tamanho da letra : imprimir

Uma feira cheia de energia

Depois de fazer as pazes com sucesso em 2012, a Expo Abióptica seguiu sua trajetória de ascensão, celebrando a edição de número 11, realizada de 24 a 27 abril no Expo Center Norte, Vila Guilherme, zona norte de São Paulo, com aumento de público e negócios aquecidos. Entre os expositores, satisfação generalizada - vários deles entrevistados pela VIEW apontaram essa edição da Expo Abióptica como a melhor de todos os tempos.
Andrea Tavares, Cíntia Marcucci e Sabrina Duran Becaclick

Enviar por email

Compartilhar

Público total de 28.343 profissionais, negócios estimados em R$ 630 milhões, 90 empresas expositoras, número de visitantes estrangeiros multiplicado por três em relação a 2012 e uma infinita quantidade de sorrisos nos rostos dos membros do mercado óptico nacional que ajudaram a escrever a história de mais uma feira do setor, a mais importante da América Latina e uma das mais importantes do mundo, promovida pela Associação brasileira da indústria óptica (Abióptica). “Mesmo os mais conservadores e pragmáticos estavam contentes. Finalmente a expo se consolidou como uma feira de negócios”, define o presidente da Abióptica, Bento Alcoforado.

Tendências – No ano passado, a Expo Abióptica refletiu o movimento positivo das feiras internacionais, que após três anos de “vacas magras” por conta da crise econômica, de novas políticas comerciais das grandes corporações para o varejo óptico e da mudança de calendário, resgataram sua importância e dignidade. Assim, depois do sucesso da italiana Mido e da novaiorquina Vision Expo em 2012, a feira brasileira seguiu a tendência. Foi praticamente um recomeço depois de várias mudanças (como a alteração do mês de realização de julho para abril em 2009, a mudança do local do Transamérica Expocenter, na zona sul, para o outro extremo da cidade, o Expo Center Norte em 2011).

4047

Bons frutos – Diante de um cenário consolidado, foi a hora de começar a colher os bons frutos. O Expo Center Norte pode não ser o local favorito de muitos expositores e visitantes por conta de uma infraestrutura inferior a seu concorrente do outro lado da cidade, mas mostrou ser o mais adequado em termos de captação de público em função da facilidade maior de transporte. Além disso, as dimensões da feira, em um espaço um pouco menor, permitem que o visitante “dê conta” do evento mais fácil e confortavelmente, gerando satisfação e vontade de voltar no ano seguinte. Esse “formato redondinho” tornou-se mais um atrativo, elogiado por boa parte do público.

Outro aspecto a se levar em conta é a solidez do cardápio de expositores, que, desde o ano retrasado, começaram a assinaram sua volta ao evento e, no ano passado obteve o reforço do retorno de grandes expositores como Hoya, Luxottica, Safilo e Wilvale De Rigo.

Por tudo isso, as feiras de negócios voltaram a ser interessantes para os lojistas brasileiros. E a Expo Abióptica, mais madura, e sintonizada com um mercado cuja profissionalização tem caminhado a largos passos (nem sempre por desejo próprio, mas por necessidade em função do interesse de grandes grupos internacionais, que passaram a colocar o país como prioritário em suas estratégias) faz parte desse momento. Sem falar no clima global de otimismo em relação à economia brasileira (mesmo que se saiba que, por dentro, a situação não é exatamente assim), que acaba gerando, entre muitos lojistas, uma atmosfera mais propensa à compra.

Fruto desse momento favorável, os expositores prepararam muitos lançamentos para o evento, promoveram atrações especiais em seus stands, realizaram eventos e receberam muitas celebridades para fazer da Expo Abióptica 2013 uma experiência e tanto. Tudo isso e muito mais você confere nesta e nas 36 próximas páginas, em um relato para lá de completo do mais importante evento de óptica da América Latina.

Renovação em 2014 – Mas o ano que vem será, novamente, momento de promover mudanças. E são dois os motivos. O primeiro deles é o tradicional redesenho dos espaços, que ocorre tradicionalmente a cada três anos, e o segundo, talvez um pouco mais crítico, é a antecipação da realização da feira em três semanas, por conta da Copa do Mundo, com abertura marcada para 12 de junho. Com isso, o final de abril dá lugar aos primeiros dias do mês, mais precisamente de 2 a 5 de abril. “Para o ano que vem, o objetivo é aprimorar os serviços a expositores e visitantes”, conclui Alcoforado.

