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Dicas & Estratégias Provar

Os desafios da economia brasileira

Em mais um artigo que celebra a parceria entre a VIEW e a renomada instituição educacional de varejo, o Provar, o professor Carlos Eduardo Furlanetti analisa a economia mundial e avalia as oportunidade de crescimento para o Brasil.
Carlos Eduardo Furlanetti Paty Chequetti

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Questões conjunturais e estruturais colocam em xeque o modelo de desenvolvimento econômico adotado no Brasil na última década. Isso porque as condições para o desenvolvimento econômico brasileiro nesse período já não existem mais, vale observar as ameaças e as oportunidades que se configuram ao país a partir de uma perspectiva mais ampla.

Os riscos do oriente médio – A intensificação de conflitos sociais e políticos em países do mundo árabe, como é o caso do Egito, e o aumento da tensão entre Israel e o Irã trazem riscos estruturais à economia internacional. A região do Golfo Pérsico é importante fornecedora de petróleo para o mundo. Como consequência, o preço do barril de petróleo tem se mantido em altos patamares, tornando ainda mais difícil a recuperação econômica em vários países.

Europa, recuperação lenta – A crise fiscal dos últimos anos coloca em discussão a capacidade da manutenção do Estado europeu como promotor do bem-estar social e a viabilidade da adoção de uma moeda comum, o euro, sem que existam mecanismos centralizados de controle fiscal sobre os países da comunidade europeia. Os ajustes econômicos promovidos em países como Grécia, Espanha e Portugal têm provocado desemprego e perdas de direitos para segmentos da população, aumentando a tensão social e política, seja em âmbito local ou regional. O cenário mais provável para a Europa é que a recuperação econômica da região leve bastante tempo.

Na China, a alavanca do consumo – A economia chinesa passa por período de transição em seu modelo de desenvolvimento econômico, com prováveis impactos sobre sua política doméstica. O impulsionador do crescimento econômico chinês deverá, nos próximos anos, ser o consumo doméstico. Questões como a má distribuição de renda e a falta de abertura política são desafios que se colocam para o governo chinês. A desaceleração no ritmo de crescimento econômico do país, em andamento, tem impacto sobre a economia mundial, especialmente para países fornecedores de matérias-primas.

Recuperação norte-americana – Em contraposição, os Estados Unidos dão sinais consistentes de recuperação econômica, conforme destacou o renomado professor da Columbia University, Albert Fishlow, em uma palestra, em junho, para estudantes do MBA de Finanças do Laboratório de Finanças da Fundação Instituto de Administração (LabFin/Fia). A base dessa recuperação, segundo Fishlow, está na expansão verificada nos investimentos em projetos de inovação nas áreas de tecnologia da informação, biotecnologia e energia, além dos efeitos da prolongada política de expansão monetária adotada pelo Federal Reserve que causou desvalorização do dólar norte-americano, criando condições favoráveis para a recuperação do setor industrial local.

Inibição do consumo – No Brasil, o modelo econômico adotado na última década aproveitou condições favoráveis em termos de troca no comércio internacional, em especial, com vantagem para as commodities agrícolas e metálicas. O avanço no volume de crédito, a implementação das políticas de transferência de renda, o crescimento do emprego e da massa salarial, aliados à diminuição das taxas de juros promoveram, no período, a ascensão de relevante parcela da população à classe média e a redução da desigualdade, impulsionando o crescimento econômico pelo lado do consumo. No entanto, a expansão dos investimentos, especialmente em infraestrutura e no setor industrial, não acompanhou o crescimento do consumo doméstico. O endividamento das famílias, em níveis historicamente elevados, começa a inibir a expansão do consumo.

A redução do ritmo de crescimento chinês, em particular, e da expansão da economia mundial, de modo geral, cria um ambiente favorável ao protecionismo comercial, afetando negativamente a balança comercial brasileira. Mudanças inesperadas na forma de contabilização do superávit primário brasileiro e na regulação do setor de energia, por exemplo, acompanhadas pela eclosão de protestos sociais, com demandas abrangentes e dispersas (sem ainda o devido equacionamento fiscal para o atendimento das demandas), acompanhadas pelo crescimento da instabilidade na base de apoio político ao governo, no Congresso Nacional, trouxeram incertezas adicionais ao ambiente de negócios e têm impactado negativamente as expectativas sobre o futuro da economia brasileira.

Crescimento sustentável – Considerando esse cenário, a recuperação da credibilidade na condução da política econômica deve ser a prioridade a ser perseguida. As próximas licitações nas áreas do pré-sal e portuária podem indicar o apetite dos investidores para os negócios de infraestrutura no Brasil, elevando o nível de investimentos e confiança, criando bases para um novo ciclo de crescimento no país. Sendo assim, seria prudente que o governo federal não satanizasse o lucro empresarial, evitando a fracassada prática, já testada em processos licitatórios anteriores, de limitar, em níveis baixos, as taxas internas de retorno desses empreendimentos. O Brasil precisa de boas notícias e, principalmente, do capital dos setores privado nacional e internacional para crescer de forma sustentada.

Carlos Eduardo Furlanetti é diretor de operações e professor de Finanças do Labfin/Provar da Fundação Instituto de Administração (Fia).

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