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Em Roland Garros com a Lacoste

No final de maio, uma press trip (do inglês, “viagem para imprensa”) organizada pela Marchon e a Lacoste levou a editora da VIEW, Andrea Tavares, a Paris para o torneio de Roland Garros, o berço da marca francesa, conhecida mundialmente por suas camisas polo e o logo do crocodilo.
Andrea Tavares Andrea Tavares

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Meu amor pela moda passa, em grande parte, pela sua história e pela forma como é possível acompanhar o desenvolvimento do mundo pelos estilos de roupa adotados por homens e mulheres ao longo das décadas. É por isso que estou sempre interessada em conhecer mais sobre a história das marcas. Lembro que em 2011, quando pautei a Lacoste para as páginas de Mondo Fashion da VIEW 114, fiquei encantada como uma camisa polo foi capaz de construir um império. Essa mesma camisa polo que, 80 anos depois, tem um exemplar vendido a cada 2 segundos pelo mundo afora em mais de 60 cores diferentes.

Em 1927, o tenista francês René Lacoste ganhou uma mala de pele de crocodilo de seu técnico em uma aposta, após levar sua equipe à vitória em um importante torneio. Por este motivo, além de seu estilo agressivo de surpreender os adversários com movimentos em ziguezague nas quadras de tênis, ganhou o apelido “Le Crocodile” de um jornalista da agência de notícias Associated Press.

Por causa disso, passou a usar nas roupas a figura de um crocodilo enquanto colecionava títulos nos principais campeonatos de tênis da época, como Roland Garros, Wimbledon e Forest Hills. O desenho, criado por um amigo de Lacoste, Robert George, aparecia bordado na camisa de algodão que ele usava nos jogos – foi assim que ela, a camisa polo, nasceu: era ideal para absorver a transpiração nos dias quentes, pois tinha mangas curtas, gola e pequenos botões até a altura do peito.

A campeã de golfe Simone Thion de la Chaume, que mais tarde se casaria com René Lacoste, foi quem notou o potencial da camisa até então inusitada que o tenista desfilava nas quadras. Com seu apoio, Lacoste fundou uma empresa, em 1933, em parceria com o proprietário de uma grande fábrica francesa de roupas, André Gillier, para reproduzir camisas bordadas com o logotipo que havia criado para usar nas quadras.

Foi a primeira vez que uma logomarca apareceu do lado de fora de uma peça de roupa e não apenas na etiqueta. Batizada de “la chemise Lacoste” (do francês, “a camisa Lacoste”), era confeccionada em jérsei de piquê miúdo de alta qualidade, leve, confortável e fresco, na cor branca, com o crocodilo verde bordado na altura do coração. Entre os jogadores de tênis da época, que até então vestiam camisas de manga longa, colarinho duro e pouco confortáveis, a camisa Lacoste rapidamente tornou-se um uniforme. Em 1939, foram vendidas 300 mil unidades do modelo.

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A origem de tudo – Com essa história em mente, há algumas semanas, mais precisamente, nos últimos dias de maio, tive a oportunidade de ir aonde tudo começou. Recebi um convite especial da Marchon, detentora da licença para criação e distribuição mundial das coleções de óculos da Lacoste, para uma press trip (do inglês, “viagem para a imprensa”) rumo a Paris a fim de cobrir o torneio de Roland Garros, que tem a marca do crocodilo como uma de suas patrocinadoras.

Às vésperas da Copa do Mundo – ainda mais uma Copa realizada no Brasil -, o universo do tênis parecia distante. Mas eu não podia esquecer que, ao lado do esporte bretão, o tênis foi um dos primeiros esportes que acompanhei desde criança. Nos anos 70, ficava colada na tevê para assistir a incríveis jogos entre o sueco Björn Borg e o norte-americano Joe McEnroe que, além das performances sensacionais (ambos foram considerados várias vezes número um do tênis mundial), formavam uma combinação e tanto nas quadras por conta do ar gélido e contido do primeiro em contraste à impulsividade do segundo.

Foi aí que ouvi falar pela primeira vez em Roland Garros e aprendi que o torneio parisiense, ao lado de outros três (os abertos da Austrália e dos Estados Unidos e Wimbledon, realizado na Inglaterra) formam o Grand Slam, a glória máxima para quem consegue conquistar os quatro em um mesmo ano. E ter a chance de viver esse momento “Roland Garros”, anos depois, resgatou aquele carinho de criança que eu tinha pelo esporte.

Se no ano passado, em fevereiro (veja VIEW 129), eu tive a oportunidade de assistir a um dos dois desfiles comemorativos da celebração de 80 anos da Lacoste durante a Semana de Moda de Nova York conhecendo mais profundamente o universo atual da marca e entrevistando, inclusive, seu diretor da criação, Felipe Oliveira Baptista, agora em Roland Garros “mergulhei” nas raízes da Lacoste, vendo de perto sua íntima relação com o tênis e a importância de René Lacoste para o esporte.

