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Gucci

O monograma dos dois “G” entrelaçados remete à grife italiana de luxo mais valiosa do mundo, que se mantém no topo há quase um século graças à constante renovação do estilo combinada ao resgate de seus clássicos.
Graziela Canella Andrea Tavares

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Modelo GG3611

 

Em Londres, a inspiração

Na virada do século 19, aos 19 anos, o italiano Guccio Gucci começou a trabalhar como ascensorista e depois se tornou-se maître no sofisticado hotel Savoy, em Londres. Foi ali que se encantou pelas malas luxuosas dos hóspedes, ornadas com brasões de famílias nobres.

Ao retornar a Florença, dois anos mais tarde, abriu uma pequena loja de acessórios de viagem, com malas e valises feitas pelos melhores artesãos da cidade – incluindo membros da própria família, já que seu pai era um artesão. A qualidade de seus produtos logo conquistou a burguesia e a nobreza italianas e nos anos 30 a empresa já vendia bolsas, luvas, sapatos e cintos, inclusive para clientes internacionais.

Em 1937, Gucci transferiu sua produção para a margem sul do rio Arno, conhecida como Lungano Guicciardini, na própria Florença, e, um ano depois, abriu sua primeira loja em Roma, na suntuosa Via Condotti. Em 1939, Aldo, Vasco e Ugo Gucci, filhos de Guccio, ingressaram nos negócios da família.

 

Guccio Gucci: inspiração nas luxuosas bagagens dos hóspedes de hotel londrino

 

O nascimento dos ícones

Já com clientes famosos e prestígio na Itália, a Gucci lançou a bolsa com alça de bambu em 1947. O modelo, que viria a ser um de seus grandes ícones, foi criado graças à escassez de couro do pós-guerra, que levou a empresa a buscar soluções criativas no uso de matérias-primas como náilon e bambu.

Pouco tempo depois, a grife também introduziu o logotipo com as iniciais de seu fundador (“GG”), invertidas e entrelaçadas, presente em todos os produtos da marca. O início dos anos 50 foi marcado por mudanças importantes – a morte de Guccio Gucci e a entrada de mais um de seus filhos na empresa, Rodolfo Gucci, responsável pela abertura de uma loja em Milão e outra em Nova York.

Também nessa década a Gucci lançou mais um ícone, o mocassim com fivela em forma de um estribo de montaria, e introduziu as cores verde e vermelha, que até hoje são sua assinatura. Nos Estados Unidos, com a abertura de novas lojas em San Francisco, Beverly Hills e Palm Beach, a marca conquistou estrelas de cinema, alavancando rapidamente sua expansão internacional – nos anos 60, abriu unidades em Londres, Tóquio, Paris e Hong Kong.

Entre os clientes ilustres que mais contribuíram para criar desejo de consumo pela grife italiana figuram nomes como Grace Kelly, Peter Sellers, Audrey Hepburn e o casal presidencial norte-americano John e Jacqueline Kennedy. Essa última teve até mesmo uma bolsa batizada com seu nome – o modelo Jackie, de couro maleável em forma de trapézio, com alças curtas. Relançado em 1999, o modelo registrou recorde de 6 mil peças vendidas.

 

A bolsa Jackie: homenagem à ex-primeira dama e ícone fashion, Jacqueline Kennedy

 

 

Trama de novela

O reconhecimento da marca como ícone de sofisticação trouxe fama, dinheiro e, sobretudo, conflitos familiares, especialmente depois que Aldo Gucci foi citado em um escândalo de fraude fiscal que envolvia polpudas quantias. Desentendimentos e intrigas entre os Gucci colaboraram para que a casa entrasse em um período de inércia criativa, além de problemas financeiros e a frequente citação da palavra “falência” – ou seja, a Gucci ficou em baixa por um bom tempo.

Nos anos 80, arremessos de cinzeiros e palavrões eram comuns na sala de reuniões da diretoria. Para completar, em 1995, o último membro da família a dirigir a empresa, Maurizio Gucci, sobrinho de Aldo, foi assassinado quando chegava a seu escritório, em Milão, a mando de sua ex-mulher, Patrizia Reggiani.

