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A Expo Abióptica em versão pocket

Acompanhe nesta e nas próximas páginas a cobertura completa da edição de número nove da Expo Abióptica, promovida pela Associação brasileira da indústria óptica (Abióptica) e realizada de 13 a 16 de abril, em novos domínios – agora no Expo Center Norte.
Ana Lima, Andrea Tavares, Graziela Canella e Sabrina Duran Ana Lima, Andrea Tavares, Becaclick, Debora Alves, Flavio Bitelman e Nara Monteiro

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O calendário mundial da óptica mudou, a crise veio, as corporações adotaram novas práticas comerciais com os lojistas, a crise foi… A revolução que começou no segundo semestre de 2008 chegou ao fim estabelecendo um novo cenário para a óptica e um dos efeitos foi o redimensionamento das feiras de negócios. A brasileira Expo Abióptica deixa definitivamente para trás seus dias de opulência, cheios de grandiosidade e com mais de uma centena de expositores, mas já demonstra sentir-se à vontade com sua versão pocket (“do inglês”, “versão de bolso”), mais “vida real” e com menos expositores (pouco mais de 70, inclusive sem alguns de grande porte), mas muito mais preocupada com a qualidade do evento e a rentabilidade do investimento realizado pelas empresas que decidem exibir seus lançamentos na feira que é considerada a maior da América Latina.

Obviamente, as expectativas eram altas no que diz respeito ao aumento do movimento de público na versão 2011 da Expo Abióptica. Afinal, a feira “mudou de casa” – agora o Expo Center Norte, depois de oito anos de Transamérica Expo Center, na zona sul da cidade. Por estar localizado na zona norte, o novo local de exposições oferece muito mais possibilidades de acesso (estação de metrô e rodoviária), sem falar na relativa proximidade com o centro da cidade e o aeroporto internacional de Guarulhos. No entanto, o volume de público manteve-se semelhante ao das últimas edições. Mas isso não impede que boa parte dos expositores tenha encerrado os quatro dias de exposição com números positivos, satisfeitos com as vendas e os contatos estabelecidos durante o evento.

Além do primeiro ano de mudança, que pode ser considerado como um período de transição, naquele mesmo período São Paulo recebia eventos de grande porte como as feiras de negócios Abrin (brinquedos), Automec (autopeças) e Tecnotêxtil (tecnologias para a indústria têxtil), e ainda três shows da banda irlandesa U2 (o último, inclusive, ocorreu no primeiro dia da feira), o que trouxe muita gente para a cidade e gerou a lotação dos hotéis, impedindo a vinda dos profissionais de óptica que deixaram suas reservas para a última hora.

Mais 6%, menos 25% – O total de visitantes foi quase o mesmo, com queda de apenas 2%, resultado comum para um ano de mudança. Já a variação no número de visitações foi significativa: embora a Abióptica tenha informado aumento de 6% em relação a 2010, os registros da VIEW (compostos por relatórios fornecidos pela própria associação nos anos anteriores) apontam uma queda de 25% comparando-se com o ano passado. Para entender melhor, é bom conhecer a diferença entre os dois tipos de contabilização. Enquanto na de visitantes, é registrado o total exato de pessoas que vieram à feira, na de visitações considera-se o número de vezes que o crachá foi apresentado na entrada do evento – isto é, se um profissional visitou a feira por três dias, somam-se três visitações. Essa considerável diferença no número de visitações de um ano para o outro pode indicar que por se tratar de uma feira adequada aos novos tempos, em uma versão mais pocket, o visitante consegue “dar conta dela” em apenas um dia.

Boas-vindas ao futuro – Os novos tempos também podiam ser notados em outros setores. Um dos destaques ficou por conta da interatividade que tomou conta da Expo Abióptica, com atrações que prendiam a atenção dos visitantes a cada stand. Durante a feira, também foram divulgados novos números sobre o mercado, o que não ocorria desde 2008 – veja a cobertura completa também nesta edição, em Economia & Mercado.

Cartões distribuídos por toda a feira prometiam uma surpresa para as suas últimas horas. O mistério foi resolvido quando às 20h do dia 16, a escola paulista Império de Casa Verde assumiu o controle e fez a Expo Abióptica 2011 terminar em samba, literalmente, e ser o prenúncio do enredo da escola para o ano que vem, quando levará para a avenida o tema óculos e visão, pelas mãos do carnavalesco carioca Roberto Szaniecki.