4043

Tabelas

Expo Abióptica 2013: público

O total de visitantes se refere às entradas individuais na feira, sem levar em conta os retornos (afinal, há quem visite o evento todos os dias e outros passam pelo pavilhão apenas um dia). Já o total de visitação é a soma de todos os registros nos leitores eletrônicos da Expo Abióptica 2013.

Top 10 dos estados

Centro financeiro do país e sede do evento, São Paulo tem o domínio mais que absoluto quando se analisa o total de visitação por estados. Com a presença de 8.607 profissionais, suplanta em mais de dez vezes o segundo colocado (Rio de Janeiro). Mas vale mencionar que todas as unidades da federação mandam representantes para o evento – este ano, o estado com menor número de visitantes foi o Acre, com dez profissionais.

O domínio paulista em detalhes

Retrato do seu crescimento nos últimos anos, o interior de São Paulo ano após ano foi aumentando sua participação na feira quando comparado à capital e à Grande São Paulo. Este ano, pela primeira vez, floresceu com mais da metade dos participantes do estado no evento. A Grande São Paulo, por sua vez, caiu dez pontos percentuais. Em termos de varejo óptico, isso significa ainda mais prosperidade para as lojas da região, que já desfrutam de uma reputação e tanto.

Presença gringa

O crescimento da presença estrangeira prova que o Brasil, definitivamente, é a bola da vez no cenário da óptica mundial. Se em 2011, 16 países mandaram representantes, este ano o total de países que participaram da feira foi de 22. Sem falar que o total de profissionais praticamente triplicou: 104 em 2012 e 301 em 2013.

Comparando-se os países presentes este ano em relação ao ano anterior, apenas dois deles não assinalaram presença: Costa Rica e Espanha.

As opiniões de quem faz a feira

“Sinto que os clientes voltaram a valorizar a feira, que está muito bem organizada. O formato está bem distribuído e compacto, gostei muito e devemos participar no ano que vem. As vendas foram boas e os contatos foram ótimos. Deve ter sido uma das melhores feiras da Arkótica até hoje.”

Roberto Katz (Arkótica)

“Foi a volta da Evoke para a Abióptica após quatro anos de ausência. Sentimos muita falta porque a empresa cresceu com a feira na época da Moraru, a empresa do meu pai. A gente veio com a proposta de fazer negócios, mostrando nossas forças. O stand ficou um pouco mais fechado para poder atender os clientes com tranquilidade e entender as necessidades de cada um. Mas, obviamente, o objetivo era vender e os resultados foram surpreendentes: a meta, mesmo agressiva, foi batida no terceiro dia. Estamos muito felizes e a Evoke participará de todas as edições daqui para frente. Se possível, para 2014, já duplicando o tamanho do stand.”

Demian Moraru (Brazilian Lab)


“O objetivo da Essilor na feira é apresentar as novas tecnologias das lentes oftálmicas e os equipamentos da Essilor Solutions aos ópticos que desejam melhorar a performance de suas lojas, atendendo os consumidores de forma cada vez mais profissional. Sem falar na Essilor Academy, espaço de treinamento que ofereceu nove sessões por dia e atingiu cerca de 550 profissionais.”

Charles-Eric Poussin (Essilor)

“Como em todas as feiras das quais a Fenícia participa, o objetivo não é apenas alcançar bons resultados financeiros, mas potencializar as qualidades da empresa em relação à concorrência e o relacionamento com clientes, parceiros e amigos. O retorno financeiro é consequência desse trabalho. A feira foi excelente, as metas de vendas foram atingidas, mas o objetivo é sempre superar as expectativas. Observei nesta edição da feira a forma como as grandes movimentações de mercado que estão ocorrendo e ainda irão ocorrer nos próximos anos estão influenciando o comportamento e a decisão de compra dos lojistas: a maioria quer opções que mantenham a saúde financeira de seus negócios e, consequentemente, a valorização de seu patrimônio.”

Celso Ideriha (Fenícia)

“A expectativa era superar o sucesso da feira passada e a Hoya conseguiu alcançar esse objetivo com muito êxito. Fizemos lançamentos importantes que tornaram a linha de produtos muito mais completa e atrativa.”

Carlos Lima (Hoya Brasil)

“As expectativas da Johnson & Johnson na Abióptica eram continuar estreitando o relacionamento com os clientes, dar continuidade ao lançamento de produto e aproveitar o momento para impulsionar as vendas de abril. Todas foram atendidas.”

