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Dicas e estratégias

QR code, um novo universo a ser desvendado

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Em uma loja de departamentos, uma mulher usa seu telefone celular para saber se o perfume que está prestes a comprar é legítimo. Enquanto isso, em frente a um cinema, um garoto aponta o smartphone para uma catraca que, além de liberar a entrada, informa horários dos filmes e as salas em que cada um será exibido. A algumas quadras dali, uma dona de casa resolve garantir a procedência do suco de laranja que está prestes a comprar. Para isso, escaneia a etiqueta do produto com o celular e checa as informações nutricionais do produto exibidas logo abaixo de uma foto da fazenda em que a laranja foi plantada.

O que essas pessoas têm em comum? Todas usaram a câmera do celular para fotografar um ícone composto por vários pontinhos chamado QR code. Também conhecido como em português como código QR ou código 2D, o QR Code (do inglês, sigla de “Quick response”, algo como “código de resposta rápida”) nada mais é que um código de barras bidimensional que pode ser escaneado com a maioria dos smartphones. Basta instalar um aplicativo de leitura no celular equipado com câmera digital, executar o programa e posicionar a câmera para que o código seja fotografado, ou melhor, escaneado. Em instantes, a imagem se transforma em uma informação específica como cartões de visita, informações sobre um produto, serviço ou o que a criatividade permitir.

O começo de tudo O QR Code foi desenvolvido em 1994 por uma indústria automotiva japonesa a fim de rastrear veículos durante a produção. Em pouco tempo, seus criadores perceberam que o QR Code contava com uma capacidade de armazenamento de dados muito alta em relação ao código de barras tradicional, sendo possível registrar e codificar dados como endereços de sites em poucos segundos.

O QR Code pode ser considerado descendente do tradicional código de barras, cujas origens remontam a 1948, quando os Estados Unidos enfrentavam altos índices de inflação por conta dos reflexos do final da Segunda Guerra Mundial. Os supermercados precisavam de um batalhão de funcionários apenas para remarcar os preços que teimavam em mudar diariamente. Foi então que o presidente de uma cadeia de supermercados encomendou algo capaz de contabilizar os preços automaticamente ao diretor do Instituto de Tecnologia Drexel, na Filadélfia.

A conversa foi ouvida pelo estudante Bernard Silver, que a compartilhou com o amigo Norman Woodland. Esse último resolveu largar os estudos e foi morar com o avô na Flórida para se dedicar integralmente à criação do tal sistema. No ano seguinte, Woodland e Silver patentearam o primeiro código de barras com linhas circulares que ficaram conhecidas como bull’s eyes (do inglês, “olhos de touro”) e, apenas três anos depois, desenvolveram o primeiro leitor de código de barras. Com o tamanho de uma cadeira, o leitor precisava ser enrolado em um pano preto para evitar que a luz ambiente estragasse a brincadeira.

Em 26 de junho de 1974, o código de barras impresso em uma caixa de chicletes foi escaneado pela primeira vez em um supermercado da cadeia norte-americana Marsh’s em Troy, no estado de Ohio. A caixa pode ser vista até hoje, no Museu Nacional de História Americana de Washington. Desde então, como tudo relacionado ao universo tecnológico, as possibilidades se tornaram infinitas. E assim teve início a tecnologia de reconhecimento.

 

QR Code no supermercado: informação de fácil alcance

 

 

Roleta eletrônica: cinema com tecnologia

Curiosidades do universo QR Code

Conheça alguns dos usos curiosos da tecnologia de reconhecimento.

Por todos os lados. No Japão, o contato com o QR Code começa assim que o visitante põe os pés no país. O departamento de imigração utiliza o código criptografado para conceder vistos. Além disso, por lá o QR Code está presente em cartões de visita, embalagens de remédios e até em cemitérios. Isso mesmo. Uma fabricante de lápides usa a tecnologia para dar acesso a uma espécie de ficha do morto, com dados pessoais, fotos, epitáfio e até gostos musicais.

