tamanho da letra : imprimir

A óptica no mundo

A óptica no mundo

Enviar por email

Compartilhar

Hal Holding

GrandVision na bolsa

O fundo de investimentos Hal Holding NV, mais conhecido como Hal, com sedes em Mônaco e no paraíso fiscal caribenho de Curaçau (ilha nas antilhas holandesas) anunciou que está preparando a oferta pública inicial da sua operação de varejo sediada na Holanda, a GrandVision B.V., que fechou 2013 com mais de 4,9 mil lojas próprias, franqueadas e associadas em 41 países da Europa, da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina – inclusive no Brasil com a Fototica, atualmente com cerca de 120 pontos de venda.

A Hal planeja vender de 20% a 25% das ações da GrandVision, na melhor das hipóteses, no final de novembro. As ações serão listadas no braço de Amsterdã da NYSE Euronext, o grupo de bolsas de valores com representações nos Estados Unidos e em vários países da Europa, dependendo, entre outros fatores, das condições nos mercados financeiros.

A GrandVision teve receita de € 2,8 bilhões em 2013 e lucro operacional de € 248 milhões e é o resultado da fusão da Pearle Europe B.V. e da GrandVision S.A. em janeiro de 2011, ambas de propriedade da Hal Holding, a fim de formar a nova empresa, denominada “GrandVision B.V.”.

A Hal entrou na óptica em 1996. A Pearle Europe B.V. nasceu em novembro do mesmo ano com a aquisição da Pearle Netherlands, parte da Pearle Vision Inc., com sede nos Estados Unidos. Adquirindo fortes varejistas locais, desde então a Pearle Europe Group entrou em novos mercados quase todos os anos. Já a GrandVision S.A. foi fundada em 1989 na França pela dupla de empresários visionários Daniel Abittan e Michael Likierman, que criou a rede GrandOptical e, no decorrer dos anos 90, continuou a introduzir novas marcas como Solaris, Générale d’Optique e VisionExpress, e no primeiro semestre de 2004 vendeu o negócio para o fundo holandês.

Essilor International

Mudanças no comando

No final de agosto, a Essilor International anunciou que o executivo John Carrier, presidente da Essilor of America, foi designado como COO (do inglês, “Chief Operating Officer”, sigla que denomina o cargo de diretor executivo de operações) da Essilor International ao lado dos executivos Paul du Saillant e Laurent Vacherot que, por longo tempo, têm atuado como co-COOs.

Carrier, que esteve à frente da Essilor of America nos últimos sete anos, permanecerá como CEO (do inglês, “Chief Executive Officer”, sigla que denomina o cargo de diretor executivo) do braço norte-americano da corporação francesa. Em sua nova função, continuará baseado em Dallas, estado norte-americano do Texas, e será responsável, globalmente, pelas áreas de pesquisa e desenvolvimento, marketing estratégico, propriedade intelectual e negócios de internet da Essilor.
O executivo da Essilor de longa data, Eric Leonard, que mais recentemente atuava como presidente da Essilor para a Europa, foi nomeado presidente da Essilor of America.

Tanto Carrier quanto Leonard são executivos da Essilor de longa data. O primeiro passou seus primeiros anos na área de logística e distribuição nos Estados Unidos e na França. Mais tarde, tornou-se gerente geral da subsidiária suíça da Essilor. Em 1996, retornou a matriz para assumir o comando do marketing estratégico. Dois anos depois, passou a vice-presidente de marketing da Essilor of America e, em 2003, foi promovido a presidente da Essilor Laboratories of America e nomeado presidente e CEO da Essilor of America em janeiro de 2007.

Já Leonard, com formação em engenharia, começou sua carreira na Essilor International em 2002 como Chief Sourcing Officer. Em 2004 e 2005, atuou como diretor-executivo da Transitions Optical e de 2005 a 2010, como gerente geral da Essilor França, quando foi nomeado como presidente da Essilor Europa.

