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Nova York, de novo e sempre

Realizada no centro de exposições Jacob Javits, em Nova York, de 26 a 30 de março, a Vision Expo East bate recorde de visitação e se projeta para o futuro com novidades e atualização contínuas para todos os profissionais do setor óptico. E a VIEW mais uma vez marcou presença para acompanhar a evolução do mercado mundial.
Cíntia Marcucci Divulgação

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Uma das questões mais difíceis para organizadores de eventos setoriais de porte como feiras de óptica é conseguir ser interessante mesmo para quem já as visita ano após ano. Uma nova forma de interação? Eventos paralelos? Entretenimento? Mais espaço? Mais expositores? Mais serviços? Mais informações? Seja lá o que for, quase tudo já foi pensado e explorado e é preciso muito jogo de cintura para não se transformar em um evento irrelevante e correr o risco de se perder no meio do calendário mundial.

A Vision Expo East, conhecida por essas bandas pelo carinhoso apelido de “Feira de Nova York”, fechou mais uma de suas edições no final de março. Mais precisamente a 28a versão e, ao que tudo indica, houve sucesso nesse desafio de se renovar e continuar atraente. Isso porque, mesmo após todos esses anos, o evento bateu mais uma vez seu recorde de visitações, com um crescimento de 6% em relação a 2013 em um total que já é constante na casa dos 30 mil visitantes.

Um número maior que muitas cidades das Américas, só de pessoas que transitam pelos pavilhões do centro de exposições locais, o tradicional Jacob Javits Center durante a semana da feira nova-iorquina se transforma para oferecer o que há de mais novo em todas as frentes de trabalho que envolvem a visão. Por inovar, vale entender que o evento está longe de ser como era antes, um mercado de novos produtos propriamente dito. Os lançamentos passaram a ocorrer ao longo dos meses, por meio da internet e, atualmente, fechar negócios para renovar os estoques não é mais a prioridade de quem visita a Vision Expo East.

Quem vai até lá quer conviver com seus colegas de trabalho, estreitar laços com parceiros e fornecedores e descobrir novas possibilidades de negócios. Por esses motivos que uma das áreas do evento que mais cresce é a de educação continuada. Diferentemente do que ocorre aqui no Brasil, os profissionais da visão norte-americanos (tanto ópticos, quanto optometristas e oftalmologistas) precisam comprovar que se atualizam sempre para seguirem atuantes em suas profissões. Pode ser que os princípios da óptica física e da refração nunca mudem, mas, todo o resto, de tecnologia ao comportamento do consumidor, do cliente e da sociedade, muda sempre. Então, estudar, aprender e conhecer é fundamental.

Aprenda mais se for capaz – Neste ano, a feira ofereceu 325 horas de educação continuada em que nenhum assunto ficou de fora. O destaque foi o primeiro fórum de lentes de contato, realizado em parceria com a British Contact Lenses Association (isto é, a Associação britânica de lentes de contato), mas também foram abordados temas como atendimento às crianças, glaucoma, desenho de lentes oftálmicas digitais, segurança ocular na prática esportiva, tendências, gestão de coleções e peças descontinuadas, redução do uso de papel nas ópticas e até o bom uso de redes sociais e a realidade das vendas de óculos online.

Visão de vestir – A notícia divulgada na semana da feira sobre a parceria entre Luxottica e Google para o lançamento de versões Oakley e Ray-Ban do Google Glasses (VIEW 139, A óptica no mundo, página 32) foi hit durante o evento. Isso porque os smart glasses (do inglês, “óculos inteligentes”), que combinam internet, câmera, MP3, telefone e outras funções em um par de óculos já tinham sido assunto no ano passado quando a Google lançou sua primeira versão do Google Glass – a face mais visível da wearable technology (do inglês, expressão para “tecnologia vestível”).

E a tecnologia vestível foi o tema do espaço Eye2 Zone, organizado pelo jornal Vision Monday, publicação da Jobson Publishing. Além de palestras (que integraram o programa de educação continuada da feira), outras abertas e mais curtas, 12 expositores com produtos e projetos ligados ao tema estiveram no espaço, incluindo o Google com seu Glass.

Números e bom cenário – Muito do sucesso da Vision Expo East nos últimos anos se deve à recuperação econômica dos Estados Unidos. No ano passado, a indústria óptica da nação de Barack Obama movimentou US$ 36,1 bilhões, 3,6% superior em relação a 2012 e 5,3% a mais que na época da crise, em 2008 (dados do Vision Watch, estudo conduzido pelo Vision Council, a entidade norte-americana para o setor).

Hoje no país são 182,8 milhões de pessoas que necessitam e usam correção visual de algum tipo, número que cresceu em 8,9 milhões desde 2009, o que faz 70 milhões de pares de óculos terem sido vendidos apenas em 2013. Não é de se estranhar então que a Vision Expo East continue sendo extremamente esperada e respeitada pelos profissionais locais.

Para o ano que vem – Com datas já definidas para 2015, a Vision Expo East ocorrerá no mesmo Jacob Javits Center de 19 a 22 de março, com a exposição em si começando dia 20 e o dia anterior reservado exclusivamente para educação continuada, que segue durante todo o evento. Além disso, quem resolver ir a Nova York terá a facilidade de uma nova estação de metrô que será aberta próxima a uma das entradas do centro de exposições.

A organização também promete aprimorar o fluxo de negócios para o público que tem interesse nas áreas de moda e design, unindo os espaços Galleria e Underground, até então distantes um do outro, em um mesmo nível dos pavilhões.

