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Expo Abióptica, a hora de recomeçar

Refletindo a performance bem-sucedida de feiras internacionais realizadas em março, a Expo Abióptica 2012 foi marcada por bons números de visitação e registrou negócios da ordem de R$ 500 milhões, ecoando o momento positivo do mercado. A décima edição da feira brasileira, organizada pela Associação brasileira da indústria óptica (Abióptica), ocorreu de 25 a 28 de abril, contou com o retorno de expositores de grande porte e mostrou a consolidação do Expo Center Norte, na Vila Guilherme, zona norte de São Paulo, como seu endereço fixo. Acompanhe nesta e nas próximas 35 páginas a cobertura completa do evento.
Ana Lima, Andrea Tavares, Sofia Prudente e Sabrina Duran Ana Lima, Andrea Tavares e Becaclick Colaboração Debora Alves e Flavio Bitelman

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Depois de três tímidas edições com um desempenho abaixo das expectativas por conta de uma série de fatores, a Expo Abióptica registrou 2012 como o ano do recomeço. Tudo leva a crer que, definitivamente, ficaram para trás toda a sorte de movimentos que nivelaram o evento por baixo nos últimos anos como a crise econômica, a alteração do calendário mundial das feiras do setor, a mudança do local de exposição e o desinteresse de grandes empresas (antes expositoras de peso) em participar do evento.

Lá fora, boa parte do mercado já se adaptou aos novos tempos (os da crise), prova disso foram as bem-sucedidas edições da italiana Mido e da novaiorquina Vision Expo East, ambas realizadas em março, gerando um clima de otimismo para o mercado mundial. Por aqui, depois de duas grandes mudanças – a de data, em 2009, passando a feira de julho para abril, e a de local, em 2011, com a transferência da zona sul (Transamérica Expo Center) para a zona norte da cidade -, o público da Expo Abióptica parece ter finalmente absorvido as novidades, consolidando o mês da feira como abril e o Expo Center Norte como o seu local de realização. Além disso, as feiras voltaram à ordem do dia nas agendas das grandes corporações como Igal Rodenstock, Luxottica, Optotal Hoya, Safilo e Wilvale De Rigo, que marcaram presença no evento.

Dessa forma, dos 12.355 visitantes em 2011, a feira este ano recebeu 16.051 profissionais de óptica em seus domínios, segundo informações da Abióptica. O público total, isto é, contabilizando-se todas as leituras de credenciais, independentemente de as pessoas terem ido à feira mais de uma vez, ficou em 22.926 diante dos 16.300 do ano passado.

Sem dúvida, há motivos para comemorar, mas é sempre bom lembrar que esse tem de ser o ponto zero de uma feira, com resultados satisfatórios e boa visitação. A Abióptica tem de fazer sua parte, mas o expositor também precisa cuidar muito bem para ter um bom desempenho. Já foi o tempo de comprar espaço, montar stand, colocar produtos, levar representantes e rezar para dar certo. A feira é apenas um capítulo especial na série de muitos episódios na trajetória de uma empresa. Trajetória essa que envolve muito trabalho, planejamento, relacionamentos sólidos e vínculos cada vez mais estreitos com clientes.

 

Em alta

O retorno de grandes empresas

A maturidade do mercado

O Expo Center Norte

 

 

 

Em baixa

Os furtos no pavilhão

As filas de entrada no primeiro dia

A péssima localização dos stands da imprensa

 

 

 

Tabelas

Expo Abióptica 2012: público

 

Levando-se em conta os visitantes, isto é, as entradas sem repetição, os dois primeiros dias (quarta e quinta-feiras, 25 e 26 de abril) foram os de maior movimento, respectivamente com 5.368 e 4.063 pessoas. Já contabilizando o total de visitações (a soma geral de todas as entradas, com duplicidade), os dias mais movimentados foram a quinta-feira e o sábado (26 e 28 de abril) – 6.144 e 5.749 profissionais, respectivamente.

Sábado, o dia comentado por muitos expositores como o mais fraco em termos de negócios, foi o segundo de maior visitação por conta da frequência maior de consultores ópticos, já que, nesse dia, boa parte do varejo de rua fecha após o almoço, liberando o público para visitar a feira.

