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Opinião

Oliver Kastalio

Em sua primeira visita ao Brasil, o CEO [do inglês, "Chief Operating Officer", sigla que denomina o cargo de diretor executivo] da Rodenstock, Oliver Kastalio, conversou com a VIEW sobre a aquisição integral de sua parceira brasileira, a Igal, fazendo nascer no país a subsidiária local da companhia alemã, a Rodenstock Brasil, que continuará sob o comando do empresário Eliezer Lewin. Acompanhe nesta e nas próximas páginas os melhores momentos da conversa com o Kastalio, alemão de 48 anos que há dois ocupa a função de CEO e tem experiência de 19 anos em posições de liderança em corporações como a Procter & Gamble, a gigante global de bens de consumo nas áreas de higiene pessoal, beleza, limpeza doméstica etc.
Andrea Tavares Divulgação Colaboração Laís Clemente

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A divulgação da formação da Rodenstock Brasil ocorreu em 16 de agosto por meio de um comunicado oficial. Nesse mesmo informe, a corporação anunciou também a sua performance positiva nos primeiros seis meses do ano, com um aumento de 7% no seu volume de negócios.

Com 135 anos de existência, a empresa alemã produz lentes oftálmicas, armações de receituário e óculos solares, está sediada em Munique e tem cerca de 4,3 mil funcionários em mais de 80 países por meio de filiais e parcerias de distribuição, além 13 de fábricas em 11 países.

Em 2011, seu crescimento global foi de 7% atingindo os € 196,3 milhões, diante dos € 183,6 milhões no ano anterior. O número de lentes comercializadas avançou 9% com 10,6 milhões de unidades, enquanto a venda de armações manteve-se estável, ficando em 700 mil unidades.

Como foi a aquisição da Igal para transformá-la em Rodenstock Brasil?

Há uma longa história entre a Rodenstock e a Igal, de quase um século. A parceria sempre foi produtiva, porque a Igal manteve seu foco exclusivamente na marca Rodenstock. Um exemplo foi o sucesso do laboratório com tecnologia free form instalado há cerca de cinco anos no Rio de Janeiro. E por conta dessa boa relação de negócios, construída com base na confiança e no respeito mútuos, a Rodenstock tem acompanhado de perto o desenvolvimento do mercado brasileiro, já que o crescimento internacional é uma parte importante na estratégia do grupo Rodenstock.

Já faz mais de um ano que eu e Eliezer começamos a discutir a ideia da Rodenstock Brasil. Hoje, 12 meses depois, temos certeza de que é uma ótima oportunidade para ambas as partes. A Igal e sua equipe passam a fazer parte da família Rodenstock e isso traz mais oportunidades, a fim de que esse negócio de sucesso cresça ainda mais. E a união de forças permite uma visão mais ampla para planejar ainda melhor o futuro.

O momento atual é de integração. A Igal era uma empresa brasileira independente e agora é parte de um grupo internacional. O que significa que a minha obrigação e comprometimento é garantir, por um lado, a adoção de certos padrões e, por outro lado, há a necessidade e o desafio de proteger aquilo que está funcionando bem.

Como executivo, já adquiri e integrei muitas companhias e é importante manter certa sensibilidade com as necessidades e os hábitos locais. E aprendi que há um jeito brasileiro de fazer as coisas, que, por vezes, é diferente do alemão. Quando se vem ao Brasil, faça como os brasileiros. Então, é mais ou menos essa a minha receita para ter sucesso nesse mercado.

Será preciso mudar algumas coisas em busca de novas oportunidades para o futuro, mas o que está funcionando está protegido. E isso começa pela liderança. Eu estou muito feliz por ter conseguido manter o Eliezer, que se comprometeu por, pelo menos, dois anos. Vamos ver o que o futuro traz, mas, por enquanto, estou muito feliz com essa consistência na liderança.

Isso vale também para todos os outros elementos do negócio como operações de gerência, processos e sistemas, produção, qualidade e inovação. Não se trata de promover mudanças só pelas mudanças. Obviamente, as oportunidades serão analisadas para que tudo seja executado de uma forma ainda melhor. Antes, Igal e Rodenstock eram parceiras, agora são uma só empresa e a Rodenstock está ainda mais aberta para compartilhar sua experiência e seu conhecimento, gerando mais eficácia para a Rodenstock Brasil.

Estou falando sobre a capacidade de ir para o mercado, a proximidade com os consumidores-chave, que são as ópticas, e também com o consumidor final. Mas isso é algo que será pensado em conjunto durante as próximas semanas e meses, para, então, ser colocado em prática, passo a passo, fazendo o que é certo para as pessoas e para os negócios.

Fale-me mais sobre os planos para o futuro.

