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Um outro olhar

A sustentabilidade emocional

Andrea
editora da VIEW e maníaca por óculos

A tal da sustentabilidade (ou o desenvolvimento sustentável) está na moda. É uma palavra presente há tempos, mas ficou ainda mais em alta por causa da Rio+20, a conferência das Nações Unidas realizada em junho no Rio de Janeiro. Uma boa definição para desenvolvimento sustentável é atender as necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades. Nas entrelinhas, o homem tem de deixar de ser um predador para tornar-se um cuidador, um mantenedor.

Se no começo, falava-se em ecologia, agora é desenvolvimento sustentável. O discurso precisou ser atualizado até porque não basta apenas plantar uma árvore e, de preferência, fechar a torneira. Hoje em dia, essa questão não passa apenas pelo fator ambiental, mas também considera os aspectos econômico e social.

E eu tomo a liberdade de pegar esse triângulo ambiental, econômico e social e fazer dele um quadrado para envolver também o aspecto emocional. Cada vez mais acho que ser sustentável também é gerenciar bem a sua vida emocional sem que ela atrapalhe quem está à sua volta. Isso também vale quando se pensa nas necessidades das gerações futuras: ao cuidar bem da vida emocional, fica o exemplo, fica o respeito que se tem por si próprio e pelos outros. Sem falar nas boas energias que isso gera.

Provavelmente, enquanto você lê essas linhas, pensou em uma ou mais pessoas que deveria cuidar da “sustentabilidade emocional” para lhe dar paz. Isso é fato, mas preciso lhe dizer que também é hora de olhar para si mesmo e dar uma cuidadinha nesse aspecto da sua vida. Vai por mim, é bom para todo mundo.

Coincidentemente, enquanto eu pensava nesta coluna, esbarrei com um texto em inglês que não sei bem de onde veio. Só sei que em algum momento o salvei do Facebook e estava assinado pelo canal National Geographic. Diz o seguinte:

“Outros 17 milhões de pessoas fazem aniversário no mesmo dia que você.
Durante dez anos na escola, você vai ter uma média de 17 amigos. E quando você chegar aos 40 anos, esse número deverá cair para dois.
Seu cabelo crescerá 950 quilômetros.
Você vai rir uma média de 18 vezes por dia.
Você vai caminhar o equivalente a três vezes a circunferência da Terra.
Você vai comer 30 toneladas de comida.
Você vai beber 9 mil xícaras de café.
Você terá dez oportunidades de ser eletrocutado.
Em média, você gastará dez anos de sua vida trabalhando.
Vinte anos dormindo.
Três anos sentado no vaso.
Sete meses parado no trânsito.
Dois meses esperando no telefone.
Doze anos assistindo à tevê e 19 dias procurando o controle remoto.
Esse placar deixa você com um quinto de sua vida para ser realmente vivida. Então, o que está esperando?”

Pode ser até que haja erro em algum número, até porque não se sabe o trânsito de que cidade o autor tomou como base ou se você não toma café e por isso abriu mão das tais 9 mil xícaras. Mas é impressionante quando assim, colocada na ponta do lápis, a vida nos consome! Será que sobrando apenas um quinto de tudo, você quer mesmo ficar preso a mágoas do passado, a crenças que o paralisaram e a tantas outras coisas pequenas que o fizeram deixar de viver a vida?

Dia desses, me toquei de que é muito fácil ter a contabilidade como segunda atividade. Mas não a honrosa profissão que gerencia cálculos, tributos e tantos números: falo da contabilidade de mágoas. É fácil cair na armadilha de ficar com pena de si mesmo, fazer-se de vítima e começar a fazer a listinha de que “fulano falou ‘b’ quando eu esperava ‘a’”, “sicrano não atendeu o telefone” ou “beltrano não me tratou como eu devia ser tratado”. Pode ser até que você tenha razão de ter ficado chateado, mas, como reza a mais linda sabedoria, é bem melhor ser feliz que ter razão, não é mesmo?

Cuide da sua “sustentabilidade” emocional e abrace com amor esse valioso um quinto da vida que está aí para ser vivida lindamente.

 

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