Caio Vicentini (Johnson & Johnson)

“Mundialmente, a Luxottica adota a estratégia clara de não participar de feiras, mas no Brasil, em especial por conta da aquisição da Tecnol, acreditamos que a participação é importante a fim de reaproximar a empresa dos clientes e apresentar os conceitos de cada marca. A feira foi ótima, com os negócios batendo os resultados do ano anterior já no segundo dia. Defendo que a feira comece mais cedo, por volta de 10h, 11h da manhã, pois, assim, à tarde já estaria aquecida e não demoraria tanto para ‘engrenar’.”

Francesco Santachiara (Luxottica)

“Imagina fechar o segundo dia com um volume de vendas 34% maior do que o total do ano anterior? Foi isso que aconteceu com a Marchon, a feira foi espetacular. Mudamos nosso foco de concentrar as ações da feira em apenas uma grife e estamos investindo no nome Marchon, o que foi acertado, já que a empresa é uma das poucas grandes que não compete diretamente com o óptico, pois não atua no varejo. Estou muito satisfeito.”

Marcelo Pacheco (Marchon)

“Essa edição da Expo Abióptica começou espetacular. Já no primeiro dia, a Marcolin obteve um ótimo volume de negócios e no final do segundo dia já havia batido o total de vendas de 2012. Para deixar a feira ainda melhor, acho que é preciso aumentar o serviço de vans e transporte de ida e volta para a feira.”

Eduardo Corrocher (Marcolin)

“A expectativa de crescimento nas vendas era em torno de 30% em relação à edição do ano passado. Além disso, esperávamos receber as primeiras impressões dos clientes sobre a nova marca Coca-Cola, cuja coleção será lançada no segundo semestre. Superamos as expectativas de vendas e captamos um número expressivo de novos clientes, sobretudo do sudeste. A elevada visita de clientes do nordeste foi o nosso grande presente, pois é a região onde temos maior capilaridade e histórico. Clientes e parceiros se mostraram muito entusiasmados com a nova marca, já reservando espaço no mix de produtos para a coleção. A feira demonstrou a maturidade dos lojistas, que entenderam que é, de fato, a hora para fazer negócios e aproveitar as oportunidades.”

Lais Sousa (Master Glasses)

“A feira é sempre um momento especial para a Mormaii, de muita energia. Usamos o evento de maneira institucional, para fortalecer a marca. O primeiro trimestre foi um pouco difícil, pois o final do ano passado não foi tão bom em vendas, então senti que muitos clientes esperaram para comprar na Expo Abióptica. E a Mormaii teve, de fato, um aumento de volume do pedido por cliente. Quanto às melhorias, acho que o mais crítico é o serviço de alimentação para os visitantes, que tem poucas opções e é muito caro.”

Juarez Rezena (Mormaii)

“A Multfoco participou todos os anos da feira, desde 1995. A expectativa é sempre muito boa porque colaboramos para que o evento dê certo. Tenho a sensação (tanto minha quanto da equipe) que esta foi a melhor feira da qual a Multfoco participou até hoje. Primeiro, pela qualidade de venda: o cliente está mais assertivo e buscando muito o relacionamento, não apenas preço e produto. Fomos muito bem de vendas e relacionamento.”

Marcelo Abrikian (Multfoco)

“A Absurda teve um stand maior este ano para acompanhar seu crescimento, mas a meta continua sendo divulgar o conceito de uma marca jovem, divertida e original, que chegou à sua maturidade e tem enfrentado problemas com a pirataria. Por isso, mostrar ao óptico quem somos é muito valioso e a Expo Abióptica é o momento para isso.”

Thiago Grava (Optical Designs)

“As expectativas para a OptiClass na Expo Abióptica 2013 eram muito grandes em relação ao ano passado, pois seria a consolidação da visibilidade da empresa perante o mercado e uma cobertura mais abrangente com uma equipe mais bem preparada para atender todas as regiões do país. O saldo foi muito positivo: fortalecemos ainda mais o relacionamento com os clientes, conquistamos novos parceiros com fechamento de novos negócios e iniciamos relacionamentos com clientes potenciais. A feira estava muito agradável, com uma estrutura mais organizada, retratando a evolução de todo o setor.”