A Igal está em um caminho de muito sucesso. Quadruplicou suas vendas nos últimos seis anos, tanto em lentes oftálmicas quanto em óculos, e o potencial de crescimento continua sendo muito bom. Além do bom desempenho nas lentes oftálmicas, a Igal também foi muito bem nos negócios de armações nos últimos dois anos. A meta é crescer na casa dos dois dígitos ano após ano, levando-se em conta o tamanho do mercado brasileiro.

Com a abertura da Rodenstock Brasil, creio que o país passou a ser estratégico no mapa da Rodenstock…

Sim. E será ainda mais no futuro. Como já disse, o crescimento dos negócios internacionais é uma parte importante do plano de crescimento da empresa. O que estou fazendo é identificar as maiores oportunidades para, então, focar nelas. E o Brasil é uma dessas oportunidades, daí a razão de adquirir a Igal.

Obviamente, o Brasil representa hoje uma porção relativamente pequena do total dos negócios da Rodenstock, mas a expectativa é a de que a operação brasileira avance proporcionalmente.

E quais são os planos para crescer a participação de mercado da Rodenstock no Brasil?

Primeiramente, a Rodenstock já é um negócio de porte, mas, levando-se em conta todo o mercado, ainda é relativamente pequeno. Como já citei, a meta é continuar o crescimento, até porque a Rodenstock dispõe de algumas credenciais que a concorrência não pode oferecer. A começar pelo fato de ser especialista em lentes progressivas e no segmento de alto valor agregado.

Muito se fala que a Rodenstock é a melhor e isso a empresa pode provar ao oferecer as melhores lentes oftálmicas, fabricadas individualmente para as necessidades de cada usuário, considerando-se todos os aspectos de qualidade. E também tem outros tipos de produtos e não é uma fornecedora de nicho, comercializando apenas alto valor agregado. Trabalhar com a Rodenstock significa contar com todo o espectro de lentes oftálmicas, partindo da visão simples até as mais sofisticadas.

Um detalhe é que a Rodenstock é a única corporação internacional que não vende somente lentes, mas também armações. E não se trata só de uma empresa, também é uma marca. Uma marca com uma história de 135 anos, longevidade que dá orgulho. E uma marca alemã, algo do qual, de certa forma, também dá orgulho, pelo fato de que a Alemanha tem uma reputação muito boa globalmente em termos de heranças empresarial e tecnológica e, também no Brasil, uma reputação de oferecer alta qualidade.

Essa combinação de lentes oftálmicas e armações é o sistema perfeito de visão. E o comprometimento da Rodenstock é fornecer os melhores produtos e serviços para o consumidor. Porque não é só um produto, é a forma pela qual a Rodenstock oferece suporte para o óptico em todo o processo. E essa construção da marca alemã que é a Rodenstock é o que a separa da concorrência.

Como você vê o mercado óptico brasileiro?

É óbvio que a Rodenstock não é a única a olhar para o Brasil. E não apenas na óptica, porque há muita coisa ocorrendo no país. Trata-se de um mercado com um grande número de pessoas com renda em ascensão e, por isso, há muitos olhos voltados para o Brasil.

O que eu vejo ocorrer na óptica não é tão diferente de outros segmentos. Vejo que as grandes corporações internacionais – e na óptica dá para contá-las nos dedos de uma mão – estão todas presentes. Além disso, também há fabricantes locais, que são menores, mas ágeis e que conhecem o mercado local e, por isso, são bem-sucedidos dentro das suas possibilidades e de suas áreas.

Vejo um crescimento de demanda no Brasil por produtos de alta qualidade. O consumidor brasileiro pede por um produto de performance superior, isto é, seus óculos são essenciais para que enxerguem melhor, mas também se tornam cada vez mais elementos de estilo e beleza.

Não se trata apenas de uma prótese corretiva, mas também algo que melhora o visual, sua aparência. E o consumidor brasileiro, com todo o direito, se torna mais exigente, mas também está disposto a pagar para ter o melhor produto possível. Então, essa é a tendência que vejo tanto para as lentes oftálmicas quanto para as armações e estou convencido de que as empresas que melhor conseguirem atender as necessidades do consumidor serão as mais bem-sucedidas.

Até então, a Igal mantém um laboratório central no Rio de Janeiro atendendo todo o mercado brasileiro. Esse modelo será mantido agora com a Rodenstock Brasil?

Essa é um dos pontos que será avaliado nos próximos meses. Hoje, há um laboratório no Rio de Janeiro e filiais em São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curitiba e, em breve, em Fortaleza. Sem dúvida, o Brasil é enorme. Então, ter um laboratório central tem as suas vantagens em termos de escala e eficiência das operações, mas, obviamente, também há desafios de logística em um país tão grande.

O desafio é procurar novas oportunidades, isto é, equacionar a melhor forma de estar presente em outros estados do Brasil nos quais a Rodenstock ainda não atua ativamente, mas, obviamente, mantendo sempre o DNA do produto Rodenstock.

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