que se encaixa confortavelmente embaixo do braço, assim como o famoso pão dos franceses. A bolsa-ícone foi adotada por celebridades como Madonna e a personagem do seriado norte-americano Sex and The City, Carrie Bradshaw (interpretada por Sarah Jessica Parker) e centenas de milhares do modelo têm sido vendidos ao longo dos anos, em muitas versões.

Dupla de sucesso na criação: Karl Lagerfeld e Silvia Venturini Fendi

Dupla de sucesso na criação: Karl Lagerfeld e Silvia Venturini Fendi

Bolsa Selleria: técnicas tradicionais de seleiros romanos

Bolsa Selleria: técnicas tradicionais de seleiros romanos

Na Muralha da China
A criatividade de Karl Lagerfeld não se limita apenas às criações de roupas e acessórios. Além de fotografar as campanhas das marcas para as quais trabalha, é capaz de produções como o desfile da Fendi para o inverno de 2008, que teve como cenário nada menos que a Muralha da China. Modelos desfilaram 88 looks da grife (muitos na cor símbolo do país, o vermelho), em uma parte restaurada do ponto turístico mundialmente conhecido.

Superprodução: desfile na Muralha da China

Superprodução: desfile na Muralha da China

A fase LVMH
Em 1999, a Prada e o conglomerado francês de moda e luxo LVMH compraram 51% da Fendi por US$ 950 milhões e assumiram o comando da empresa, mantendo os membros da família em cargos importantes – inclusive Karl Lagerfeld, apelidado carinhosamente por Carla Fendi de “o sexto irmão”.

No ano seguinte, Silvia lançou a primeira coleção de moda masculina da casa italiana, coassinada pelo italiano Marco de Vincenzo. Somente em 2001, a Fendi teve sua primeira loja-âncora em Paris, epicentro da alta costura mundial. Em 2002, a LVMH viria a comprar a parte da Prada e também os 15,9% de Franca Fendi. Três anos mais tarde, a grife celebrou seu 80º aniversário com a abertura de uma nova sede em Roma, o Palazzo Fendi, que reúne ateliês, estúdios e ainda a maior loja da marca no mundo.

Fendi para homens: coleção lançada em 2000

Fendi para homens: coleção lançada em 2000

Paris: detalhes do interior da loja-âncora

Paris: detalhes do interior da loja-âncora

Palazzo Fendi: a icônica sede da grife em Roma

Palazzo Fendi: a icônica sede da grife em Roma

Posicionamento global
Atualmente a Fendi possui 196 lojas ao redor do planeta, inclusive uma loja-âncora no Brasil, no shopping Cidade Jardim, em São Paulo, inaugurada em 2013. Conta ainda com presença em mais de 800 pontos de venda em 120 países, com produtos como peles, roupas, artigos de couro, coleções esportivas, relógios, óculos, perfumes, acessórios e bolsas em luxuosas lojas de departamentos. Cerca de 70% de sua produção é exportada para Ásia, Europa e Estados Unidos, com faturamento anual de mais de € 600 milhões.

Um de seus principais atributos no segmento de luxo é o processo de fabricação de bolsas, malas e artigos de couro, feitos à mão com impecável cuidado artesanal. Apenas três artesãos são capacitados para confeccionar uma bolsa Baguette, que demora cerca de 12 dias para ficar pronta. E nem só de couro se fazem as it-bags (do inglês, expressão que pode ser traduzida como “bolsas-desejo”) da marca: outro modelo que se destaca no trabalho artesanal é o Straw Twins, bolsa casual feita de fibras de ráfia trançadas e costuradas à mão, e ainda a Voodoo, de lã e plumas.

Seus aguardados desfiles e campanhas, além de criações que combinam a elegância clássica com boas doses de ousadia e inovação, mantêm a marca na lista das grandes lançadoras de tendências da atualidade, sempre com o endosso de grandes fotógrafos e celebridades – ano passado, Karl Lagerfeld escalou a britânica Cara Delenvigne, principal top do momento, para as campanhas da Fendi.

Baguette: a versão clássica com monograma

Baguette: a versão clássica com monograma

Lã e plumas: a bolsa Voodoo

Lã e plumas: a bolsa Voodoo

Casual e artesanal: a bolsa Straw Twins

Casual e artesanal: a bolsa Straw Twins

Cara Delevingne: a top na atual campanha de inverno

Cara Delevingne: a top na atual campanha de inverno

Tradição nos óculos
A Fendi lançou sua coleção de óculos no início da década de 90 e desde o final de 2013 tem sua linha de armação de receituário e óculos solares produzidas e distribuídas mundialmente pela Safilo. As criações levam assinatura da dupla Karl Lagerfeld e Silvia Venturini Fendi e primam pela qualidade e a vanguarda no design.

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modelo FF 0015 7TE

modelo FF 0015 7TE

modelo FF 0029S 7NQ

modelo FF 0029S 7NQ

Ícones
O logotipo composto pelos “F” invertidos e o monograma composto pelo logo em tons de marrom e bege
Bolsas-desejo tradicionais como a Selleria e, principalmente, a Baguette
Casacos de pele
Malas, cintos, pastas e outros artigos de couro
Perfumes como o Fan di Fendi e Fendi L’Acquarossa

2013: bolsa da coleção-cápsula Bugs

2013: bolsa da coleção-cápsula Bugs

Pronúncia
“FÊN- di”. É uma das grifes de mais fácil pronúncia. A silaba tônica é a primeira, com o “e” fechado.

Modernidade: a bolsa Colorblock

Modernidade: a bolsa Colorblock

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