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Um outro olhar

A vida é muito curta para… parte 2

Andrea
Editora da VIEW e maníaca por óculos

A seguir, querido leitor, você tem a segunda parte da série “a vida é muito curta para…”, cuja inspiração tomou conta de mim de uma forma meio mandona e me fez elencar mentalmente várias situações com as quais gastamos tempo, desperdiçamos energias e perdemos o rumo da felicidade.

…recusar ser ajudado. As últimas décadas reforçaram tanto o conceito de independência a ponto de fazer boa parte das pessoas esquecerem que podem pedir ajuda e devem aceitar uma mão estendida. A vida fica tão mais leve quando a gente desmonta essa “muralha da independência ou morte” e aceita um carinho, um agrado, uma ajuda… E creio que essa energia também passa a estimular o ato de estender a mão, colocando-se à disposição do outro. A velha (e sempre pertinente) história de que gentileza gera gentileza. Às vezes, negar uma ajuda ou um agrado pode ter a ver com não se sentir merecedor de alguma coisa. Lembre-se sempre de que você é merecedor das melhores coisas.

…ter medo. Aprendi com uma grande sábia que o oposto de amor não é ódio tampouco desamor. O verdadeiro contrário de amor é medo. Com outro sábio, aprendi que o medo paralisa. E, com um terceiro sábio, que o caminho não é exterminá-lo, mas aprender a usá-lo. Para isso, só vejo uma saída: praticar o amor. Dia desses esbarrei com um ótimo argumento em uma rede social: “é preciso amar as pessoas como se elas fossem sexta-feira”. Como? Esforçando-se para ter atitudes mentais positivas, livrar-se de todas aquelas crenças que o medo alimenta (praticar o tal olhar estrangeiro que já comentei aqui várias vezes é sempre saudável – é o exercício de olhar sob outros ângulos pessoas, situações, sentimentos com os quais você se acostumou a enxergar de uma única forma, criando preconceitos que podem limitar muito o seu campo de visão da vida). Como usar o medo em favor próprio? Transforme-o em curiosidade, em vontade de conhecer mais o mundo e quem está a sua volta. Saia de dentro do seu mundinho, olhe para o outro e pratique a maior missão do ser humano nessa vida: amar!

…viver no passado. Mães e avós adoram falar que “quem gosta de passado é museu”, especialmente no meio de uma arrumação. Mas não é que a frase tem um sentido ainda mais amplo? Usar o passado como ponto de referência, amarrando o presente, atrapalha a vida. Perdoe-se, perdoe e siga em frente. Perdoar é lembrar sem se ferir, sem sofrer. A vida é feita de presente!

…ter pena de si próprio. Esse é um vício comum entre os seres humanos, que ficam presos na roda do autossofrimento. Pode ter certeza de que se você faz questão de encarnar o personagem do “coitadinho”, várias pessoas à sua volta que poderiam agregar muito na sua vida deram meia volta e se retiraram. Obviamente, quanto mais você investe nisso, mais vai atrair energias semelhantes. É a lei da física: o universo simplesmente responde à atitude vibracional que você emite e tampouco pune ou abençoa alguém.

…querer ser o Joaquim Barbosa da vida alheia. O que o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal tem a ver com isso? Tomei a liberdade de usar essa icônica figura da brasilidade do bem pelo fato de ser um dos juízes máximos do país. Acho que o lado negativo do tal estímulo para a independência que citei alguns itens acima não só criou pessoas que nem percebem que podem aceitar e oferecer ajuda, como também gerou um planeta de seres que querem ter opiniões sobre tudo e que não economizam vereditos sobre o mundo e as pessoas que os rodeiam. Em momento algum me excluo de qualquer uma dessas condições, mas me esforço muito para deixar os alertas ligados. Será que às vezes o silêncio não é mais adequado que um comentário que só você acha útil? Será que no lugar da outra pessoa você não faria exatamente o mesmo? Para que tanta opinião? Um bom caminho é focar mais em ideias do que em pessoas. O mundo muda com exemplos e não com opiniões.

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