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Jogo Rápido

Perda tripla para o setor

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Em princípio, a ideia desta matéria era apresentar uma pequena biografia de cada um desses três profissionais, relatando trajetórias e conquistas. Mas, ao entrevistar as pessoas próximas a Adélio Mota, Guilherme Delgado e Humberto Gomes, a repórter Sabrina Duran percebeu que o denominador comum na fala delas ia além das relações de trabalho. Embora o legado profissional desses três homens de talento seja inegável, o que mais marcou aqueles que melhor os conheceram foi a capacidade de entrega às pessoas que amavam, além da generosidade e da transparência.

E essa conquista no campo pessoal, entre familiares e amigos, só faz confirmar sua vitória profissional, como atesta um pensador que certa vez sugeriu: “quer saber quem foi grande na vida? Não busque seus diplomas ou troféus, mas os amigos, os amores que construiu”. Nisso, Adélio, Guilherme e Humberto foram grandes.

Adélio Mota

“A carreira do meu pai tinha quase a idade de Brasília”, brinca Bruno Faria da Mota, 28 anos, ao comentar a longeva vida profissional do pai no ramo óptico. Aos 52 anos, Adélio Mota já tinha 31 anos de mercado. Começou cedo, trabalhando como office boy, auxiliar de estoque, balconista e gerente na América Óptica, em Brasília. “Quando a empresa ia fechar, meu pai decidiu montar o próprio negócio. Chamava-se Rage, nome formado pela inicial do nome dos quatro sócios”, conta Bruno.

Com a saída gradual dos sócios, o empresário mineiro nascido em Paracatu comprou as demais partes e trouxe à luz o laboratório óptico Comprol. Ao lado de Hilda, sua esposa, Adélio Mota fez a empresa crescer e virar referência em qualidade na capital federal. Em 2002, a Comprol foi a primeira a conquistar a categoria Diamante, o título máximo na classificação do Transitions Lab Network, o programa de fidelidade para os laboratórios brasileiros. “Nessa época eu ainda não trabalhava na empresa, mas, posso dizer, como filho, que foi uma grande conquista para o meu pai. Ele chegou em casa muito feliz, contando para todo mundo”, diz Bruno.

Até janeiro de 2012, Bruno tocava a própria empresa no ramo de informática. Em fevereiro daquele ano, contudo, assumiu a diretoria da Comprol ao lado do pai, que, em meados de maio, teve de se ausentar para tratar um tumor cerebral. “Nesses três meses que trabalhei ao lado dele, aprendi coisas para a vida toda, que nenhuma universidade ensina. Meu pai era uma pessoa muito leal, alegre, transparente e amiga. Ficaram o exemplo do seu carisma com os clientes, sempre preocupado em resolver tudo da melhor forma e o mais rápido possível”.

Bruno ressalta a relação próxima e cordial do pai com a equipe da Comprol, que emprega hoje cerca de 80 pessoas. “Para muitos desses funcionários, meu pai foi também um pai. Pagou faculdade para alguns, fez a planta da casa de um deles. No velório, fiquei impressionado com a quantidade de pessoas que foram homenageá-lo”.

Homem perseverante e dado aos desafios, Adélio Mota precisou ir contra a vontade do pai na juventude, quando esse insistia para que prestasse concurso e se tornasse funcionário público, algo que é quase uma sina em Brasília. “Ele queria abrir seu próprio negócio e conquistou o espaço dele enfrentando outros caminhos”, diz o filho mais novo de Adélio.

Em uma carta de despedida ao pai, o filho mais velho, Alexandre, de 31 anos, relata o desafio mais difícil enfrentado por Adélio nos últimos anos: “jamais reclamou das dificuldades e vicissitudes da vida. Levantava a cabeça e tentava superá-las da melhor forma possível. Foi assim com a maior adversidade que teve em terra. Recebeu o diagnóstico de sua doença em 2006, lembro como se fosse hoje suas primeiras palavras: ‘doutor, então me opera logo porque tenho muita coisa para viver ainda’. Jamais se entregou, jamais temeu. E foi assim na sua primeira, segunda, terceira e quarta cirurgias. Lutou bravamente, sempre com muita fé em Deus. Sua vontade de viver, de ficar ao lado dos filhos era maior do que qualquer outra coisa. Mesmo nos seus piores momentos, nos momentos de maior fraqueza, perguntava para ele: ‘pai, está tudo bem?’ Ele olhava nos olhos e respondia com um sorriso: ‘está tudo ótimo, meu filho’”.