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View Stars

Luiz Eduardo Freitas (Essilor México)

Luiz Eduardo Freitas (Essilor México)

Rachel Spencer e Angela Harar (Vision Expo)

Rachel Spencer e Angela Harar (Vision Expo)

Vania e Marcio Nutels (Flu Look, Maceió)

Vania e Marcio Nutels (Flu Look, Maceió)

Stefano Sonzogni (Mei)

Stefano Sonzogni (Mei)

Drew Opperman (Adlens)

Drew Opperman (Adlens)

Ricardo Kolber e Ethan Goodman (Match)

Ricardo Kolber e Ethan Goodman (Match)

 

 

“O futuro é agora!”

Com estas palavras de ordem, a edição de número oito do Vision Monday Global Leadership Summit, promovido em 26 de março pela Jobson Publishing, no nova-iorquino The Times Center, levou cabeças pensantes do setor óptico a colocar a visão de negócios no foco certo.

 

Vision Monday Global Leadership Summit: cerca de 400 profissionais marcaram presença no The Times Center para a edição 2014 do evento

Vision Monday Global Leadership Summit: cerca de 400 profissionais marcaram presença no The Times Center para a edição 2014 do evento

Com quatro painéis, o encontro de profissionais ópticos realizado pelo Vision Monday mais uma vez ocorreu na semana da Vision Expo East, como já virou tradição. Cerca de 400 nomes importantes da óptica ouviram sobre Millenials, tecnologia vestível e liderança, além de tendências como “big data” e “omnichannel”. Os temas tiveram o intuito de provar que certos pontos que as pessoas estão habituadas a achar que só deveriam pensar mais para frente são parte do agora e precisam ser pensadas imediatamente.

No primeiro painel, o diretor da empresa Envisioning Technology, Michael Zappa, que tem por objetivo identificar tendências de tecnologia, afirmou que “criar e utilizar a tecnologia está no cerne do que significa ser um humano. É claro que as pessoas se sentem amedrontadas quando a tecnologia muda, mas a ideia é sempre proporcionar uma vida melhor”. Por isso, justificou, que as crianças são tão adaptáveis, já que sentem menos medo.

Essa visão deu o pontapé para a próxima discussão, sobre os Millenials, a geração de entre 18 anos e 35 anos. As conclusões é de que esses consumidores não se importam se a empresa dispôs ou não de um grande orçamento para uma campanha publicitária ou promoções. O que as pessoas dessa faixa etária desejam é sentirem-se próximas da marca, encontrando formas de participar de alguma maneira da loja ou da própria marca. Seria como se a empresa, por meio de algum tipo de ação, “contratasse” esse consumidor e o deixasse ajudar a participar sobre as decisões estratégicas da empresa. O Millenial, portanto, é conquistado quando se sente parte ativa do que gosta.

Outro debate falou sobre o chamado omnichannel (do inglês, algo como “multicanal”), que é a real e nova situação do varejo no mundo. Esse conceito explica que não há mais apenas um canal de comercialização para um determinado produto, seja qual for. E que as empresas precisam fazer esforços para se adaptarem a isso. Na indústria de lentes oftálmicas, por exemplo, o desafio atual é conseguir realizar as medidas visuais online. Na oftalmologia, é fazer exames, que podem ajudar cerca de 50 milhões de pessoas somente em território norte-americano e 2,5 bilhões no mundo que não têm acesso e nunca foram submetidos a um exame de visão. “As pessoas hoje querem decidir sobre suas próprias vidas, por isso, procuram alternativas de compras que lhes são mais adequadas”, disse o executivo do site glasses.com, recém-adquirido pela Luxottica, Carlo Privitera.

Os dois assuntos se fundem e completam a discussão sobre as tecnologias vestíveis, que atendem as necessidades dos Millenials e do mercado omnichannel, quando permitem pesquisa e compra em um piscar de olhos. O Google Glass ainda está na fase de ser usado apenas pelos “early adopters” (do inglês, expressão que define pessoas que consomem novidades antes das outras e, assim, contribuem para o lançamento de tendências). Mas, com a parceria entre a Google e as marcas de óculos Oakley e Ray-Ban, da Luxottica, o processo de popularização, quando todos já estão usando um produto ou tecnologia, pode se acelerar.

Por último, o executivo da IBM Watson Foundations, Charlie Schick, falou sobre o chamado “big data” (do inglês, algo como “grandes dados”, termo que se refere às informações geradas pelo rastreamento do comportamento do consumidor na internet, usadas para aumentar a eficiência das operações). Para aplicar esses dados, usam-se aplicativos e ferramentas e o segredo está em não se perder no oceano de informações, mas saber aproveitar as marés para conduzir o barco.

O painel sobre liderança contou com a participação do CEO (do inglês, “Chief Executive Officer”, sigla que denomina o cargo de diretor executivo) da Luxottica, Andrea Guerra, entrevistado pela vice-presidente editorial da Jobson Publishing, Marge Axelrad. Essa conversa renderá uma matéria a parte na próxima edição, a VIEW 141, em A óptica no mundo.

A edição 2014 do Vision Monday Global Leadership Summit teve como principais patrocinadores Essilor e Luxottica, patrocínio da VSP Global e apoio das empresas Adlens, Alcon, Carecredit, Dac Vision e thinkaboutyoureyes.com. Todo o material do evento como slides das apresentações, vídeos e destaques do dia está disponível, em inglês, em www.visionmondaysummit.com.

 

Tecnologias vestíveis 2: a apresentação da responsável de desenvolvimento de negócios do Google Glass, Insiya Lokhandwala

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Eficiência da informação: o executivo da IBM Watson Foundations Charlie Schick, especialista em big data

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Tecnologias vestíveis 1: o editor de lentes e tecnologia da Jobson norte-americana, Andy Karp (o primeiro da esquerda para a direita), comandou o painel sobre o assunto

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O painel Visão do futuro: o estrategista de tecnologias emergentes, Michael Zappa

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