 

Passaporte japonês: QR Code na imigração

Música. Amante da inovação, o duo britânico Pet Shop Boys, investiu no QR Code ao produzir o videoclipe de sua música Integral, parte do álbum Concrete, lançado em 2006. Há nada menos que 2.408 QR Codes durante o clipe que redirecionam o espectador para vários sites relacionados à questão da privacidade no mundo contemporâneo. O vídeo foi premiado com um Leão de Ouro no festival de publicidade de Cannes em 2008.

 

Música com conteúdo e tecnologia: cenas do videoclipe de Integral do Pet Shop Boys

Cadê o carro? Sim, a tecnologia de reconhecimento também pode ser útil naquele momento em que o cliente do shopping center não lembra exatamente em que parte do estacionamento parou seu carro. E isso já funciona no Brasil, mais especificamente no Rio de Janeiro: o Shopping Leblon instalou QR Codes em cada pilastra do seu estacionamento, que indicam o setor e a área das vagas. Ao sair do carro, o cliente usa seu smartphone para ler o código mais próximo, que o direciona para uma página que aponta a localização do veículo.

A magia da luz solar. Ao perceber que as vendas caíam drasticamente durante o horário de almoço, a rede coreana de lojas Emart instalou QR Codes gigantes em frente às lojas. Feito com peças de acrílico em alto relevo, o código projetava sombras de acordo com o ângulo de incidência de luz solar. Os consumidores podiam fotografar a imagem com seus smartphones apenas na hora do almoço, pois a “mágica” funcionava por apenas uma hora, das 12h às 13h.

O código dava direito a um cupom de desconto de US$ 12 (aproximadamente R$ 23), para todos os produtos da loja online da rede. A estratégia deu certo: foram mais de 12 mil cupons emitidos e um aumento de 25% no volume de vendas durante o período do almoço.

 

Coreia: leitura solar do código para aumentar o movimento na hora do almoço

QR Codes no lugar certo. Em São Paulo, o metrô adotou o código 2D para disponibilizar acesso rápido à versão móvel do seu site. Cartazes com QR Codes foram afixados nas paredes de várias estações. Até aí, tudo bem. O problema é que, à exceção de raríssimos momentos, existe sinal fácil de internet no metrô?

E a sua óptica com isso?

Como tirar proveito da tecnologia de reconhecimento na sua estratégia de negócios?

No Brasil o uso dos QR codes vem crescendo em conjunto com os usuários de smartphones. Não há números oficiais sobre o total de aparelhos compatíveis com a tecnologia no país, mas empresas que desenvolvem soluções para QR code estimam que cerca de 40 milhões de smartphones tenham sido vendidos até o final de 2011. Com um público em crescimento, não é de hoje que empresas têm apostado nos códigos 2D para difundir seus produtos.

Parte da indústria óptica já está investindo na tecnologia de reconhecimento, com a aplicação de QR Codes em sua publicidade – além de anúncios nesta edição, na matéria sobre a entrega do prêmio Ótica do Ano concedido pela Transitions nas páginas 50 a 54, a VIEW relata que uma das ópticas vencedoras (a Imperial, de Pedro Leopoldo/MG) usou a estratégia do QR Code em uma de suas ações para promover a marca Transitions.

O fato é que, se bem usada, o QR Code pode ser uma ferramenta muito eficiente no marketing da sua óptica. Basta colocar a criatividade em prática. A VIEW levanta alguns pontos que valem a pena ser levados em conta ao estabelecer uma estratégia que inclua o QR Code em seus negócios.

Site não basta. Mais da metade dos QR Codes em publicidade contém links para o site da empresa que os criou. Errado não é, mas ponha-se no lugar do cliente, que vai ter o trabalho de pegar o telefone, abrir o aplicativo, escanear o código e às vezes ainda pagar pelo serviço de dados, por isso o conteúdo tem de “valer o esforço”. Se o QR code está em um anúncio, por exemplo, o consumidor já identificou a empresa e pode acessar o site mais tarde, em um dispositivo que ofereça mais conforto – por exemplo, em uma tela de computador ou em um tablet.

