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…fast fashion

Com novas redes internacionais desembarcando no Brasil a cada dia, o termo fast fashion já se instalou no vocabulário do varejo nacional e no comportamento de consumo dos brasileiros. Acelera!
Graziela Canella Divulgação Andrea Tavares

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Desigual em Nova York

Desigual em Nova York

Stella McCartney para C&A

Stella McCartney para C&A

Mathew Williamson para H&M

Mathew Williamson para H&M

André Lima para Riachuelo

André Lima para Riachuelo

Interior de loja da Uniqlo

Interior de loja da Uniqlo

Versace para H&M

Versace para H&M

Forever 21 em Dubai

Forever 21 em Dubai

Lanvin para H&M

Lanvin para H&M

Loja da Riachuelo na Rua Oscar Freire

Loja da Riachuelo na Rua Oscar Freire

O que significa, afinal?
Em uma tradução literal do inglês, fast fashion vira “moda rápida”. Na prática, o nome veio do termo “fast food” e remete à estratégia que revolucionou o segmento de confecção do início do século 21 ao pregar produção de roupas com design a preços razoáveis e trocas de estoque em alta velocidade, com rápida absorção das tendências – o que está nas revistas de moda e passarelas hoje certamente estará nas araras das grandes lojas amanhã, o que faz dessas grandes lojas ferramentas de democratização da moda.

A modalidade de negócio fast fashion potencializa o consumo, já que as constantes trocas de coleções criam uma sensação de exclusividade e frequente busca por novidades; tudo isso, obviamente, se faz possível graças aos preços acessíveis das roupas e acessórios. Entre os principais representantes mundiais desse segmento estão Zara, C&A, Topshop e H&M. No Brasil, as redes locais Riachuelo, Renner e Marisa são bons exemplos desse conceito de varejo.

Eles estão chegando
A expansão do segmento de fast fashion no mundo reflete também no Brasil, com a chegada recente de gigantes globais como Topshop, Forever 21 e Gap – sem contar o interesse da holandesa H&M e da espanhola Desigual, que há algum tempo vêm anunciando a iminência da abertura de suas primeiras lojas por aqui.

O fenômeno teve início em 2012, com a inauguração da primeira unidade da Topshop e da Topman no shopping JK Iguatemi em São Paulo (atualmente, a rede conta também com unidades no Shopping Iguatemi, em São Paulo, no Ribeirão Shopping, em Ribeirão Preto, e ainda prevê a abertura de unidades em Curitiba e Brasília), marcada por longas filas, vendas muito acima do esperado e até dificuldade na reposição dos estoques.

Em 2014, o frenesi de consumo se deu com a chegada da Forever 21 (com lojas no Village Mall, no Rio de Janeiro e no Morumbi Shopping, em São Paulo) e mais recentemente da Gap (com duas lojas em São Paulo, no JK Iguatemi e no Morumbi Shopping). Esse cenário amplia cada vez mais as opções do consumidor brasileiro, mais exigente e impulsionando as redes brasileiras a se renovarem em qualidade, imagem de marca e design.

A contrapartida nacional
Se por um lado as grandes redes recém-chegadas precisam se desdobrar para manter os preços acessíveis, apesar das altíssimas taxas de importação praticadas no Brasil, o novo panorama reacendeu o interesse dos consumidores interessados em moda pelos grandes magazines, que entraram em um processo de aprimoramento e glamorização. A Riachuelo, por exemplo, tem se movimentado para encarar a nova concorrência, com rápida ampliação na cadeia de lojas e abertura de uma unidade na região nobre dos Jardins, na Rua Oscar Freire, no final do ano passado. Em novembro, lança em suas lojas a primeira coleção feita em colaboração com uma grife internacional, a italiana Versace.

