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Em Paris, a solidez do Silmo

A crise econômica que continua fragilizando os países europeus e os Estados Unidos parece não abalar muito o Silmo, a feira francesa que tem como sobrenome “Mondial de L’Optique” (do francês, “Mundial de Óptica”). A versão de número 45, realizada de 4 a 7 de outubro nos pavilhões 5 e 6 do parque de exposições Paris-Nord Villepinte, em Roissy, nos arredores de Paris, manteve público similar ao ano passado, apontou as tendências tanto em termos de design quanto de negócios e revelou-se mais um espetáculo e tanto da óptica mundial. Acompanhe nestas e nas próximas páginas a cobertura completa do evento.
Andrea Tavares Andrea Tavares Collectif Stephane Laure

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A crise estava lá fora, mas no interior dos pavilhões 5 e 6 do parque de exposições Paris-Nord Villepinte que abrigaram de 4 a 7 de outubro a versão 2012 do Silmo, o Mondial de L’Optique, o mercado óptico mundial se movimentava.

É fato que os ventos poderiam estar mais favoráveis ao desenvolvimento dos negócios sem o fantasma de uma grande crise a pairar sobre cabeças europeias e norte-americanas, mas depois de três anos de aprendizado (a crise chegou no final de 2008), chega a hora de fazer a lição de casa, descobrindo alternativas para tocar os negócios e obter bons números mesmo em um momento desfavorável.

Obviamente, a crise obriga a por o pé no freio, repensando investimentos e valorizando o que é de fato estratégico. Talvez seja por isso que tanto as edições desse ano do salão francês e da feira italiana (a Mido, que ocorreu em março) deixaram de contar com expositores de peso, ou seja, as empresas italianas concentraram suas forças na feira de Milão, enquanto as francesas fecharam exclusivamente com o Silmo. Nos últimos anos, uma ou outra corporação optou por apenas um dos eventos, mas, neste ano, a escolha de italianos e franceses pelas suas respectivas feiras locais ficou bem clara.

Pontos fortes – Pode-se dizer que o salão francês conseguiu criar uma série de atrativos e características particulares a ponto de ser considerado imperdível para muitos profissionais de óptica de todas as partes do mundo mesmo em tempos de crise. Uma de suas forças é, sem dúvida, a área que reúne a vanguarda do design óptico, por lá batizada de “Village”, o que faz do Silmo o lugar perfeito para checar tendências. Afinal, há várias empresas de design óptico que expõem apenas uma vez por ano e escolhem o Silmo para isso.

Público estável – A edição deste ano recebeu 34.696 pessoas (45,2% de locais e 54,8% de estrangeiros) que visitaram os cerca de 900 expositores (sendo que 68% são compostos por empresas estrangeiras). O total de público ficou muito similar ao do ano passado, que bateu os 34.671 profissionais. Segundo os organizadores, nem mesmo a reforma na linha de trem que leva ao Paris-Nord Villepinte e ficou interrompida por algumas horas no sábado e no domingo (os dois últimos dias do evento) atrapalhou o fluxo de público, que também conta com linhas de ônibus oferecidas pela feira que levam os visitantes tanto para o aeroporto Charles de Gaulle quanto para o centro de Paris (mais precisamente, na região de Porte Maillot).

A Silmo 2013 já tem data marcada: 26 a 29 de setembro (quinta-feira a domingo) nos domínios do Paris-Nord Villepinte. Tudo leva a crer que a linha do trem que leva à feira já estará completamente renovada para facilitar ainda mais o acesso dos visitantes, pois o retorno de ônibus para Paris no final da tarde é uma opção bastante cansativa em função dos congestionamentos.

Flash

Silmo 2012
Pavilhões 5 e 6 do Parc des Expositions Paris-Nord Villpinte
Mais de 900 expositores
80 mil metros quadrados de área de exposição
34.696 visitantes (54,8% de estrangeiros e 45,2% de locais)
Edição 2013: 26 a 29 de setembro

Destaques do Silmo 2012

Ana Hickmann: o Brasil no Silmo

A GO marcou presença pelo segundo ano consecutivo no Silmo e, obviamente, seu carro-chefe é a coleção da ex-modelo e apresentadora Ana Hickmann, que esteve na feira na tarde de sábado, dia 6, para atender a imprensa e visitar o evento. Hoje, a empresa brasileira distribui os óculos de Ana Hickmann para mais de 30 países.

A editora da VIEW, Andrea Tavares, teve a oportunidade de conversar por alguns minutos com a apresentadora, que lhe revelou os planos de trabalhar ainda mais próxima da GO ao participar de cinco feiras por ano já em 2013. “A GO está fazendo um trabalho muito grande, investindo muito e eu quero participar mais ainda”, explicou.

