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Um dia na Fundação Abióptica

A VIEW acompanha mais uma turma de Montador óptica da Fundação Abióptica. Dessa vez, em um momento para lá de especial, quando pais e familiares acompanharam a evolução de seus filhos, em uma reunião anual, em um sábado de julho.
Sabrina Duran Kriz Knack

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Desde 2009, quando teve início o trabalho da Fundação Abióptica, braço social da entidade que congrega empresas do ramo óptico, a VIEW tem acompanhado todos os seus passos. A revista já cobriu a aula inaugural do curso de Montador óptico oferecido anualmente pela instituição a meninos e meninas de 16 a 18 anos que estudam em colégios da rede pública da capital paulista; acompanhou algumas atividades das duas primeiras turmas, noticiou a visita dos jovens à Expo Abióptica, entrevistou professor, alunos, profissionais envolvidos no projeto, divulgou números e até esteve presente na formatura da primeiríssima e histórica turma da Fundação, em fins de 2009. Mas ainda faltava uma importante cobertura: a reunião anual de pais, durante a qual, mãe, pai, irmãos, avós e outros familiares dos alunos conhecem o conteúdo do seu aprendizado e o ambiente onde passam 800 horas de suas vidas ao longo de 11 meses.

Números animadores – A reunião de pais da terceira turma ocorreu em 2 de julho, um sábado de sol, na sede da fundação em São Paulo. Pais e parentes compareceram, inclusive os alunos, e a sala de aula ficou pequena para tanta gente. Maior que o número de pessoas, no entanto, era o interesse e a satisfação dos pais ao ouvir do professor Luis Pinguelo os detalhes e os números animadores do curso.

Durante o curso, os oito meninos e as sete meninas da terceira turma de Montador óptico recebem formação humana e técnica para desenvolverem não apenas suas habilidades na óptica, mas, principalmente, para se tornarem bons profissionais, capazes de atuar bem em qualquer área. Apresentação pessoal, trabalho em equipe, organização, pontualidade, respeito, laboriosidade, companheirismo e outras virtudes são ensinadas por meio de palestras, filmes, atividades e na prática do dia-a-dia.

Os temas técnicos representam 40% do curso, em que a habilidade e a qualidade na operação de máquinas e confecção de lentes são exigidas no mesmo nível de uma empresa. Embora a fundação ofereça um ambiente físico de escola para os alunos, as relações que se estabelecem lá dentro, segundo o professor, são como em uma empresa, em que não são tolerados comportamentos que denotam pouco comprometimento como, às vezes, se tolera nas escolas de ensino regular.

Direitos e deveres – Como ocorre desde a primeira turma, o professor visita cada uma das famílias dos alunos a fim de explicar toda a dinâmica do projeto, os benefícios, os direitos e os deveres dos alunos. Durante a reunião, Luis Pinguelo relembra essas informações e acrescenta detalhes da realidade diária dos alunos, como as dificuldades apresentadas durante o curso, as soluções empregadas, os desafios e, especialmente, a evolução pessoal e técnica dos estudantes. Na reunião anual da terceira turma, o mestre fez questão de ressaltar os direitos e os deveres dos alunos. Como direito, citou o acesso absolutamente gratuito dos jovens a transporte, alimentação, material didático e formação. Como deveres, destacou a presença nas aulas, a execução das tarefas com empenho, a determinação e o respeito. “Existem 15 cadeiras nesta sala. Se os filhos de vocês estão aqui hoje, é porque se destacaram entre outros dez alunos que concorreram com cada um deles no processo seletivo, é porque têm algo de especial”, disse aos pais. Na primeira turma, 130 jovens se inscreveram para o processo seletivo; na segunda, 140; na terceira, o número subiu para 162 inscritos para apenas 15 selecionados.