Cristina Hirata (OptiClass)

“Este ano, o objetivo é de abrir 250 lojas. Na feira, o foco era total pela expansão, com o objetivo de pelo menos 30 lojas vendidas ou captadas ao longo do evento. Só que, já no terceiro dia, haviam sido fechadas 42 lojas. É fácil explicar isso: o mercado vive uma insegurança em relação às monomarcas. Os empresários se sentem isolados e sozinhos em relação às corporações internacionais que chegam ao Brasil com muita força. Importantes redes médias do interior do país têm buscado a Óticas Carol para saber como funciona o processo de virada de bandeira. Na feira, os lojistas que vinham tirar dúvidas viam que seus concorrentes também estavam aqui para se tornar franquias e preferiam fechar logo a reserva para assegurar a exclusividade em sua praça. Ficamos muito felizes com a feira.”

Tom Lyra (Óticas Carol)

“A expectativa da Shamir era atrair o dobro de público em relação ao ano passado e o fluxo de visitantes foi quatro vezes maior! Houve uma boa procura de ópticas de fora do estado de São Paulo e de um grande número de laboratórios de todo o país interessados nos blocos semiacabados e nos desenhos free form. Notei que, nesta edição, os visitantes estavam muito mais interessados em conhecer melhor as diferenças entre as tecnologias de lentes free form e digital da Shamir. Acredito que esse é um bom indicador para o aumento da participação de lentes free form no mercado brasileiro.”

Fabrício Matsumura (Shamir)

“Sinto que a feira está definitivamente no cronograma de negócios de nossos clientes. Por isso, estar aqui é fundamental. Aparentemente, foi muito positivo: tivemos uma maior oferta de produtos, mais equipe do que no ano passado e acho que foi um bom investimento. Este ano, algumas pessoas reclamaram do excesso de exigências no credenciamento, mas, por conta de ocorrências de furto, é necessário e natural.”

César Tavano (Stepper Brasil)


“Eu me surpreendi nesta edição da Expo Abióptica. A quinta-feira, por exemplo, foi histórica: nunca se vendeu tanto em uma quinta-feira como neste ano. O balanço final não tem como ser negativo. Dentre as melhorias, acho que o estacionamento poderia ser um pouco mais barato. Sei que isso é uma característica da cidade, mas esse custo atrapalha um pouco para alguns visitantes.”

Silvio Cornaviera (Suntech Supplies)

“Como todos os anos, a Transitions faz questão de participar da Expo Abióptica para posicionar cada vez mais o produto e ter a oportunidade de interação com clientes e profissionais do mercado. Considerando que a empresa não vende o produto, mas o incentivo de venda, é uma oportunidade muito boa poder estar com os profissionais que estão realmente no ponto de venda trabalhando o produto Transitions. Nesse sentido, a Expo Abióptica 2013 cumpriu as expectativas, até pelo movimento do stand. Conversando com outros expositores, senti que todo mundo estava muito feliz com o número de visitantes.”

Vanessa Johns (Transitions)

“Essa foi a primeira participação da Younger na feira desde que a empresa iniciou suas operações no Brasil, em outubro. A meta era participar para marcar a entrada da empresa no mercado de forma mais física, para que vissem nossos produtos, nossos pilares. Fizemos vários contatos, conhecemos muita gente e aqueles que já eram clientes também nos visitaram. Os resultados de visitação surpreenderam, foram maiores que o esperado. Trouxemos toda a operação para o stand, com coleta de pedidos e telefonia. Fechamos muitos pedidos na feira. Estamos todos muito felizes.”

Marcos Pohlmann (Younger Optics)

“Para o óptico, a feira é o melhor momento do ano para repor estoques, é uma data boa e, este ano, acredito que não haverá problemas de entrega como já houve, por conta de importação e burocracias da Receita Federal. E depois desses anos da feira em abril, o calendário e o ciclo de compras já entraram nos eixos. A Wilvale De Rigo teve um volume de negócios incrível. Acho que a parte de serviços do pavilhão poderia melhorar, como o estacionamento, a alimentação, o sistema de coifas e ar condicionado. No nosso stand, por exemplo, havia uma saída de ar da lanchonete que trazia muito cheiro de fritura.”

Fábio Monzillo (Wilvale De Rigo)

Mais

Os pontos altos da Expo Abióptica
O show das celebridades
Os eventos da semana: Essilor, Transitions e Safilo
VIEW Stars: quem passou pelas nossa lentes

Enviar por email

Compartilhar

Últimas edições