 

Top 10 dos estados

 

O estado de São Paulo é o dono da feira com 68,73% e fica na frente do segundo colocado, o Rio de Janeiro (5,92%), com dez vezes de vantagem. A região sudeste (respectivamente, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais) domina o topo da lista, somando 78,49% do total de visitantes da feira. O top 10 tem estados do sudeste, sul e nordeste; o único diferente é Goiás, na décima posição, com 1,12%.

 

O domínio paulista

Do total de visitação de São Paulo, 66% vêm da capital e da grande São Paulo. Os 34% restantes ficam com o interior.

 

Visitação por regiões do Brasil

A vantagem de São Paulo dá o favoritismo absoluto à região sudeste, que contabilizou 79,1% da visitação da Expo Abióptica 2012. Em segundo lugar, com exatos 10% do primeiro colocado (7,91%) vem o nordeste, que, ano após ano, mostra a sua força e investe em suas competências. Na sequência, vêm o sul (6,31%), o centro-oeste (3,22%) e o norte (1,84%).

 

Presença gringa

O que chama atenção no placar de estrangeiros é a queda considerável do total de países. Em 2010, houve visitantes de 26 países; em 2011, 24 países e, neste ano, 16 nações. A vizinha argentina segue liderando o ranking, acompanhada de perto pela presença norte-americana, que perde por pouco para os “hermanos”. A China mantém-se na terceira colocação.

 

As opiniões sobre a feira

“Essa foi a melhor edição da feira entre todas as 15 que a Clairmont participou. Foi uma magnífica tanto em termos de movimento no stand como no valor de compra dos clientes. Acredito que a Abióptica poderia melhorar a organização na entrada do pavilhão. São poucos atendentes e muitas pessoas querendo entrar. Uma solução é colocar mais pessoas no primeiro dia, para auxiliar aqueles que deixaram para fazer a credencial de última hora.”
Jean-Luc Lacastagneratte (Clair Mont)

“A feira está maravilhosa. Acredito que o esforço que a CMsatisloh fez para trazer esses equipamentos de primeiro mundo para a feira proporcionou a oportunidade a muitas pessoas que não vão as feiras no exterior de conhecer essas máquinas. Mas o que a maioria não sabe é que existe uma dificuldade enorme para que os fabricantes tragam seus equipamentos. A CMsatistloh, por exemplo, tem uma máquina de 2,5 toneladas e entrar com uma dessas no pavilhão não é o mesmo que entrar com uma mala. É necessário pagar uma taxa para entrar na feira com caminhão, sem falar que a tabela de estacionamento estabelece um prazo de 4 horas para a descarga, além de uma taxa por hora de carga e descarga.”
Jorge Haubrich (CMsatisloh)

“A expectativa da CMC para a feira não era apenas de vendas, mas também de marketing e publicidade; a empresa está em um momento de se mostrar para o mercado. Quanto às vendas, dobraram em relação ao ano passado e essa era a meta. Por conta dos investimentos e da renovação promovida nos últimos meses, como o lançamento da linha de relógios, a contratação de novas lideranças e a chegada de uma marca forte como a Ecko nos óculos, era mais que natural que as vendas dobrassem.”
Ricardo Zorzenão (CMC)

“O objetivo era apresentar a empresa aos clientes, já que está no mercado há menos de um ano, e também lançar as marcas McLaren e Tumi. Todas as expectativas foram atingidas com louvor: muitas vendas, muita procura, prospecção para o futuro e contato com grandes redes. A DreamRio estará nas próximas feiras, sem dúvida. As pessoas estão voltando para elas.”
Daves Davoli (DreamRio)

“A Essilor foi além das expectativas em lançamentos, relacionamento e experiência para o varejo poder conhecer melhor os produtos. Nas vendas, superou-se o ano anterior. Também foi superada a quantidade de pessoas treinadas no espaço Essilor Academy e houve presença recorde na experiência OptiFog. Esses pontos altos, entre outras atividades e novidades, fizeram da Expo Abióptica 2012 uma feira sensacional.”
Charles-Eric Poussin (Essilor)

“A GO está encerrando um ciclo de dez anos e assim se inicia um novo ciclo. Na primeira etapa, a empresa nasceu, cresceu e hoje precisa tornar o cliente perene, oferecendo-lhe o melhor cenário de negócios possível. Na feira, além de vender produtos, a meta é conversar com os clientes, oferecendo-lhes consultoria, bons negócios e boas práticas para que possam fazer a melhor escolha. Em termos de números, a GO vem em um ritmo alucinante de crescimento: 60% em 2010, 54% em 2011 e, para este ano, a projeção é de 40%. O primeiro terço de 2012 foi fechado na feira com evolução acima de 40% em relação ao mesmo período do ano anterior.”
Leonardo Riekstins (GO)