De olho na próxima edição – De acordo com a organização, o aumento de 20% no volume de negócios em relação ao ano passado (de R$ 463 milhões para R$ 550 milhões) foi um dos principais motivos que contabilizou os 75% de avaliação positiva à feira. Tanto que, na semana seguinte ao encerramento, 95% das áreas já haviam sido confirmadas para 2012, ano em que a Abióptica completa 15 anos de fundação e realiza a décima edição da feira, que ocorrerá na última semana de abril, mais precisamente de 25 a 28 (quarta-feira a sábado).

Segundo o presidente da Abióptica, Bento Alcoforado, a meta para o ano que vem é crescer a feira em 5 mil metros quadrados. “O acréscimo permitirá a entrada de novos expositores – pelo menos, mais cinco empresas nacionais já manifestaram interesse em integrar a feira”, explica. Para participar do evento, a empresa deve ter um número no Cadastro nacional de pessoas jurídicas (CNPJ), ser associado da Abióptica há mais de um ano e receber aprovação do conselho.

Outra perspectiva para aproveitamento do novo espaço, revela Alcoforado, é a abertura da feira para empresas internacionais, com “pavilhões regionais”, próprios para integrantes das associações da França e da Itália, países que realizam as principais feiras do setor. “Essa iniciativa deve ter um impacto bastante positivo na medida em que atrairá mais mídia, visitantes e empresários do setor à Expo Abióptica. Nas principais feiras internacionais, já existe uma grande participação de empresas estrangeiras. Por aqui, esse novo formato ainda depende da aprovação do conselho”. Essas e outras novidades serão confirmadas em agosto, quando ocorre o lançamento da Expo Abióptica 2012.

Total de visitantes

2011 2010
12.355 14.991

Total de visitações

2011 2010
16.300 22.013

Top 10 dos estados

2011 2010 2009
1 São Paulo 8.753 São Paulo 8.594 São Paulo 7.912
2 Rio de Janeiro 621 Rio de Janeiro 735 Rio de Janeiro 712
3 Minas Gerais 413 Minas Gerais 415 Paraná 435
4 Paraná 358 Paraná 387 Minas Gerais 427
5 Bahia 308 Bahia 374 Rio Grande do Sul 204
6 Santa Catarina 283 Santa Catarina 223 Bahia 204
7 Rio Grande do Sul 196 Rio Grande do Sul 220 Santa Catarina 182
8 Pernambuco 169 Ceará 200 Pernambuco 123
9 Ceará 168 Pernambuco 177 Ceará 118
10 Paraíba 110 Pará 135 Goiás 86

Sede do evento, São Paulo segue como primeiro no ranking suplantando em quase 15 vezes o Rio de Janeiro, na segunda posição. Minas Gerais continua no terceiro lugar, mantendo praticamente o mesmo número de visitantes em relação ao ano passado. As mudanças surgem a partir da oitava colocação com Pernambuco e o quase empate com Ceará e a grande surpresa garantida pela Paraíba, que salta da 17ª colocação atingida em 2010 para o décimo lugar deste ano, estreando no Top 10 de visitações.

Presença gringa

1 Argentina 28
2 Estados Unidos e Paraguai 18
3 China 14
4 Bolívia 12
5 Uruguai 10
6 Itália 8
7 Venezuela 7
8 Espanha e Peru 6
9 Colômbia e França 5
10 Chile e Coreia do Sul 4
11 Portugal 3
12 Angola, Equador, Israel, Japão e Turquia 2
13 Alemanha, Canadá, México e Suíça 1

Com o aeroporto internacional mais próximo, a participação estrangeira voltou a crescer, saltando de 131 para 162 visitantes. A Argentina garante o primeiro lugar com 28 visitantes. Estados Unidos e Paraguai empatam em segundo, ambos com 18 pessoas. O terceiro lugar fica com a China, que nas duas últimas edições ocupou postos bem mais baixos com apenas quatro profissionais. Ao todo, a Expo Abióptica recebeu visitantes de 24 países, contra 26 da edição anterior.

Obs.: números fornecidos pela Abióptica.

Em 4 dias de Expo Abióptica, circularam 12.355 visitantes pelos três pavilhões, perfazendo 19.100metros quadrados, que abrigaram pouco mais de 70 expositores, gerando R$ 550 milhões em negócios.