Preferência às redes sociais. Escanear um código que leve à sua página em redes sociais como Facebook ou Twitter poupa o “esforço” do cliente em procurar pela sua empresa nesses sites. O mesmo vale para cartões de visita: empresas norte-americanas e inglesas de design de camisetas oferecem a opção de os clientes estamparem seus próprios QR Codes para usarem, isto é, basta ler o código na roupa para acessar o perfil da pessoa ou da empresa que é dona.

 

Vestir para curtir: camisetas com QR Code que direcionam a perfis no Facebook

Curiosidade, alma do negócio. Despertar e aguçar a curiosidade é “música para os ouvidos” do QR Code. Veja o exemplo nos Estados Unidos: uma marca de refrigerantes distribuiu folhetos na porta de um supermercado contendo apenas a ilustração de um QR code. Lido, o código direcionava para um site com os dizeres: “chegar até aqui o deixou ansioso? Passe na próxima gôndola e pegue um refrigerante para acalmar”.

Informação é tudo. Que tal se os fabricantes de óculos e lentes criassem conteúdos adicionais acessáveis por meio de QR Codes com informações, dados e curiosidades sobre o design e a fabricação dos produtos? Sim, a produção disso cabe a seus fornecedores, mas vale estimulá-los e, quando esse conteúdo estiver pronto, é hora de você e sua equipe entrarem em cena para tirarem o melhor proveito desse serviço, que certamente gerará fidelidade à marca (por ter desenvolvido tal estratégia) e à sua óptica (por comercializar produtos de alto padrão, com conteúdo inovador e estimular o uso de tecnologias). Nos Estados Unidos, a marca de roupas Gap estampou nas vitrines das lojas QR Codes, cujos links remetiam a vídeos em que o designer chefe mostrava como a nova linha da marca havia sido criada. Além disso, todos os produtos da rede de eletrônicos Best Buy estão etiquetados com QR Codes, facilitando o acesso dos clientes às características dos produtos e dispensando, em parte das vezes, o auxílio de seus consultores de vendas.

 

Etiquetas com códigos: acesso rápido às informações dos produtos

Fácil de fazer. Há vários sites e aplicativos gratuitos que podem criar QR Codes personalizados rapidamente. Um dos mais interessantes é o Microsoft Tag, que gera códigos bem mais atraentes que os tradicionais e mais personalizáveis. É possível monitorar cada uma das tags criadas com um painel de controle que, apesar de simples, permite o acompanhar a frequência que o código é lido, tempo entre leituras e em que lugar ele foi escaneado. Para criar seu próprio código, basta entrar no site www.tag.microsoft.com.

 

Microsoft capricha na aparência dos códigos

Básico, mas importante. Acabou de criar seu QR Code? Teste-o agora mesmo. Sem cuidar disso, corre o risco de a sua imagem não levar a lugar nenhum, ou pior, levar a uma página que não tenha nada a ver com seu produto. A tecnologia 2D permite leitura até se o símbolo estiver sujo ou apagado, mas não há nada a fazer se o erro for cometido no momento da criação.

 

Assim fica mais fácil

A pronúncia correta de QR Code é KÍ-u-ÁR CÔ-de. Para ficar mais sonora, o “r” da sílaba “ÁR” deve ter aquela entonação acaipirada, semelhante ao à pronúncia do fonema em inglês.

 

Como começar?

Ainda não tem um leitor de QR Code em seu smartphone? A VIEW pesquisou e testou vários aplicativos e elegeu o Microsoft Tag, disponível gratuitamente tanto para iPhone quanto para aparelhos com sistema Android. Eficaz, lê facilmente os códigos do mais simples aos mais originais e conecta-os rapidamente aos links.

 

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