Tudo o que esteve ao seu alcance, Adélio Mota conquistou. Faltou-lhe tempo apenas para ampliar o laboratório, um sonho que tinha, e que Bruno, ao lado da mãe, levará adiante inspirado na perseverança do pai.

 

Orlando, 2002: Hilda e Adélio celebram a conquista da Comprol como o primeiro laboratório a alcançar a categoria Diamante no Transitions LabNetwork Brasil

 

© Andrea Tavares

 

Guilherme Delgado

Aos 16 anos, o carioca Guilherme Delgado já trabalhava. Era ajudante em uma filial do Banco do Nordeste, empresa da qual um tio seu era presidente. Fazia pequenos serviços internos e externos e, quando saiu de lá, passou um tempo sem trabalhar. Se precisava de um dinheiro extra, fazia bico de taxista, pegando emprestado o táxi do pai. No início da década de 90, decidiu cursar a faculdade de Economia.

Simultaneamente, começou a trabalhar na multinacional Coca-Cola como estagiário no setor de contabilidade. Passou ao setor de Recursos Humanos e, depois, ao de Marketing. Nesse último, foi trainee e, posteriormente, promovido ao cargo de representante de marketing. Permaneceu dez anos na empresa, completados em 1999. Em janeiro seguinte, ingressou na Essilor como gerente distrital, cargo no qual permaneceu também por uma década. Em 2010, foi promovido a gerente regional. Homem de relações longevas, estava prestes a completar 13 anos na empresa.

Sua relação mais duradoura, contudo, foi com a esposa, Silvia Goes, com quem passou 25 anos. Eram vizinhos de quarteirão e foram apresentados por um amigo em comum. Não se separaram mais. Guilherme foi o primeiro namorado de Silvia e, com ela, teve dois filhos: Rodrigo, de 12 anos, e Gabriela, de 9 anos. Quando define o marido, Silvia diz que ele era feliz, sempre. “Tudo para ele era fácil. Era protetor, cuidava muito da família. Era apaixonado por tudo que fazia, um profissional dedicado, um pai e um marido dedicado”, conta Silvia, gerente de marketing da óptica Lunetterie, no Rio de Janeiro.

A alegria e a disposição para a felicidade de Guilherme eram privilégio da família e também de seus colegas, funcionários e amigos. Na rede social Facebook, mesmo antes de sua morte, os depoimentos e as mensagens deixados em sua página não raro faziam referência à sua positividade, seu companheirismo e sua generosidade. “Tanto no velório quanto na missa, Guilherme recebeu muitas homenagens, que só confirmaram aquilo que eu já sabia: ele era uma pessoa muito amada e que amava muito tudo o que conquistou: a família, os amigos, o trabalho. Não as coisas materiais, mas, sobretudo, a simplicidade”, comenta Silvia. Embora fosse esportista e não tivesse qualquer problema de saúde, Guilherme Delgado morreu em consequência de um infarto que teve enquanto surfava nas ondas de Ipanema.

Em uma mensagem escrita em sua página no Facebook em 12 de maio de 2012, Guilherme, sem saber, reiterava e cristalizava em palavras aquilo que despertaria tanta admiração e boas lembranças mais adiante e que o definiria como um homem de amores genuínos: “fim de semana em Saquarema depois de quase dois meses. ‘Sabadão’ de sol, calor e praia perfeita pegando ‘jacaré’ com os filhotes, surfe relax, vôlei e juntinho da família. Para ser feliz, basta valorizar tudo o que temos e que construímos. Querer sempre mais é natural, mas não pode ser um dique para a felicidade e nem obsessão de vida. Aprendi muito sobre isso nos meus ‘alguns anos’ de vida e posso afirmar que ser feliz é ser simples e ser sempre você mesmo. Parece fácil e é! Pelo menos para mim”.

 

Abril, 2012: Guilherme durante evento da Essilor na capital francesa

 

© Acervo pessoal

 

Humberto Gomes

A evolução do mercado óptico brasileiro no século passado teve uma grande contribuição de Humberto Gomes, um dos mais importantes ópticos que o país já teve. Mineiro de Barbacena, Humberto nasceu em 1926 e, aos 16 anos, já vivendo no Rio de Janeiro, foi trabalhar no laboratório da Bausch & Lomb, época em que a corporação norte-americana mantinha fábrica no Brasil.