Alguns dos pais presentes na reunião pediram a palavra durante o evento para contar como seus filhos estavam mudados – para melhor. “Estou plenamente satisfeito. Minha filha está muito mais madura, mais responsável. Não vejo nela a imaturidade típica da idade e que eu tinha quando estava na idade dela”, disse Celso Martins dos Santos, 40 anos, pai de Jennifer, de 18, e de outras três meninas. Jennifer, por sua vez, conta com o apoio do pai em casa, especialmente na forma de uma cobrança positiva para que estude e se desenvolva. “Ele sempre pede para que eu estude, para que eu tenha responsabilidade. Às vezes pega um pouco no pé, mas faz parte”, comentou a aluna.

Alto índice de empregabilidade – Uma das informações mais animadoras transmitidas aos familiares durante a reunião é o índice de empregabilidade das duas primeiras turmas. Dos 30 alunos já formados, a maioria já está empregada, tanto no setor óptico quanto em outras áreas do varejo. Os alunos que ainda não estão trabalhando – três no total – tiveram problemas com repetência no ensino regular, gravidez precoce e impedimentos religiosos, uma vez que algumas religiões não permitem atividades de trabalho em dias específicos da semana.

A absorção dos recém-formados pelo mercado é quase imediata ao fim do curso, graças às necessidades do setor e ao suporte dado pela fundação não apenas sob o aspecto da formação, como também pela rede de contatos com empresários do ramo óptico. Lucas Gonçalves Cardoso e Bárbara Martins Carveche deram aos pais e estudantes presentes à reunião seu testemunho como ex-alunos da primeira turma e atuais profissionais empregados, ambos no setor.

O empresário Norberto Farina, presidente da Fundação Abióptica, esteve presente na reunião anual da terceira turma e falou sobre a importância dos pais e dos voluntários da entidade para a construção de uma sociedade mais bem formada e, com isso, mais apta a operar transformações. “Nós (alunos, pais, professores e voluntários da fundação) fazemos parte do tecido social organizado que precisa ajudar os que não estão organizados ainda. Não adianta esperar pelo governo, somos nós os responsáveis pelos avanços na sociedade”, disse. Ao final da reunião, uma das alunas leu uma carta de agradecimento aos pais escrita por todos os estudantes.

Satisfação: Celso Martins, pai da aluna Jennyfer, notou que a filha amadureceu por causa do curso, e deseja o mesmo crescimento para Sophia, a caçula da família

Didática: Bianca Silva de Oliveira é toda disposição ao explicar ao pai, Gildevan Jesus de Oliveira, e ao irmão, Gabriel, como funciona a máquina com a qual trabalha

Bom humor: da esquerda para a direita, os sorrisos de Thays de Souza e Silva, Stefany Barbosa da Silva e Ana Paula da Rocha Santos é marca registrada nos alunos do professor Pinguelo

Comprometimento: atento à formação do filho Jefferson Muller dos Santos Santana, Ivair de Santana compareceu à reunião para conhecer melhor o conteúdo do curso

Orgulho em dobro: Aldeli Pereira Brandão, mãe dos gêmeos Fábio (à esquerda) e Felipe, terá dois motivos de felicidade no fim do ano com a formatura dos filhos

Profissional: a aluna Thays de Souza e Silva mostra à mãe, Rosemeire de Souza e Silva, parte do trabalho de um Montador óptico

Compenetrados: pais e familiares dos alunos ouviram atentamente todas as palavras do professor Luis Pinguelo

Responsabilidade: o professor Luis Pinguelo destacou a importância dos pais na formação dos filhos

Tarefa de todos: à esquerda, o presidente da Fundação Abióptica, Norberto Farina, lembrou aos pais e alunos de que é tarefa de todos, e não só do poder público, melhorar a sociedade

A turma toda: posando para a primeira foto, os alunos, o professor Pinguelo e o presidente da Fundação, Norberto Farina. Na segunda foto, todos se "espremeram" um pouquinho para também fazer caber na lente da fotógrafa os familiares orgulhosos

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