Além disso, Ana contou que sua loja virtual (em www.anahickmann.com), que oferece todas as suas linhas de produto, está indo muito bem. “Acabou de completar dois anos. Ainda é um bebê perto de tantos gigantes do mundo virtual, mas estou adorando. E uma coisa que descobri é que se trata de uma grande vitrine para o consumidor, que consulta o site e, no caso dos óculos, vai até a óptica comprá-los. Uma coisa com a qual tomei muito cuidado é nunca estabelecer concorrência com os varejistas que comercializam meus produtos. O que me interessa é a vitrine”, define.

Depois de algumas horas na feira, Ana, em parceria com a GO, recebeu clientes de várias partes do mundo em um jantar especialíssimo no luxuoso hotel Plaza Athénée – a cobertura dessa noite está na página 24.

Essência e conceito

Muitas empresas já entenderam que suas marcas de óculos precisam mais que uma coleção com qualidade. E que se a marca não tiver uma história para contar, isto é, um DNA sólido, com elementos que gerem valor e a identifiquem, não há muito que fazer, a não ser cair na selva da guerra de preços e nem sempre garantir uma boa lucratividade.

Diante disso, nos últimos anos, várias começaram a gerar conteúdo, conferindo conceitos às suas marcas. Começaram com campanhas mais atraentes e agora apostam na comunicação de valores. Não basta ser bonitinho, ter qualidade e uma boa campanha: é preciso comunicar rápido e facilmente que aquela marca se destaca das demais, seja pelos seus próprios conceitos ou pelo fato de ser capaz de conferir estilo a quem a escolhe. Esse movimento começou na Mido, em março, e agora no Silmo, surgiu de forma mais evidente.

Por exemplo, o “feito à mão” (ou “hand made”, estampado em inglês) de que algumas empresas se orgulhavam e faziam questão de exibir parece não ser mais suficiente. É preciso algo mais forte. Comunicar valores. A alemã Benner, por exemplo, é uma delas – sua assinatura é “heart made in Germany”, isto é, “feita com o coração na Alemanha”. Outras, como a italiana Look Occhiali estampavam em uma das laterais de seu stand uma foto apresentando toda a sua equipe (inclusive um cãozinho).

Fast fashion

Quando se fala de Silmo e Mido, é tradição que as grandes indústrias do Planeta Óculos (principalmente as de óculos) marquem presença não apenas como expositoras dos eventos, mas também com maciços investimentos em publicidade por meio de outdoors gigantes em pontos estratégicos das cidades ou ainda com imagens estampadas em bondes e mobiliário urbano.

Mas, dessa vez, no coração de Paris, o sucesso dos óculos também vinha de outro lado. Mais precisamente das vitrines da H&M, a rede de varejo que é uma das estrelas do movimento fast fashion (do inglês, expressão que tem o fast food como inspiração e significa “moda rápida”, estratégia que revolucionou o segmento de confecção no início deste século, ao pregar a produção de roupas que seguem as tendências de moda a preços acessíveis, em ritmo acelerado e com trocas vertiginosas do estoque, a fim de dar ao consumidor a sensação de exclusividade).

Há sete anos, para gerar ainda mais valor à marca, a sueca H&M adotou a estratégia das colaborações, convidando top designers de moda para desenvolver pequenas coleções especiais. Sucesso mais que garantido: consumidoras dormem na fila e as peças se esgotam em um par de horas. Foi assim com Stella Mc Cartney, Roberto Cavalli e Karl Lagerfeld, entre outros.

Em 4 de outubro, dia que começava o Silmo 2012, foi a vez de a editora da Vogue Japan, Anna Dello Russo, lançar sua coleção de acessórios e, na véspera, as vitrines da H&M já expunham as peças dessa italiana que é conhecida pelo seu fashionismo extremo, a ponto de manter uma coleção com 4 mil pares de sapatos. Obviamente, os óculos eram itens garantidos em uma coleção de acessórios e lá estavam eles, cheios de exuberância – vendidos por módicos € 39,95.

Anna Dello Russo: coleção de acessórios para a H&M. Entre eles, solares para lá de exuberantes

Homenagem: no hall da entrada principal da feira, a reverência ao presidente do Silmo, Guy Charlot, que morreu em julho

Difusão de conhecimento: a terceira edição do Silmo Academy, o espaço dedicado ao aprimoramento do público, reuniu os profissionais para conferências científicas, palestras técnicas e sessões de treinamento.

Mais

Silmo D’Or: a versão 2012 do Oscar da óptica mundial
VIEW Stars: a presença brasileira e os dez anos dos óculos de Ana Hickmann em Paris

 

 

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