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Mondo Fashion

Balenciaga

Reverenciado por ícones como Christian Dior e cultuado por fashionistas até hoje, o mestre espanhol da alta costura definiu o próprio legado com uma frase memorável: “um costureiro deve ser um arquiteto no design, um escultor na forma, um pintor na cor, um músico na harmonia e um filósofo na medida”.
Graziela Canella Andrea Tavares

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Modelo ba0010 47e

Modelo ba0010 47e

Costureiro da nobreza
Em 1895, Cristóbal Balenciaga Eisaguirre nasceu em Getaria, região basca da Espanha. Filho de um pescador e uma costureira, o jovem cresceu observando o trabalho da mãe e, encantado pelo ofício, formou-se alfaiate. Em 1918, abriu o primeiro ateliê no balneário de San Sebastian, onde atendia não somente membros da corte e aristocracia como também a própria família real espanhola. Para receber essa clientela também fora da temporada de verão, Balenciaga inaugurou unidades em Madri e Barcelona. Por um breve período, chegou a usar o nome “Eisa” em sua marca, em homenagem ao sobrenome da mãe.

Paris, 1927: Cristóbal Balenciaga fotografado por Roger Viollet

Paris, 1927: Cristóbal Balenciaga fotografado por Roger Viollet

Origens: Balenciaga (em foto de 1950) seguiu o ofício de sua mãe

Origens: Balenciaga (em foto de 1950) seguiu o ofício de sua mãe

O espanhol que conquistou Paris
A grande virada na carreira de Balenciaga ocorreu depois de 1936, quando a Guerra Civil Espanhola o levou à falência, obrigando-o a fechar as lojas e fugir do país. No ano seguinte, estabeleceu em Paris a nova maison Balenciaga, no número 10 da Avenue George V (endereço de sua loja-conceito até os dias de hoje), onde rapidamente fez grande sucesso com babados, boleros e outras referências estéticas a seu país de origem.

Greta Garbo, Marlene Dietrich e Ginger Rogers eram apenas algumas das grandes estrelas de cinema que passaram a frequentar o ateliê. Mesmo assim, o costureiro era reservado e dava poucas entrevistas, perfeito contraponto a seu contemporâneo Christian Dior – que, por sinal, tinha declarada admiração pelo espanhol. “A alta costura é como uma orquestra da qual apenas Balenciaga pode ser o maestro. Todo o resto de nós somos apenas músicos, seguindo as direções que ele nos dá”, declarou Dior.

Ar de nobreza: look de 1939

Ar de nobreza: look de 1939

1956: a atriz e modelo norte-americana Suzy Parker de Balenciaga

1956: a atriz e modelo norte-americana Suzy Parker de Balenciaga

Clássico de Balenciaga: a top alemã Veruschka usando o vestido Chou nas páginas da Vogue, em 1967, em foto de Irving Penn

Clássico de Balenciaga: a top alemã Veruschka usando o vestido Chou nas páginas da Vogue, em 1967, em foto de Irving Penn

Babados drapeados: look de 1951

Babados drapeados: look de 1951

Ícone de estilo: criação de 1965

Ícone de estilo: criação de 1965

Exuberância: croqui de 1958

Exuberância: croqui de 1958

Passarela: desfile de 1963

Passarela: desfile de 1963

O estilo Balenciaga
A cultura e a história da Espanha, além do trabalho de artistas plásticos como Diego Velázquez e Francisco Zurbarán, foram referências evidentes no trabalho de Balenciaga, em especial nos primeiros anos em Paris. Um exemplo é a coleção de 1946, inspirada nas típicas touradas daquele país, repleta de boleros e bordados.

Habilidoso e ambidestro no corte e na costura, Balenciaga era capaz de reproduzir facilmente qualquer modelo das inúmeras revistas de moda do século 19 que colecionava em seu ateliê, mas ficou mesmo conhecido pelo trabalho autoral, baseado na construção precisa das roupas, nos volumes audaciosos e no rigor arquitetônico.

Em 1948, inaugurou sua primeira butique e seu papel no resgate do glamour no pós-guerra foi de extrema importância. Nos anos seguintes, marcou a história com criações memoráveis – em 1951, mudou a silhueta feminina, com ombros volumosos e ausência de cintura. Em 1955, lançou o vestido túnica, que depois se tornou o modelo Chemise; em 1959, lançou vestidos amplos de cintura alta e casacos de estilo quimono.

O criador evitava as semanas de desfiles e, desde 1956, lançou suas coleções após as temporadas de moda a fim de obter mais espaço nas revistas. Nos anos 60, passou a buscar a pureza das formas e dos tecidos com qualidades esculturais e uma das criações mais icônicas desse período é o vestido de noiva de formato trapézio, com curvas suaves, cujo único adorno era um capuz monástico.

Pouco convencional, a moda de Balenciaga, segundo o próprio, era pensada para mulheres de personalidade forte. Uma delas, a socialite norte-americana Mona Von Bismarck, teria ficado trancada no quarto por três dias quando o estilista anunciou sua aposentadoria, em 1968.

Rigor arquitetônico: vestido de noiva de 1965

Rigor arquitetônico: vestido de noiva de 1965

Originalidade: vestido de noiva futurista de 1967

Originalidade: vestido de noiva futurista de 1967

No ar com Balenciaga: uniforme da Air France assinado pelo estilista em 1969

No ar com Balenciaga: uniforme da Air France assinado pelo estilista em 1969

1950: detalhe da manga da capa batizada de “Regine”, em foto de Irving Penn

1950: detalhe da manga da capa batizada de “Regine”, em foto de Irving Penn

1957: vestido Baby doll

1957: vestido Baby doll

Saia de babados: criação de 1958

Saia de babados: criação de 1958

Novos ares na virada do século
Cristóbal Balenciaga morreu em 24 de março de 1972, poucos anos depois de se afastar do trabalho, e a maison ficou sob o comando de um sobrinho. Nas décadas de 70 e 80, parecia improvável que a marca sobrevivesse sem seu criador, por mais que seus sucessores tivessem se esforçado.