Safilo e Kering

Novo jeito de fazer negócios

A Safilo e o conglomerado francês de luxo, moda e produtos esportivos Kering (até março de 2013 conhecido como PPR, sigla para “Pinault-Printemps-Redoute”) anunciaram, nos primeiros dias de setembro, mudanças no acordo de licença da Gucci diante da decisão do Kering de internalizar a maior parte de sua operação de óculos. Tal alteração pode inaugurar uma nova era no negócio de concessão de licenças para o design, a fabricação e a distribuição de coleções de óculos de grifes e marcas.

Como parte desse movimento estratégico, Kering e Safilo decidiram evoluir sua parceria estabelecida há mais de duas décadas. Para começar, concordaram em rescindir o contrato atual de licenciamento da Gucci dois anos antes, isto é, em 31 de dezembro de 2016. Em compensação, o Kering pagará € 90 milhões a Safilo divididos em três parcelas entre 2014 e 2018.

A fim de se beneficiar da experiência e da capacidade de produção da Safilo, as duas partes colocarão em prática uma parceria estratégica de produto por quatro anos, com início em janeiro de 2017 e renovável mediante decisão mútua que abrange o desenvolvimento, a fabricação e o fornecimento de óculos Gucci by Safilo, e está sujeita à assinatura de acordos de longa duração até o final do ano.

A operação de óculos das marcas que integram o conglomerado está avaliada € 350 milhões, o que o faz um dos cinco maiores no setor. Onze marcas do Kering atuam na categoria eyewear, nove das quais são gerenciadas por meio de contratos de licença com cinco parceiros diferentes e geram royalties (do inglês, termo que define a porcentagem das vendas paga a uma empresa pelo licenciamento de uma marca) consolidados de aproximadamente € 50 milhões.

A fim de maximizar o potencial de seu portfólio de marcas, o Kering está formatando um novo modelo de negócio, por meio do qual controlará totalmente sua operação de óculos, desde a concepção até o desenvolvimento de produtos e a distribuição e do branding (do inglês, “gestão de marca”) e do marketing às vendas.
Todas as marcas terão seus processos conduzidos de forma independente sob a liderança de seus respectivos diretores criativos. No entanto, o Kering está fundando uma divisão exclusivamente especializada em óculos sob a direção do executivo italiano Roberto Vedovotto, CEO da Kering Eyewear e CEO da Safilo por mais de uma década.

Vedovotto e sua equipe serão co-acionistas nessa nova divisão, que controlará a concepção, o desenvolvimento de produtos e a força de vendas, bem como a supervisão total dos fornecedores industriais externos e do aprimoramento da distribuição em todos os canais com foco específico nas marcas operadas pelo Kering.
Segundo Vedovotto, “óculos representam uma categoria estratégica para o conglomerado. Por meio desse projeto inovador, o Kering tem por objetivo fazer cada marca cumprir seu pleno potencial de crescimento nesse segmento de negócio, aproveitando o apelo único de cada uma delas”.

O Kering está entre os maiores conglomerados de grifes de luxo, moda, esporte e estilo de vida. Tem em seu portfólio as marcas Gucci, Bottega Veneta, Saint Laurent, Alexander McQueen, Balenciaga, Brioni, Christopher Kane, McQ, Stella McCartney, Tomas Maier, Sergio Rossi, Boucheron, Dodo, Girard-Perregaux, JeanRichard, Pomellato, Qeelin, Puma, Volcom, Cobra, Electric e Tretorn. Está presente em mais de 120 países, com receita de € 9,7 bilhões e 35 mil funcionários em 2013.

Alguns dias depois, um porta-voz do Kering conversou com o VMail, publicação virtual da Jobson Publishing, sobre os planos para as demais licenças de óculos. A informação é que o conglomerado está “conversando com as empresas licenciadas sobre o momento adequado para internalizar cada uma de suas marcas”, o que ocorrerá em conformidade com os termos de suas licenças atuais, aguardando o encerramento de cada uma delas. Além disso, a nova divisão será implantada no decorrer de 2015 e a previsão da internalização das primeiras licenças em janeiro do ano seguinte, prazo que coincidirá com a expiração de alguns dos acordos com as corporações de óptica.