Em entrevista recente à revista Istoé Dinheiro, o presidente da empresa, Flávio Rocha, citou a rapidez com que hoje a informação de moda se transforma em artigo de consumo – o executivo garante que é possível levar às prateleiras das lojas uma peça que acabou de fazer sucesso nas passarelas. “Essa velocidade é essencial porque as pessoas buscam cada vez mais novidades. Vivemos um processo de expansão agressivo para brigar por esse mercado que cresce de forma impressionante”, declarou.

Colaborações de peso
Nos anos 60, o estilista francês Pierre Cardin chegou a ser expulso da Câmara Sindical de Alta Costura ao criar uma coleção especial para a loja de departamentos Printemps, em Paris. De lá para cá, mudou muito a postura da indústria a respeito das colaborações criativas entre estilistas ou celebridades com grandes redes do varejo.

A febre das coleções “cápsula”, nome dado a pequenas coleções lançadas em séries limitadas – que podem ser comemorativas ou usar materiais incomuns, e muitas vezes são assinadas por um convidado de prestígio – começou a tomar forma em 2004, com o lançamento de uma coleção assinada pelo designer alemão Karl Lagerfeld para a H&M. O sucesso instantâneo da parceria impulsionou uma sequência de lançamentos similares que atraíram os olhares dos fashionistas para lojas antes improváveis, como a rede de supermercados norte-americana Target, que lançou uma coleção em parceria com a Missoni.

Além disso, permitiu acesso de uma grande massa de consumidores a itens com a assinatura de estilistas até então desejados, mas inacessíveis. Desde então, a própria H&M puxou o bloco das grandes lojas no lançamento de coleções-cápsula célebres, como as assinadas por Kate Moss, Jimmy Choo, Isabel Marant, Viktor & Rolf, Sonia Rykiel, Lanvin, Stella McCartney, Marni e Comme des Garçons.

A Topshop apostou em colaborações com estilistas ainda pouco conhecidos do grande público, como Mary Katrantzou e J.W. Anderson. Até a C&A aderiu à moda e se aliou não somente a grandes nomes internacionais, como Calvin Klein e Roberto Cavalli, mas também a estilistas brasileiros como Andrea Marques, Glória Coelho, Isabela Capeto, Alexandre Herchcovitch e Lilly Sarti. Também no Brasil, a Riachuelo fez suas apostas em coleções assinadas por Pedro Lourenço, Maria Garcia, Juliana Jabour, Cris Barros, Huis Clos, André Lima, Fause Haten e Osklen.

Fast fashion de óculos
Nem só de roupas e acessórios se faz o modelo de fast fashion no varejo. Prova disso é o sucesso da Chilli Beans, perfeito exemplo de que é possível segmentar o produto dentro do mesmo conceito de negócio. A receita aplicada por seu fundador, Caito Maia, é a mesma das lojas de roupas: presença maciça em todo o país com grande número de lojas, preço acessível em todo o mix de produtos e a combinação de design com a busca pela qualidade dos materiais.

A cereja do bolo é a rapidez – toda semana, a marca introduz em todas as lojas do país pelo menos dez novos modelos de óculos solares, carro-chefe da marca, sem contar relógios e armações de receituário, entre outros itens. O empresário ainda vai além e há alguns anos já aposta em colaborações com nomes de prestígio da moda, incluindo Alexandre Herchcovitch, Ronaldo Fraga, Isabela Capeto e Ausländer.

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Chilli Beans: modelos da mais recente coleção do estilista Alexandre Herchcovitch

Chilli Beans: modelos da mais recente coleção do estilista Alexandre Herchcovitch

Slow fashion
Com a disseminação da moda “rápida” pelo mundo, uma vertente contrária ao movimento começa a se articular entre marcas e estilistas. Enquanto o fast fashion estimula o consumo desenfreado, na contramão surge cada vez mais forte uma corrente de marcas que apostam em roupas feitas para durar, peças feitas à mão, técnicas artesanais e processos de baixo impacto ambiental. O desenvolvimento de roupas sob medida também se aplica ao movimento de slow fashion (do inglês, algo como “moda lenta”).