Dois acontecimentos foram decisivos para transformar esse cenário e o primeiro deles ocorreu em 1997: a contratação de Nicolas Ghesquière. Assim como Balenciaga, o jovem estilista francês chegou com a proposta de criar roupas para mulheres de personalidade forte e ousadas. Tinha clientes e musas lançadoras de tendências como a top inglesa Kate Moss, a atriz norte-americana Chloë Sevigny e a cantora britânica Charlotte Gainsbourg (filha do ícone da chanson francesa, Serge Gainsbourg).

Desde o início, Ghesquière teve como marca registrada o corte preciso e as referências ao universo da ficção científica, de Julio Verne a Guerra nas estrelas. Além disso, em 2001 a marca foi comprada pelo grupo Gucci, que investiu alto em sua reestruturação – incluindo a abertura de uma nova loja-conceito em Nova York, em 2003. Em 2006, o faturamento chegava a € 17,9 milhões. A gestão Ghesquière foi marcada pelo lançamento de ícones como a bolsa Motorcycle, as sandálias gladiadoras, os vestidos de espuma estruturados com estampas florais, além da reedição de clássicos dos anos 40 a 60.

Charlotte Gainsbourg: rosto da campanha do perfume L'Essence

Charlotte Gainsbourg: rosto da campanha do perfume L’Essence

2004: campanha masculina

2004: campanha masculina

2006: Balenciaga em editorial da Vogue

2006: Balenciaga em editorial da Vogue

2011: Gisele Bundchen e Yuri Pleskun em campanha clicada pelo fotógrafo norte-americano Steven Meisel

2011: Gisele Bundchen e Yuri Pleskun em campanha clicada pelo fotógrafo norte-americano Steven Meisel

Futurismo: a atriz Jennifer Connelly em campanha de 2008

Futurismo: a atriz Jennifer Connelly em campanha de 2008

Tapete vermelho: a estrela Nicole Kidman de Balenciaga no Oscar de 2007

Tapete vermelho: a estrela Nicole Kidman de Balenciaga no Oscar de 2007

A era Wang
Em dezembro de 2012, a Balenciaga anunciou a substituição de Nicolas Ghesquière, depois de 15 anos à frente da direção criativa da maison. Desde então, o cargo é ocupado por outro grande talento da nova geração, o norte-americano de origem chinesa Alexander Wang, de 30 anos. Antes de sua contratação, tinha estilo de essência streetwear, com camisas xadrez, roupas de couro e tachas que conquistaram jovens celebridades como as cantoras Rihanna e Lindsay Lohan.

A estreia de Wang na luxuosa grife francesa levou à passarela criações mais clássicas e comerciais do que seu antecessor, mas ainda com elementos de rebeldia e originalidade. No ano passado, assinou sua primeira bolsa-desejo da marca, o modelo Le Dix, uma referência ao icônico perfume lançado por Balenciaga em 1947.

 

Le Dix: a primeira bolsa-desejo lançada por Wang

Le Dix: a primeira bolsa-desejo lançada por Wang

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Looks atuais: criações de Alexander Wang

Looks atuais: criações de Alexander Wang

Eyewear escultural
Desde 2012, a Marcolin é responsável pela criação, a produção e a distribuição mundial dos óculos Balenciaga, cujo apelo retrô está no constante resgate de seus próprios clássicos, assim como na inovação nos materiais e nas frequentes pinceladas de estética futurista. O design das peças faz reverência à construção das formas, ideal fundamentado por Balenciaga desde a fundação da grife.

Modelo ba0001 01f

Modelo ba0001 01f

Modelo ba5009 020

Modelo ba5009 020

A marca em números
Atualmente, a Balenciaga pertence hoje ao grupo de luxo francês Kering, nome do conglomerado antes conhecido como PPR, sigla de “Pinault-Printemps-Redoute”. Sob comando da diretora geral Isabelle Guichot, tem hoje faturamento estimado em aproximadamente € 38 milhões e 81 lojas espalhadas em países da Europa, nos Estados Unidos e na Ásia, um de seus mercados mais fortes.

Além disso, tem produtos à venda em lojas de departamentos e em algumas das principais butiques multimarcas do mundo (inclusive o Brasil). Sua loja virtual distribui para 91 países todas as linhas de produtos marcados pelo símbolo do “B” duplo, que incluem moda feminina e masculina, acessórios, calçados, bolsas, perfumes e óculos.

Nova York: interior da loja-conceito com decoração assinada por Alexander Wang

Nova York: interior da loja-conceito com decoração assinada por Alexander Wang

Xangai: fachada da loja-conceito

Xangai: fachada da loja-conceito

www: Balenciaga virtual
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Ícones
Herança espanhola: babados e boleros
Rigor arquitetônico
Volumes ousados e futuristas
Pureza das linhas
Casacos soltos, do tipo saco
A bolsa Motorcycle
Sandálias de estilo gladiador

Pronúncia
“ba-lên-ssi-Á-ga”. Essa é sem mistério e a proximidade do português com o espanhol ajuda bem, com a sílaba forte nas vogais acentuadas, exatamente como se lê em português. Agora, caso se deseje investir no jeito francês de falar o nome da grife, vale lembrar que quem ganha força é a última sílaba: “ba-lên-ssi-a-GÁ”.

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