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Um outro olhar

A música e o varejo

Andrea
editora da VIEW e maníaca por óculos

Eu sempre amei música. Ainda bem pequena, eu morava em uma avenida muito movimentada. A casa ficava quase em uma esquina e, da janela do quarto dos meus pais, bem na diagonal, eu via lá na outra esquina uma lojinha de discos. Simples, com aquela carinha de varejo de bairro de décadas atrás, mas, para mim, aquilo era o máximo. O meu sonho era poder escutar – mesmo à distância – as músicas que tocavam lá o dia inteiro.

Três ou quatro anos depois, ganhei minha primeira vitrola – portátil, que eu levava pra onde queria. Que felicidade poder escutar meus discos. Por muito tempo, discos eram meu presente favorito. E com isso eu ficava ligada nas lojas, mas nada tinha muita graça, até que na adolescência, entrei na seção de discos de uma loja de departamentos em São Paulo. Meu queixo quase caiu e achei que aquele lugar fosse uma espécie de paraíso. Aquela infinidade de LPs e compactos de todos os gêneros e estilos ali, bem diante dos meus olhos – e o ambiente bem planejado da loja, com uma iluminação bem cuidada, fazia tudo ficar ainda mais reluzente. Obviamente, saí de lá com mais um item para minha coleção.

Aí um dia, apareceram os CDs. Que maravilha! Apesar de eu amar meus LPs e meu portentoso aparelho de som (sim, quando fiz 15 anos, troquei viagem ou festa para poder ganhar o som mais legal do mundo), sonhava com o dia que eu não precisasse levantar para virar o disco e não sofresse com os arranhões que danificavam as “bolachas”. E aí o varejo de música estava no seu auge: muitas lojas, muita variedade e tudo ficou ainda melhor com a abertura às importações. Eu passava horas em lojas de CDs em busca de pérolas, olhando, fuçando – até, porque, na era pré-internet, esse era um bom jeito de se conhecer melhor os cantores e as bandas e também de descobrir coisas novas.

E aí vieram as megastores, lojas com andares e mais andares carregadinhas de música, leitura, cinema e outros deleites para os amantes da cultura. Aqui ou em qualquer lugar do mundo, elas eram – e são, até hoje – meu item de parada obrigatória aonde quer que eu vá. É aquela coisa de se tornar frequentador tão assíduo de uma ou outra que a gente passa a conhecer os atendentes pelo nome, sabe que uma loja é melhor para um tipo de produto, outra para outro e por aí vai.

Elegi a minha favorita levando em conta os quesitos acervo, estoque, proximidade e afinidade e, por conta disso, a conhecia como a palma da minha mão. Os anos foram passando e curiosamente o espaço destinado à música foi diminuindo aos poucos. De uma semana para outra, a área de um determinado gênero musical tinha cedido lugar ao avanço dos DVDs. Sim, era a música em versão digital aparecendo, mais um fenômeno obrigando esse varejo a se redesenhar. Hoje, daquele andar que era inteiramente dedicado à música, devem restar apenas uns 40% e, provavelmente, daqui a algum tempo, os CDs sejam relegados a uma parte bem menor, tornando-se praticamente itens de colecionador.

E se isso ocorrer e a loja continuar de pé redesenhando seu mix de produtos continuamente, não terá problemas em sobreviver. Algumas tradicionalíssimas pelo mundo afora cerraram suas portas após décadas de sucesso. Essa é a sequência natural da vida e também do varejo. E de qualquer varejo. Inclusive do varejo óptico. As coisas mudam, cada vez mais rapidamente, e cabe aos lojistas e especialistas terem competência, sabedoria e intuição para saber que rumo seguir. Além de fibra e desapego para não se prender ao passado e entender o quanto tudo é dinâmico.

O melhor é que no varejo óptico as pessoas ainda continuam precisando – e muito – de óculos incríveis para manter sua visão em dia, protegê-la e/ou fazê-las mais belas. Cabe a você aproveitar esses desejos e essas necessidades, observar as direções que o mercado toma e escolher que caminho seguir. Tornar-se você mesmo o autor de sua música de sucesso.

 

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