Anos depois, Patrizia, condenada a 26 anos de prisão, pediu permissão à Justiça para cumprir a sentença em prisão domiciliar. Misteriosamente, todos os funcionários que trabalhavam na papelada do caso foram acometidos por sintomas como irritação na garganta, pele rachada e enjoos. A doença desconhecida foi apelidada de “a maldição de Maurizio”, pois muitos acreditavam que se tratava de uma manobra sobrenatural do fantasma do executivo para impedir que sua ex-mulher saísse da cadeia. Tal processo foi abandonado, já que todos os funcionários da justiça milanesa se recusaram a mexer nos papéis da apelação.

 

O ano da virada: 1989

De Gucci by Tom Ford: Madonna, em 1995, no VMA, a premiação da MTV norte-americana

 

Mas a morte de Maurizio e a condenação de sua ex-mulher Patrizia em 1998 não impediram que 1989 fosse um ano chave para a grife, quando o italiano Domenico de Sole, funcionário de um escritório de advocacia norte-americano que prestava consultoria à Gucci, foi escalado para resolver divergências internas da empresa. Foi por seu intermédio que o grupo árabe de investimentos Investcorp adquiriu os 50% do capital da empresa que pertenciam a Aldo, que tinha se desligado dos negócios da família. Em 1993, a saída de Maurizio, neto de Guccio e último membro da família a deixar o grupo, resultou em maioria acionária para o Investcorp. Com Domenico de Sole no comando, a empresa mudou a sede de Milão para Casellina, na região de Florença, e nomeou como diretor criativo o norte-americano Tom Ford – que já trabalhava na equipe de estilo da marca.

 

A era Tom Ford

Além do relançamento de clássicos como as bolsas com alças de bambu e os mocassins com estribo, Tom Ford promoveu uma revolução geral no conceito da grife. O texano passou a comandar todas as etapas além do design de roupas e acessórios, desde a escolha de fotógrafos até o projeto arquitetônico das lojas.

Ford também trocou a imagem de divas como Grace Kelly e Audrey Hepburn por ícones pop como Madonna e Tina Turner, além de contar com a stylist francesa Carine Roitfeld (que anos depois se tornaria a editora-chefe da Vogue Paris) e o top fotógrafo de moda, o peruano Mario Testino em suas campanhas. No estilo, a tradição deu lugar à sensualidade e a temas bem mais provocativos, que foram bem recebidos pela imprensa especializada. O glamour voltou à cena na Gucci em camisas justas de cetim, calças de veludo e botas de acabamento metalizado. Entre 1995 e 1996, primeiro ano de Ford na Gucci, a marca contabilizou aumento de 90% nas vendas.

 

A revolução Tom Ford: resgate de clássicos, glamour nas passarelas e luxúria nas campanhas

 

 

Sob nova direção

Outra grande transformação começou a tomar forma no ano 2000, quando a grife pertencia a um grupo de acionistas – entre eles, o dono do conglomerado de luxo LVMH, Bernard Arnault, e o líder do conglomerado recém-nomeado Kering, que até março era conhecido como PPR, François Pinault.

Com o apoio de De Sole e Ford, Pinault foi privilegiado em negociações pelo controle acionário, tornando-se único proprietário da Gucci em 2004. A dupla, no entanto, se desentendeu com o novo proprietário e deixou a casa de moda. Com isso, a direção criativa da grife ficou a cargo da estilista Frida Giannini. Nascida em Roma, Frida abriu mão do legado criativo de Ford – sua primeira coleção, muito bem recebida comercialmente, foi inspirada em uma echarpe de Grace Kelly dos anos 60, intitulada “Flora”, que atribuiu romantismo e feminilidade às roupas e acessórios.

O escocês John Ray, que então assinava as linhas masculinas, foi afastado em 2006, e Frida passou a cuidar de todas as coleções. Em junho, a estilista apresentou a linha resort da grife com inspiração no Rio de Janeiro – apesar de nunca ter estado no Brasil, Frida criou cores e estampas que remetem a um fim de tarde na orla de Copacabana, com calças de seda estampada e blazers de alfaiataria.