 

“Há dois aspectos muito diferentes quando se fala em resultados da feira. Para a ARK, a feira foi positiva no sentido de estreitar relacionamentos, fazer contatos, rever os clientes de vários estados em um mesmo lugar. Mas não correspondeu às expectativas em termos de negócios e não acho que a mudança tenha feito diferença. O caminho é criar novos atrativos para os lojistas; é hora de os associados da Abióptica se reunirem para pensar em alternativas que incentivem os negócios e levem os visitantes a comprar mais durante o evento.”
Roberto Katz (ARK)
“O movimento de profissionais no stand foi menor, comparando-se com o do ano passado, porém, o volume de negócios foi maior (20% superior em relação a 2010). A Carl Zeiss Vision acredita que a mudança de local tenha qualificado o perfil dos visitantes, daí os resultados do volume de negócios terem sido tão diferentes nesses dois anos.”
Eric Beraldo (Carl Zeiss Vision)
“Em termos gerais, era o que os clientes esperavam: mais facilidade em termos de transporte, hospedagem e alimentação. Para a Clair Mont, foi bem melhor. Nos três primeiros dias, houve um aumento de 30% nas vendas em relação a 2010. Isso se deve não apenas à mudança de lugar, mas também à renovação do stand, mais conceitual, com elementos da cultura mineira para fortalecer as raízes da empresa.”
Jean-Luc Lacastagneratte (Clairmont)
“A movimentação no stand da CM foi bem maior em relação ao ano passado. A mudança para a zona norte facilitou o acesso e a estadia dos clientes que vêm de outros estados. Em termos de infra-estrutura para o expositor, o Transamérica Expo Center é bem melhor, mas o mais importante é que os lojistas estejam satisfeitos.”
Jorge Haubrich (CM)
“Nos dois últimos dias, notei mais movimentação em relação a 2010. O ritmo de vendas da CMC foi maior em relação ao ano passado – há muitos lançamentos e por isso é bom saber que a feira tem mais público por conta das facilidades de transporte.”
Ricardo Zorzenão (CMC)
“Como a maioria dos expositores, a Di Vialle gostou bastante da mudança para a zona norte, mas acredito que a feira atrairia mais público caso ocorresse em uma data mais adequada. No próprio Expo Center Norte, outras duas feiras ocorreram simultaneamente à Expo Abióptica, além de outra no Anhembi, que fica bem próximo. Além disso, houve o show do U2 e a Virada Cultural. Tudo isso atrapalha; muitos clientes não puderam vir porque os hotéis ficaram lotados.”
Claudio Pires (Di Vialle)
“Este ano, a feira foi bem melhor por conta da mudança de endereço, principalmente para quem vem de outras cidades e depende de rodoviária e aeroporto. E quando há mais gente, estimula-se o ambiente comercial. Há clientes que vieram para fazer negócios e outros para conhecer e buscar aprimoramento. Quando conhecem o que a empresa oferece, acabam se empolgando e fazendo negócio também. Eu não vejo a feira como resultado para apenas quatro dias, mas também para negócios futuros, para alguns meses.”
Hercules Penachio (Essilor)
“A mudança foi ótima e isso certamente refletiu muito no resultado da empresa. A facilidade do acesso permitiu que as pessoas chegassem mais rápido à feira e tivessem mais tempo para interagir com seus fornecedores, sem a preocupação com a distância ou até mesmo com a condução na hora da saída. O novo local permitiu também que a chegada de caravanas de outros estados fosse mais bem ordenada em função da distância dos terminais de metrô e ônibus. Além disso, a feira estava bem eclética em termos de público. Isso é muito bom, porque incentiva o consumo.”
Tom Lyra (General Optical)
“A Expo Abióptica ficou mais compacta. Há um mix de pessoas que vêm para fazer negócio, outras por curiosidade, mas essas que vêm por curiosidade acabam gerando oportunidade de negócios no futuro. Acho ainda a feira que deveria ser organizada por setores, como equipamentos, lentes oftálmicas, armações etc. Isso permitiria ao visitante encontrar com mais facilidade o que está buscando. A expectativa da Marchon era dobrar o faturamento e a meta foi atingida.”
Luca Dalla Zanna (Marchon)
“O volume de negócios foi satisfatório. Não creio que a mudança de endereço tenha grande impacto sobre isso, pois os profissionais que estão dispostos a vir à Expo Abióptica sempre comparecem, não importa o local. Em se tratando de funcionalidade para o expositor, prefiro o Transamérica, mas o Expo Center Norte também é um bom espaço.”
Marcello Reverzani (Marcolin)