“A expectativa que a Igal Rodenstock tem para a feira é encontrar os clientes, reforçar os laços e apresentar o seu melhor. As vendas superaram as expectativas. A frequência, a qualidade das compras e os contatos foram muito bons. O público que visita a feira está começando a entender que o evento é um fórum de óptica e um encontro de negócios, em que vai conhecer novidades em armações, lentes, design e tecnologia, tudo que poderá oferecer aos seus clientes. Essa é a base de sustentação da feira.”
Ramon Rico (Igal Rodenstock)

“Foi além das expectativas. Quando a feira cresce em número de expositores, acaba dividindo um pouco os compradores. Ainda assim, a Jaguar foi além dos seus objetivos. Os clientes vieram, tiveram tempo, e os que não tiveram, retornaram depois. A coisa mais importante é que muita gente que antes levava o público para fora resolveu concentrá-lo na feira. É um consenso que já estava na hora de ocorrer – se cada um puxar a sardinha para todos os lados, vai se despedaçar inteira. A minha percepção é que esse consenso de estar na feira acabou agregando muito para todo mundo.”
João Basile (Jaguar)

“Entre todos os objetivos definidos, todos foram alcançados. O número inicial foi atingido no terceiro dia. O feriado prejudicou um pouco o último dia, mas, de resto, foi tudo brilhante. Mesmo a Luxottica estando ausente durante algumas edições da feira, a recepção foi muito boa, muitos contatos foram feitos. A estrutura acabou até sendo pequena para o que poderia ter sido em termos de vendas.”
Alvaro Lahm (Luxottica)

“Como a Marchon praticamente voltou este ano para a feira – em 2011, o stand era muito menor –, a expectativa é de que seria o momento de um grande relacionamento com uma nova clientela e os números de venda obviamente aumentariam em relação ao ano passado. De fato, a empresa recebeu muitos clientes novos e, dia após dia, as vendas foram superadas comparadas ao ano passado. A feira foi muito boa, mas é preciso cuidar da segurança nas próximas edições, porque houve muitos furtos em vários stands este ano. Talvez a entrada das pessoas tenha de ser mais bem fiscalizada.”
Léo Souza (Marchon)

“Como em todos os anos, as expectativas da Marcolin são positivas, já que a empresa se prepara e investe para fazer uma boa participação na feira. Os resultados de vendas foram ótimos, superiores a 2011. O relacionamento com os clientes é sempre muito bom, pois há a possibilidade de fazer novos contatos, fidelizar quem já é cliente e estar próximo dos clientes de modo geral.”
Marcello Reverzani (Marcolin)

“A Master Glasses veio com muitas novidades nas linhas de produto e com uma expectativa grande por conta da nova licença da marca UFC. Além disso, a contratação da apresentadora Renata Fan como rosto da Corolla contribuiu muito para o sucesso da marca na feira. Quanto às expectativas de vendas, até o penúltimo dia, estava todo mundo muito satisfeito.”
Lisandro Carvalho (Master Glasses)

“A feira já dava mostras de que seria especial em relação aos últimos anos – tanto pelas conversas com clientes quanto pelo retorno de grandes empresas. Se a Mormaii tivesse cinco tipos de metas, uma conservadora, uma boa, uma excelente, uma supermeta e uma meta de maluco, posso afirmar que a meta de maluco foi batida. Foi muito mais do que se imaginava, entre outras coisas, pela parceria e a força da Essilor no lançamento dos óculos Mormaii Xperio. A cota do ano para esse produto foi batida na feira.”
Juarez Rezena (Mormaii)

“Essa Expo Abióptica foi um marco na história da Absurda em comparação ao ano passado. Em termos de números, o resultado foi, com direito a trocadilho, absurdo: em 15 minutos, vendeu-se a mesma quantidade de todos os dias do ano passado. A feira deste ano foi mais consistente, com mais visitação e mais gente comprando também. E o stand da Absurda acaba sendo um grande entretenimento, a meta é sair um pouco do padrão e quebrar esse clima só de negócios.”
Thiago Grava (Optical Designs)