As coleções chamadas de Resort (nome dado a hotéis de lazer de luxo, fora das grandes cidades, em geral instalados à beira do mar) ou Cruise (do inglês, “cruzeiro”) são lançadas para atender, em princípio, a clientela jet-setter (do inglês, expressão que define pessoas da alta sociedade que se deslocam de avião a jato) que se refugiam em destinos paradisíacos durante o inverno no hemisfério norte. Na Europa e nos Estados Unidos, chegam às lojas entre novembro e dezembro e oferecem uma variedade de acessórios e roupas leves e confortáveis, mas luxuosas.

 

Frida Giannini: desde 2004, a diretora criativa da Gucci

 

Flora: a echarpe de Grace Kelly que inspirou a primeira coleção de Frida Giannini na marca

 

Gucci Resort 2014: a inspiração foi um fim de tarde na orla de Copacabana

 

Lojas no Brasil e no mundo

Atualmente, a Gucci opera mais de 380 lojas próprias ao redor do mundo. Tem na Europa seu maior mercado, seguido pelos Estados Unidos e o Japão. Em 2008, inaugurou sua maior loja na Quinta Avenida, em Nova York, com três andares e área de mais de 14 mil metros quadrados. O projeto, concebido por Frida Giannini e o arquiteto James Carpenter, conta com iluminação natural por paredes de vidro, piso de mármore branco com listras pretas que se estendem pelas paredes e teto e ainda maçanetas e outros acabamentos de ouro.

No mesmo ano, a grife desembarcou no Brasil seguindo os padrões arquitetônicos da loja novaiorquina em um espaço de 470 metros quadrados, no shopping Iguatemi, em São Paulo. Em 2012, a capital paulista também inaugurou a primeira boutique da marca no mundo totalmente destinada ao público masculino e com alfaiataria sob medida, no shopping JK Iguatemi – nos meses seguintes, a mesma proposta foi implementada na China e na Itália. Ao todo, a marca mantém hoje cinco ponto de vendas – uma terceira em São Paulo, no shopping Cidade Jardim, além de uma unidade no shopping Iguatemi, em Brasília, e outra no Village Mall, no Rio de Janeiro.

 

Austrália: a loja da Gucci em Sidney

 

Nova York: a loja-conceito na Quinta Avenida é a maior loja Gucci no mundo

 

A marca em números

Recordista de vendas internacionais entre as marcas italianas, a Gucci é a segunda grife de maior prestígio na moda depois da Louis Vuitton. Em 2012, seu valor foi estimado em US$ 9,4 bilhões, de acordo com a consultoria britânica Interbrand, ocupando a 38ª posição no ranking das 100 maiores marcas do mundo.

Registrou em 2010 um faturamento de € 2,26 bilhões e, no ano seguinte, contabilizou aumento de 18%, além de crescimento de 30% em vendas online e 15% de crescimento na China. Tem como presidente o executivo italiano Patrizio Di Marco – que também é marido de Frida Giannini – e é controlada pelo Kering, conglomerado que também detém grifes como Balenciaga, Boucheron, Stella McCartney e Yves Saint Laurent.

 

James Franco: o ator e diretor norte-americano é o atual garoto-propaganda da coleção masculina

 

 

Luxo italiano para os olhos

A parceria entre Gucci e Safilo vem de longa data. Teve início em 1989 e a mais recente renovação garantiu a extensão do contrato de licença até 2018. As coleções de óculos femininas e masculinas traduzem o luxo e a constante renovação do estilo da grife, lançando tendências a cada temporada e sempre imprimindo o DNA da marca nas peças.

 

 

Modelo GG1029S

 

Modelo GG3547 5dh

 

 

 

Ícones

Bolsa com alça de bambu
Mocassim com detalhe em forma de estribo
A bolsa Jackie O
Estampas florais
As listras verde e vermelha

 

Fiat 500 by Gucci Edition: desde 2011, o icônico carro da montadora italiana tem uma edição limitada assinada pela grife italiana. O interior do modelo é decorado nas cores exclusivas da Gucci. As rodas são estilo retrô, de 15 polegadas e alumínio e calotas estampadas com os dois “G” entrelaçados do logo. Até as pastilhas de freio são pintadas com o verde Gucci

Pronúncia

“GÚ-tchi”. A sílaba tônica é a primeira (“GÚ-”) e a segunda (“-tchi”) é pronunciada de forma semelhante à a interjeição usada pelos gaúchos (“tche”).
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