“A Master Glasses sempre reivindicou a mudança de local. Nos arredores do Expo Center Norte, há mais opções de transporte, a proximidade com o aeroporto de Guarulhos, que frequentemente oferece passagens com preços mais acessíveis em relação ao aeroporto de Congonhas, assim como os hotéis, que atendem todas os públicos. Um cliente veio de Rondônia só por conta da mudança de lugar e os clientes nordestinos estiveram em peso na feira este ano.”
Mariana Blinder (Master Glasses)
“Como expositor, eu preferia o Transamérica Expo Center, por conta da proximidade com o hotel e os eventos, do estacionamento e da infra-estrutura. Para os visitantes, porém, não tenho dúvidas de que o Expo Center Norte seja a melhor opção, especialmente pela facilidade no transporte por metrô e os trajetos mais curtos entre hotéis e aeroportos. Muitos lojistas elogiaram a mudança, o que é bom para os negócios, já que a feira é feita para eles. O stand da Mormaii cresceu 100 metros quadrados, o que contribui para a fixação da marca e a prospecção de novos negócios – como resultado, também houve crescimento nos negócios.”
Valter Tomazzoni (Mormaii)
“Quando a Optical Designs decidiu participar da Expo Abióptica, o objetivo principal era divulgar a Absurda. Não havia expectativas de vendas nessa primeira edição, portanto estou feliz com os resultados. Os efeitos aparecerão ao longo do ano, pois muitos potenciais clientes vieram conhecer a marca. Visitei a Expo Abióptica no Transamérica e aprovo a mudança, a infra-estrutura do Expo Center Norte é muito boa. Só acredito que a feira não precise durar quatro dias, tudo o que ocorre aqui poderia tranquilamente se concentrar em três dias.”
Diego Cohen, o Popa (Optical Designs)
“A mudança para o Expo Center Norte me pareceu favorável em função de sua localização estratégica. Em termos de resultados, por ser a primeira participação da Opticlass na Expo Abióptica, foi bastante satisfatória. A presença na feira não estava prevista, mas eventualmente surgiu a oportunidade e fico feliz apenas de ter alcançado o objetivo de estar aqui.”
Carlos Guilherme (Opticlass)
“Apesar de bem localizada para os visitantes em comparação aos anos anteriores, creio que a mudança de endereço da feira não teve efeito sobre os índices de visitação. A Óticas Carol atingiu suas expectativas. Durante a feira, foram fechados 70% da meta prevista de franquias. Mas o objetivo principal foi apresentar as novidades e as marcas exclusivas aos investidores e franqueados. Houve um crescimento de 25%.”
Ronaldo Pereira (Óticas Carol)
“Apesar de já estar habituado com a logística necessária para longas distâncias, acredito que a feira foi beneficiada com a mudança de lugar, não necessariamente para os expositores, mas para os lojistas. A visitação foi constante e o ritmo de vendas foi tão bom quanto nas outras edições.”
Cesar Tavano (Stepper)
“A mudança foi boa, está tudo mais acessível para o cliente. O único ponto negativo foi a data coincidir com outros grandes eventos na cidade, o que acabou atrapalhando o fluxo do público. Quanto à performance da Suntech, os resultados foram superiores aos de 2010 – 30% a mais nos três primeiros dias. O stand tinha o dobro do tamanho do ano passado e a equipe também aumentou. Tudo isso contribuiu para melhorar os negócios.”
Silvio Cornaviera (Suntech Supplies)
“A feira é muita importante para a Transitions, já que é uma grande oportunidade de encontrar toda cadeia de distribuição de fabricantes de lentes, laboratórios e ópticos. Nestes 20 anos, a empresa sempre valorizou o mercado óptico brasileiro, investindo e divulgando o segmento. É gratificante receber todos no stand e ouvir como a Transitions cumpre o que promete. Tendo isso em mente, afirmo que a participação na Expo atingiu os objetivos.

Sobre o novo endereço, acredito que mudanças são sempre positivas e bem-vindas. Chegar à feira ficou mais fácil para os visitantes e o pavilhão também oferece uma boa infra-estrutura aos expositores.”
José Alves (Transitions)

“Tanto em relação às vendas como ao público, os primeiros dias foram muito melhores comparados aos da última edição. Além da mudança de lugar, a alteração no horário dos sábados também foi muito benéfica. Com a ampliação do horário até as 19h no sábado, todos puderam aproveitar, sem pressa. Tudo isso ajuda bastante no melhor ponto da feira: o relacionamento com os clientes.”
Geraldo Maia (Viva)

 

 

 

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