Luxottica

Chega ao fim a era Andrea Guerra

Os rumores que circularam no final de agosto sobre a saída do CEO (do inglês, “Chief Executive Officer”, sigla que denomina o cargo de diretor executivo) da Luxottica, Andrea Guerra, após uma década à frente da corporação italiana, se confirmaram em 1º de setembro.

Hoje com 49 anos, Guerra foi o primeiro CEO profissional da Luxottica e mais que dobrou a receita da maior corporação de óptica do planeta, fechando 2013 com € 7,3 bilhões e produção de mais de 77 milhões de peças. O executivo expandiu as operações globalmente e comandou uma série de aquisições, incluindo a compra da Oakley em 2007 e da indústria brasileira Tecnol em 2011.

Aos 80 anos, Leonardo Del Vecchio é considerado uma figura quase mitológica no universo italiano dos negócios. Fundou a Luxottica em 1961 e é o segundo homem mais rico do país com fortuna avaliada em € 20 bilhões. Em 2004, contratou Andrea Guerra, que vinha de outra empresa famíliar, a Indesit (fabricante de produtos de linha branca), para substituí-lo na função de CEO, raro exemplo na Itália de um patriarca delegando um cargo de liderança dos negócios já na primeira geração.
Imediatamente após a confirmação da saída de Guerra, a Luxottica anunciou uma nova estrutura de comando baseado no modelo de co-CEOs, isto é, uma dupla de diretores executivos, um com foco nos mercados e outro dedicado às funções corporativas. De acordo com a empresa, “a evolução para a liderança de co-CEOs com responsabilidades distintas e complementares irá garantir uma gestão mais forte do grupo, que tem aumentado rapidamente seu tamanho, sua complexidade e sua presença global nos últimos anos”.

O atual gerente geral e CFO (do inglês, sigla para “Chief financial officer”, isto é, diretor financeiro), Enrico Cavatorta, foi apontado como o CEO responsável pelas funções corporativas e também ocupará interinamente a segunda função, até a chegada do novo executivo. Cavatorta, atualmente com 53 anos, começou na Luxottica em 1999, tornando-se diretor quatro anos mais tarde. Antes, trabalhou em empresas como Piaggio & C, McKinsey & Co. e Procter & Gamble.

De acordo com a declaração oficial da empresa, Andrea Guerra deixa o posto de CEO após debates com o presidente Leonardo Del Vecchio sobre a estratégia e a direção futura da corporação, depois de uma década de consolidação e crescimento organizacional. “Demonstrando grande energia, paixão e profissionalismo, Guerra contribuiu para reforçar a presença do grupo e suas marcas no mercado, com excelentes resultados.”

Em conferência com analistas financeiros após o anúncio do novo modelo de comando de co-CEOs, Enrico Cavatorta reiterou que a Luxottica não está mudando sua estratégia. “A meta é continuar aumentando a distribuição no atacado e no varejo. No atacado, há mais oportunidades em alguns mercados, como o Sudeste Asiático. Já no varejo, a empresa confirma o interesse de expandir mundialmente o negócio de óculos solares e ampliar a presença do varejo de óptica nos mercados emergentes”.
Em entrevista concedida ao jornal britânico de negócios Financial Times, Del Vecchio revelou que tem em mente novas aquisições e planeja uma receita que supere os € 14 bilhões nos próximos dez anos. E, bem humorado, comentou: “as pessoas jovens como eu, quase todas usam óculos solares. E essa tendência vai aumentar da mesma forma que o total de pessoas jovens como eu também aumentará”

O Financial Times também revela que a Luxottica cogitou uma aliança com a corporação francesa Essilor dois anos atrás. Del Vecchio, que detém 66% das ações da empresa, disse que, no final, decidiu que não era um bom negócio, porque, para fazer o negócio funcionar, teria de diluir sua participação acionária. “É claro que eu não podia aceitar isso”, declarou.

O segundo co-CEO assumirá até o final do ano e provavelmente ficará baseado nos Estados Unidos. Cavatorta explicou que o co-CEO com foco em mercados será responsável por vendas, marketing e marcas no atacado e pelo varejo óptico e de solares, além da emergente área de e-commerce.

Enviar por email

Compartilhar

Últimas edições