Os gigantes pelo mundo

Zara
Fundada em 1975 na Espanha
Mais de 2 mil lojas em 88 países (35 no Brasil), faturamento estimado em US$ 10,3 bilhões e mais de 100 mil funcionários
Disputa com a GAP e a H&M o posto de maior varejista internacional de moda e ocupa o 44º lugar no ranking das marcas mais valiosas do mundo segundo a consultoria britânica Interbrand
www.zara.com

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H&M
Fundada em 1947 na Suécia
3.314 lojas em 54 países, faturamento de US$ 21 bilhões e mais de 116 mil funcionários
Com valor de mercado avaliado em US$ 18,2 bilhões, ocupa a 21ª posição no ranking da Interbrand. Inaugura mais de 200 pontos de venda por ano. Tem direção criativa de Margareta Van Den Bosch, que comanda uma equipe de 160 estilistas e 100 artesãos
www.hm.com

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H&M com a über model Gisele Bündchen

H&M com a über model Gisele Bündchen


Forever 21

Fundada em 1984 nos Estados Unidos
Mais de 550 lojas em 34 países (três no Brasil), faturamento estimado em US$ 3,7 bilhões e 35 mil funcionários
Com sede em Los Angeles, na California, foi criada por um casal de imigrantes coreanos, que atualmente comanda os negócios com ajuda das filhas. Apesar do sucesso, a família e seus funcionários só viajam de classe econômica
www.forever21.com

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Topshop
Fundada em 1964 no Reino Unido
Mais de 460 em 34 países (três no Brasil), faturamento de US$ 2,7 bilhões (total do grupo, que inclui as marcas Burton, Dorothy Perkins e Miss Selfridges) e 6,5 mil funcionários
Sua particularidade é o serviço gratuito de personal shopper, espécie de consultoria de estilo, que funciona por agendamento.
www.topshop.com

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JW Anderson para Topshop

JW Anderson para Topshop

C&A
Fundada em 1841 na Holanda
Mais de 1,9 mil lojas em 23 países (mais de 260 lojas em 100 cidades brasileiras), faturamento estimado em US$ 9,5 bilhões e 37,5 mil funcionários
Apesar de ter sido fundada na Holanda, tem suas sedes mundiais na Bélgica e Alemanha. O Brasil é um de seus maiores mercados e recebe em suas lojas mais de um milhão de consumidores por dia
www.cea.com.br

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Riachuelo
Fundada em 1947 no Brasil
Mais de 215 lojas em todo o país, faturamento de R$ 3,3 bilhões e 40 mil funcionários
Curiosidades: Criou um clássico da moda masculina, a marca Pool, e vive hoje em meio a um processo de reformulação de imagem, com mudanças na linguagem visual e investimento de R$ 500 milhões na abertura de novas lojas.
www.riachuelo.com.br

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Marisa
Brasil
Fundada em 1948 no Brasil
376 lojas em todo o país, faturamento de R$ 2,87 bilhões e 13 mil funcionários
Marca que se destaca no segmento de moda íntima, apesar de oferecer linhas completas de roupas e acessórios – de acordo com a empresa, a cada três segundos uma peça de lingerie é vendida
www.marisa.com.br

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Uniqlo
Fundada em 1984 no Japão
Mais de 1,1 mil lojas em 14 países, faturamento de US$ 10 bilhões e 55 mil funcionários
www.uniqlo.co.jp

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Desigual
Fundada em 1984 na Espanha
Mais de 200 lojas, faturamento de US$ 708 milhões e 3.563 funcionários
www.desigual.com

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Beyoncé como rosto da H&M

Beyoncé como rosto da H&M

Loja da Marisa na Avenida Paulista

Loja da Marisa na Avenida Paulista

Mary Katrantzou para Topshop

Mary Katrantzou para Topshop

Loja da Uniqlo em Montreal

Loja da Uniqlo em Montreal

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