Foi nessa época que conheceu o óptico e professor Ney Dias, de quem se tornou colega e amigo. “Humberto Gomes foi um grande colega. Juntos, ministramos muitas aulas no tempo em que os exames para óptico prático eram coordenados pelo Serviço Nacional de Fiscalização da Medicina e Farmácia e em que a comissão examinadora era composta de um médico oculista, um médico especializado em oftalmologia e um óptico prático”, relembra.

Durante 20 anos, entre 1945 e 1965, Humberto e Ney davam aulas na Bausch & Lomb. Preparavam e formavam profissionais de diversas partes do país, inclusive pessoas vindas do exterior. Enquanto duraram os exames, Ney Dias afirma que nenhum aluno que tenha passado pela sala de aula de ambos foi reprovado.

Humberto formou-se em matemática e física e seu talento permitiu que crescesse na empresa até se tornar diretor comercial, encarregado das vendas nacionais da Bausch & Lomb. “Ele alcançou o posto de diretor de vendas – quase presidente, e dirigia também as sete filiais espalhadas pelo país da então maior empresa de óptica do mundo no Brasil”, ressalta o colega, que completa: “homem muito honesto, culto e inteligente, tudo o que fez na vida foi sob uma grande capacidade administrativa e grande competência. Eu o considerava uma sumidade”.

Quando a Bausch & Lomb fechou suas portas no país, no começo da década de 80, Humberto dedicou-se ao varejo. Em 1982, fundou, no bairro carioca de Ipanema, uma óptica com seu nome. Administrou-a ao lado da mulher, Luzia, até 2012, ano em que vendeu o negócio. Humberto Dias morreu por falência múltipla dos órgãos e foi enterrado no Cemitério do Caju. Deixou esposa, três filhos, uma filha, netos e o legado memorável de ter sido um dos melhores ópticos do país e formador de outros tantos profissionais.

 

1942: Humberto Gomes (o quarto da esquerda para a direita) aos 16 anos no laboratório da Bausch & Lomb, no Rio de Janeiro. Seu colega e amigo Ney Dias, outra figura célebre no mercado, desde então é o segundo da esquerda para a direita

 

© Acervo pessoal

 

Verão com conscientização

Pelo oitavo ano consecutivo, o Sindióptica-RS realizou durante as férias de verão mais uma edição de sua campanha nas praias no litoral norte gaúcho para conscientizar os banhistas sobre a importância de proteger os olhos contra os raios ultravioleta e comprar óculos de procedência garantida, fugindo das ofertas do comércio informal. Este ano, o slogan da iniciativa foi Faça a coisa certa: no sol, use óculos.

Equipes de promotores circularam pela areia distribuindo material informativo e alertando os frequentadores das praias a partir de espaços do Sesc existentes na orla. O presidente da entidade, André Roncatto, também concedeu entrevistas à imprensa local para divulgar a ação, que contou com o apoio do Ministério público estadual, da secretaria estadual de Saúde e do Sesc.

 

Registro: a equipe do Sindióptica-RS reunida para mais um dia de conscientização nas praias gaúchas

Alerta: promotores alertam os banhistas sobre a importância de cuidar bem da visão

Divulgação: o presidente do Sindióptica, André Roncatto, concede entrevista a uma das rádios locais

 

© Divulgação

 

Felicitações

A VIEW registra os votos recebidos pelas festas de fim de ano: Abióptica, Allergan, Arkótica, Augen, Brazilian Lab, Ceto, CMsatisloh, Eric Gozlan Lunettes, Espectro, Flu Look, Giornate Comunicação, Ímpari, Johnson & Johnson, MG Marketing, MktMix, Mykita, Ótica De Conto, Ótica Francana, Óticas Diniz, Promosalons, PSA Nilo, Starbrands, Stepper Brasil e Suntech Supplies.

 

Ooops, a gente precisa corrigir…

... o calendário dos eventos de óptica deste ano publicado na VIEW 127. Alguns tropeços na produção 
impediram a exatidão das informações. Para garantir, a relação de feiras está publicada novamente na 
seção Calendário, na página 62.

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