“A OptiClass resolveu aumentar o stand para trabalhar melhor o aspecto institucional e mostrar as novas marcas do portfólio. A meta foi atingida, com bastante receptividade do público. Acredito que a data poderia ser repensada; a proximidade de um feriado de quatro dias realmente atrapalha. Geralmente, a sexta-feira é um dia de pico de vendas, mas, neste ano, ocorreu o contrário. O ritmo de negociação e visitação se manteve na quarta e na quinta, mas caiu bastante na sexta-feira.”
Cristina Hirata (OptiClass)

“No segundo dia, a Optitex já tinha conseguido superar o equivalente ao total de vendas da feira inteira do ano passado e mais um dia. O setor está em um crescente fantástico, o otimismo está imperando. Todos se prepararam por saber que esse era o momento certo, por conta da volta das grandes empresas à feira. Se mesmo com a Fórmula Indy e o feriadão, a feira foi todo esse sucesso, fico imaginando como seria sem esses detalhes. Acredito que a Abióptica também já esteja enxergando que o fim do mês é um período mais complicado para a realização da feira.”
Edy Titelbaum (Optitex)

“A volta de todos os parceiros foi muito boa. A Safilo conseguiu mostrar que a equipe está empenhada, que continua bem e com um bom relacionamento tanto com os pequenos quanto com os grandes ópticos. No mais, acho que os associados deveriam se unir e permanecer na feira. É preciso entender que há espaço para todo mundo, até porque todos estão vendendo muito bem. Acredito que a segurança é um fator que pode melhorar. Outro ponto é o horário; a feira abre às 13h, mas vai ‘acontecer’ lá pelas 16h. Se abrisse às 10h, por exemplo, iria ‘acontecer’ às 13h.”
Fernanda Paolone (Safilo)

“A expectativa da Shamir era boa e a meta inicial foi atingida, que era apresentar os produtos aos clientes que ainda não conheciam a empresa, tanto que o stand ficou sempre cheio de gente procurando por novidades.”
Leo Menon (Shamir)

“A Stepper já vem em uma evolução comercial e de marca, tanto em tecnologia de produto e matéria-prima como na participação de mercado. Com isso, foi possível sentir um retorno de visitação maior e também aumento nas negociações efetivas. O único ponto que poderia melhorar é a música muito alta nos stands, que atrapalha um pouco.”
Cesar Tavano (Stepper Brasil)

“Essa edição da feira foi bastante interessante para a empresa, com o stand sempre cheio. Houve uma melhora na qualidade de clientes, ou seja, as pessoas vieram tanto para visitar e conhecer os lançamentos quanto para comprar. Isso é bastante positivo.”
Silvio Cornaviera (Suntech Supplies)

“A expectativa da Transitions já era boa e foi superada. O público participou bastante das atividades no stand, como os sorteios diários de iPad. O objetivo inicial foi atingido, que é o de apresentar os lançamentos e o conceito da nova campanha, para que, quando o consumidor entre na óptica, o consultor óptico consiga explicar bem os benefícios do produto.”
Tatiana Nardez (Transitions)

“A grande dificuldade da feira este ano foi em relação à data, por ser véspera de feriado e ter Fórmula Indy no fim de semana. Isso tirou um pouco o movimento, principalmente na sexta-feira e no sábado. Para a Viva, também não é interessante que a feira seja no fim do mês, porque assim o começo do mês fica prejudicado, já que os lojistas deixam para comprar na feira. A julgar pelos números parciais, a Viva atingiu um número de vendas 30% abaixo comparado ao ano passado, o que prejudica bastante o investimento.”
Geraldo Maia (Viva)

“O plano inicial era fazer um stand só de Police, com foco mais no relacionamento, para conceituar a nova campanha, tanto que o stand ficou bem menor em relação à última participação da empresa, em 2010. Mas, no último momento, a Wilvale De Rigo sentiu que poderia ser uma boa oportunidade e então mudou de estratégia, trazendo todos os representantes para o evento. Nos três primeiros dias, já tinha superado em 35% o maior recorde de vendas da empresa na Expo Abióptica.”
Leandro Escudeiro (Wilvale De Rigo)

 

 

Veja mais sobre a Expo Abióptica 2012

 

Os pontos altos da feira

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