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Dicas & Estratégias Provar

Franquia é o negócio certo?

Em mais um artigo que celebra a parceria entre a VIEW e a renomada instituição educacional do varejo, o Provar, a professora Marcia Rocha propõe uma reflexão sobre a opção do empresário pela franquia.
Marcia Rocha Paty Chequetti

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Tenho um sonho que me acompanha há muito tempo: ter meu negócio próprio. Como gosto muito de cozinhar e, sinceramente, cozinho muito bem, recebo, com frequência, o incentivo de amigos e familiares para abrir um negócio no ramo de alimentação.

Minha ideia sempre foi abrir uma cafeteria. Pequena, charmosa e bem decorada. Sei até como seria a sua decoração: janelas amplas que permitissem a entrada generosa do sol no ambiente. Paredes em tons pastel, em um azul claro, quase cinza, e o rosa suave que não poderia faltar, transmitindo paz e tranquilidade. Mesas de madeira rústica com flores naturais, além de confortáveis e sofisticadas cadeiras brancas, em que os clientes pudessem desfrutar de agradáveis momentos, ao som de uma boa seleção musical. O cardápio – esse seria especial! -, uma experiência gastronômica diferente a cada dia da semana, que poderia ser finalizada com um café, cujos grãos, de origem, realçariam o sabor de tudo o que foi degustado até aquele momento.

O sonho do negócio próprio – Esse é meu sonho, mas até hoje não me senti preparada e com o perfil adequado para partir rumo a esse desafio. Acredito que muitas pessoas sonham em ter seu negócio próprio, mas têm o receio do desconhecido, dos riscos inerentes à abertura de uma nova empresa e, também, da criação de um novo produto ou serviço.

Diante disso, a franquia pode ser uma alternativa para o empreendedor na medida em que, nesse sistema, o franqueador cede ao franqueado o direito de uso de uma marca já consolidada no mercado para produção ou venda de produtos ou serviços, por um determinado período de tempo. A vantagem é que, ao optar pela franquia, o franqueado não terá de investir tempo e dinheiro no desenvolvimento de uma marca e produto novos, podendo contar com programas de treinamento e capacitação, suporte técnico, operacional e comercial oferecidos pelo franqueador, além da redução dos riscos do negócio.

Por outro lado, não há espaço para criatividade, inovação ou qualquer alteração na operação, mesmo que seja com o objetivo de aprimorar a qualidade da prestação de serviço aos consumidores finais. O franqueado, por exemplo, não possui autonomia para modificar o leiaute da loja, alterar a operação, os produtos ou a definição de preços, sempre padronizados pelo franqueador em nível nacional.

A opção pela franquia

Ao analisar a compra de uma franquia, o empresário precisa fazer uma autoavaliação para identificar se possui o perfil para se tornar um franqueado, já que as condições do sistema que, em princípio, são pontos positivos (como treinamento, manuais operacionais, supervisão e controle por parte do franqueador) podem se tornar problemas ao longo do tempo caso o estilo de administração não esteja adequado a esse tipo de negócio. Confira os aspectos que devem ser avaliados criteriosamente.

• Capacidade financeira para investir e reinvestir no negócio. Trata-se de um pré-requisito da franqueadora para análise de um futuro franqueado.
• Habilidade gerencial. Como gestor do seu próprio negócio, o franqueado é responsável pela gestão das pessoas, o controle administrativo e financeiro, o planejamento, as compras e as vendas. E, basicamente, deve desempenhar a função de controlador geral de todas as atividades administrativas e financeiras da unidade.
• Comprometimento pessoal com o negócio. O franqueado tem de estar à frente da operação com dedicação integral, inclusive com disposição para trabalhar aos finais de semana e após o expediente, sempre que necessário.
• Capacidade empreendedora é fundamental. Acreditar em si mesmo, ser otimista, ter iniciativa e tenacidade para estar continuamente prospectando novas oportunidades para o crescimento do resultado do negócio.
• Identidade com o ramo e com a marca, ou seja, trabalhar com o que se gosta, acreditando na marca e no produto escolhidos, fato esse que, certamente, aumentará a percepção de valor dos consumidores em relação aos produtos e aos serviços oferecidos pela franquia. Ou seja, não faz sentido abrir uma petshop, por exemplo, quando não se gosta de animais de estimação, pois, provavelmente não alcançará a satisfação pessoal e profissional tão almejada, o que será facilmente percebido pelos clientes.
• Capacidade de seguir regras. O franqueado deve prestar o serviço de acordo com regras predefinidas, observando padrões, normas, processos e políticas da rede, mantendo a identidade da marca, imagem, produto e serviços.

Perfil adequado – A franquia pode atender as expectativas de alguns franqueados e de outros não. Alguns prosperam e contribuem muito mais para o sucesso da empresa que outros. Porém, é fundamental para esse sucesso que o empreendedor que deseja se tornar um franqueado tenha o conhecimento do seu perfil e de suas características pessoais e habilidades, de forma que o conhecimento e a tecnologia transmitidos pelo franqueador potencializem ainda mais suas qualidades.

Voltando à minha história, entendo que o sonho do negócio próprio envolve empreender, arriscar a carreira profissional e, em alguns casos, comprometer o patrimônio e as economias de uma vida toda. O simples fato de ter uma boa ideia não deve ser motivo suficiente para uma pessoa decidir abrir um negócio. Tampouco estar desempregado, desejar ser seu próprio chefe, ter liberdade de horário ou achar que irá trabalhar menos com a possibilidade de ficar rico. Mais que uma grande ideia, é preciso ter o perfil adequado, muita vontade e motivação autênticas para empreender.

Mestre em Administração de empresas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a professora Marcia Rocha atualmente é coordenadora de cursos de MBA do Programa de Varejo (Provar) e do Laboratório de Finanças (Labfin) da Fundação Instituto de Administração (Fia) como MBA de Franquias; MBA de Gestão de negócios e, também, MBA de Gestão de negócios e marketing.

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