tamanho da letra : imprimir

Um outro olhar

A vida é muito curta para… parte 3

Andrea
Editora da VIEW e maníaca por óculos

Encerro nesta edição a série “a vida é muito curta para…”, cuja inspiração tomou conta de mim de uma forma meio mandona há duas edições. Ela chegou chegando e me fez elencar mentalmente várias situações com as quais gastamos tempo, desperdiçamos energias e perdemos o rumo da felicidade. A vida é definitivamente muito curta quando a gente pauta a vida por elas.

…só vender e não orientar. Vamos falar um pouco de óptica propriamente dita. O ato de vender rápido e fácil, no melhor estilo “tirador de pedido”, pode até ter seu valor, mas nada como uma boa venda, cheia de orientação. Além de gerar bon$ fruto$, traz a oportunidade de conhecer pessoas interessantes, compartilhar boas energias, ouvir boas histórias, praticar a gentileza e desenvolver seus talentos, já que a orientação requer conhecimento e experiência. Orientar também é aprender.

…pautar suas escolhas pelas opiniões das outras pessoas. Precisar de alguém para legitimar as próprias decisões é mais uma das muletas que nós, seres humanos, inventamos para nos apoiar emocionalmente. O problema é que, tempos depois, parece ser impossível livrar-se da tal muleta. Vale fazer um esforço (mesmo quase que sobre-humano) para andar pelas próprias pernas, assumindo as escolhas que se faz. Obviamente, é legal ter amigos e familiares com quem partilhar a vida, mas precisar consultar alguém o tempo todo sobre qualquer decisão que se precise tomar enfraquece o espírito.

…abrir mão das palavrinhas mágicas. Anos atrás, compartilhei aqui na coluna a definição de respeito que aprendi com um sábio. Simplesmente, a melhor definição de respeito que já ouvi: usar as palavras mágicas, expressão que muitas mães e professoras dos mais jovens costumam usar. “Obrigada”, “com licença”, “por favor”, “bom dia”, “boa noite” e “desculpas” são passaportes de gentileza para receber mais gentileza em troca. Anos atrás, convivi com uma pessoa no ambiente de trabalho que, ao final de todos os telefonemas, dizia um sonoro “obrigada”. Talvez isso me chamava ainda mais atenção porque ela tinha uma personalidade um pouco arisca e nem sempre chegávamos a consensos em nossas missões profissionais, mas, no final de tudo, ela sempre agradecia. Foi um super exemplo: posso dizer que, depois disso, “obrigada” passou a figurar com muito mais frequência no meu dicionário do dia-a-dia. Desculpar-se também é essencial. Quantas vezes uma pessoa não se desmontou quando ouviu um simples pedido de desculpas ou, por outro lado, não se sentiu aliviada ao desculpar-se? Muitas vezes, grandes conflitos e discordâncias caem por terra quando se pronuncia essa mágica palavrinha, que é capaz de fazer milagres.

…ser impaciente e ignorar a sabedoria do tempo. Cresci achando que a impaciência era o segredo do sucesso. Quanta energia desperdiçada! Talvez eu quisesse que as coisas acontecessem ainda mais rápido pelo fato de ouvir a minha mãe incansavelmente recomendar que eu tivesse paciência em tudo. A maturidade bateu à porta e derrubou quase todas as minhas urgências: percebi que a impaciência é, no fundo, um desejo gigante de querer controlar tudo. E o universo me presenteou com o ensinamento que, apesar de a vida ser muito curta para algumas coisas, a paciência é a melhor forma de fazer as coisas acontecerem. A gente só passa a ter comando da própria vida quando abre mão do controle, porque aí as energias são usadas para o que de fato importa. Contraditório, mas a mais pura verdade. O tempo é sábio.

…dar boas risadas. Rir é um dos melhores remédios que existe. Se você quiser acelerar o tratamento então, dê muitas gargalhadas. Chore de rir. A vida fica muito mais leve e colorida assim.

…economizar amor. Faça o seguinte: economize uma parte (mesmo que seja bem pequena) de seus rendimentos mensais, mas nunca economize amor. E o amor é hiperinflacionário: quanto mais a gente ama, mais tem amor para dar.

Enviar por email

Compartilhar

Últimas edições