tamanho da letra : imprimir

Dicas & Estratégias Provar

A importância da prevenção de perdas no varejo

Negócios rentáveis e duradouros são aqueles que levam em conta a prevenção de perdas no varejo, explica a professora Ana Caroline Nonato neste artigo que mais uma vez celebra a bem- sucedida entre a VIEW e o Provar, a renomada instituição de varejo.
Ana Caroline Fernandes Nonato

Enviar por email

Compartilhar

O varejo brasileiro tem passado por diversas transformações desde a abertura do país às importações e da estabilização da economia na década de 90. Esses fatores proporcionaram a maior entrada de produtos e empresas no país, resultando em maior competitividade e ampliação do número de opções de produtos e lojas à escolha dos consumidores. Como consequência, notou-se o crescimento da preocupação com o serviço oferecido, bem como com o preço dos produtos vendidos, uma vez que o varejista que apresentar a melhor proposta de valor para seu público-alvo, ou seja, a melhor relação custo versus benefício na perspectiva do cliente, terá certamente sua preferência no momento da compra.

Tipos de perdas – Com as margens cada vez menores e a necessidade de oferecer preços competitivos, grande parte dos varejistas utiliza a redução de custos como alternativa para a solução de manter seus níveis de lucratividade dentro do esperado. Embora essa escolha obtenha resultados em curto prazo, existem alternativas que asseguram a lucratividade de maneira sustentável e de forma significativa e duradoura: a prevenção de perdas. Quando se fala em perdas, é importante ressaltar os diferentes tipos existentes: perdas de estoque, financeiras, administrativas, comerciais e de produtividade.

A perda de estoque é aquela resultante da diferença entre os estoques contábil e físico apurada na ocasião do inventário de mercadorias. As principais causas são furto interno (executado por colaboradores ou funcionários da empresa); furto externo (realizado por clientes); quebras operacionais (avarias causadas pelo mau acondicionamento ou má manipulação de mercadorias, bem como prazo de validade expirado); erros administrativos (falhas nos processos que causam distorções no estoque contábil) e fraude de terceiros (cometida por transportadoras, fornecedores no processo de distribuição e entrega de mercadorias).

As perdas financeiras são ocasionadas por problemas nas operações financeiras, causados pela má gestão do dinheiro ou em função de pagamentos e concessão de crédito aos clientes. As principais causas são assaltos, inadimplência de crédito, fraudes com cartões de crédito e cheques, pagamentos de juros indevidos, pagamentos em duplicidade e fraudes em operações financeiras.

As perdas administrativas têm como principais causas o desperdício, seja de água, energia, suprimentos, telefone, manutenções por mau uso, etc.
Já as perdas comerciais são causadas principalmente por ruptura, prazos de entrega não cumpridos, distribuição e embalagens inadequadas das mercadorias.

Por último, vêm as perdas de produtividade, que são ocasionadas principalmente pela burocracia nos processos e nas atividades da empresa, que resultam em demora no atendimento tanto do cliente externo quanto do interno e também pela execução dos trabalhos em tempo superior ao esperado e o retrabalho resultante de um processo mal executado.

Na ponta do lápis – No Brasil, a média geral das perdas do varejo é de 1,77% sobre o faturamento – na área supermercadista, esse percentual sobe para 2,33% em virtude, principalmente, dos alimentos perecíveis. Isso significa que a cada R$ 1 milhão de faturamento de uma empresa no país, R$ 17.000 (ou R$ 23.300, no caso dos supermercados) são jogados no lixo em função de perdas que poderiam ser evitadas ou mesmo minimizadas.

Esses valores não consideram outro problema latente no varejo: as rupturas. Pensando especificamente nesse tipo de perda, há estudos que mostram, normalmente, que um varejo possui níveis de ruptura em torno de 8%, ou seja, a cada 100 produtos que a loja possui, oito estão em falta. Isso pode causar prejuízos ao varejista em decorrência da venda não realizada, da diminuição do valor do tíquete médio por conta de troca do produto procurado por outro similar (geralmente mais barato) e, caso a situação permaneça, o risco de o cliente não retornar mais à loja.

Por esses e outros motivos, nota-se o quanto é importante tratar as perdas com mais atenção. Cada segmento possui diferentes percentuais em relação aos tipos de perda mencionados, porém, boa parte pode ser facilmente evitada por meio de treinamentos, processos bem elaborados, indicadores, investimentos em tecnologia e boas práticas.

Cabe ao varejista conhecer melhor e tratar com mais atenção as perdas existentes em seu negócio, criando uma área específica que acompanhe de perto os possíveis riscos e consiga trabalhar de maneira focada em sua redução. Para isso, é essencial o envolvimento de todos na empresa e, principalmente, que a consciência da prevenção de perdas permeie todas as áreas do negócio, seja comercial, segurança, financeira ou operacional. Isso é cada vez mais essencial para a garantia de um negócio rentável e duradouro. Basta apenas dar o primeiro passo.

 

A professora Ana Caroline Fernandes Nonato é coordenadora do Grupo de prevenção de perdas (GPP) do Instituto brasileiro de executivos de varejo e mercado de consumo (Ibevar) e consultora da Felisoni Associados.

 

Enviar por email

Compartilhar

Últimas edições