Os ídolos do tênis – Ninguém melhor que um embaixador da Lacoste e ex-tenista, o francês Sébastien Grosjean, quarto no ranking da Associação de tenistas profissionais (ATP) em 2002, para ser o anfitrião dessa visita. Roland Garros é uma Disney World do tênis encravada no coração de Paris, com três estádios, áreas de entretenimento, serviços e uma linda praça que homenageia icônicos esportistas na história do tênis, dentre eles René Lacoste. Com a companhia de Grosjean, pudemos circular livremente pelos espaços e conhecer os bastidores. Sem dúvida, uma experiência e tanto.

René Lacoste: eternizado na praça principal de Roland Garros

René Lacoste: eternizado na praça principal de Roland Garros

Embaixador Lacoste: o francês Sébastien Grosjean em seu tempo de tenista

Embaixador Lacoste: o francês Sébastien Grosjean em seu tempo de tenista

Beleza natural: flores para lá de lindas iluminam a “Disney World” do tênis

Beleza natural: flores para lá de lindas iluminam a “Disney World” do tênis

Minha referência a Roland Garros como uma Disney World do tênis vai além do fato de ser um lugar em que se respira o esporte o tempo todo. É que o local tem uma concentração enorme de crianças e adolescentes, todos encantados pelo tênis e muitos com aquele brilho nos olhos de que sonham em se tornar tenistas profissionais e alcançar a glória máxima naquelas quadras. Muitos grupos de pequenos acompanhados de seus professores e treinadores. Grosjean, obviamente, tem status de celebridade. Vários meninos o paravam pedindo autógrafos em bolas de tênis ou bloquinhos de papel, quando eu esperava que chegassem com smartphones (ou, pelo menos, câmeras digitais) e fizessem selfies com o astro.

Felizes em Roland Garros: crianças e adolescentes, fãs do esporte

Felizes em Roland Garros: crianças e adolescentes, fãs do esporte

Depois do tour, mais um momento especialíssimo: assistir às partidas. Mais que a honra de ver Venus Williams e Novak Djokovic em ação, é mágico estar naquele ambiente. De perto, ali diante dos meus olhos, o tênis respira nobreza e muito respeito. É um verdadeiro ritual. Tal qual a frase estampada nas dependências de Roland Garros: “o tênis é mais que um esporte. É uma arte, assim como a dança”. Seu autor é um dos maiores tenistas de todos os tempos, o norte-americano Bill Tilden (1893-1953), número um no ranking durante sete anos.

E o que dizer da sorte de assistir aos jogos de dois dos meus tenistas preferidos da atualidade? Sensacional, mesmo vendo Venus perder para a eslovaca Anna Schmiedlova, o importante era estar lá. Djokovic, por sua vez, levou a melhor diante do francês Jeremy Chardy.

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Venus Williams e Novak Djokovic: em ação nas quadras

Venus Williams e Novak Djokovic: em ação nas quadras

Hora de ver os óculos – Os encantos eram muitos, mas os óculos jamais podem ser deixados de lado. Foi hora de conversar com o diretor global da Marchon para a Lacoste, Gabriele Bonapersona, que apresentou pessoalmente os dois principais destaques da marca do crocodilo para esta temporada. Um aspecto importante é observar que a coleção vem ganhando maturidade no design – desde o lançamento, em 2012, bons passos foram dados. Segundo Bonapersona, a parceria entre Lacoste e Marchon é muito sólida, o que facilita reproduzir o DNA da marca nos óculos de forma cada vez mais criativa. O Brasil está entre os cinco países que mais vendem os óculos Lacoste.

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Viva o Brasil – A primeira novidade é a coleção cápsula Lacoste Rio. Mais brasileira impossível. Até o crocodilo incorporou as cores da nossa bandeira, que também ganham a superfície interna das hastes em estampa que remete ao piquê, o tecido das camisas polo, o ícone maior da marca. São cinco cores de armação (incluindo verde, azul e branco) com opções de lentes espelhadas. A expressão “coleção cápsula” vem do inglês “capsule collection” e define uma minicoleção lançada em caráter especial, seja por meio de colaborações com celebridades, designers ou figuras estratégicas ou por conta de um tema especial, uso de matérias-primas originais etc.

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Lacoste Rio modelo L711S 005

Lacoste Rio modelo L711S 005

Lacoste Rio modelo L711S 315

Lacoste Rio modelo L711S 315

Brilha no escuro – Neon é o nome da segunda grande novidade da Lacoste. Tudo a ver com o verão que a essa altura domina o hemisfério norte. Os tons fortes e iluminados, alvo da escolha de estilistas de acessórios nas últimas temporadas, também marcam presença nos solares de acetato de inspiração aviador, combinados com o preto. O detalhe é que são de fato iluminados, já que brilham no escuro.

Lacoste modelo Neon

Lacoste modelo Neon

Lacoste modelo Neon

Lacoste modelo Neon

Lacoste modelo Neon

Lacoste modelo Neon

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