tamanho da letra : imprimir

Um outro olhar

Cadê os óculos?

Andrea
editora da VIEW e maníaca por óculos

Escrevo esse texto em 29 de abril, dia do enlace do príncipe William com Kate Middleton. Meu medidor de cultura pop ainda está vibrando em alta frequência no tema casamento real. Acordei passava pouco das 5 da manhã e acompanhei atentamente os comentários de jornalistas, especialistas em moda, historiadores, pessoas bem humoradas e outras nem tanto sobre a cerimônia e seus personagens.

Obviamente, isso me fez voltar ao passado e me lembrar da longínqua manhã de 1980 em que eu não consegui levantar tão cedo, mas assisti à boa parte do casamento da mãe de William com o príncipe Charles. Naquela época, as transmissões eram sérias e tudo era estático, sem tecnologia e sem o frenesi da cultura pop de hoje – sem levar em conta o clima de um casamento real à moda antiga, em que pouco se importava se o casal realmente queria ficar junto.

Recordo que o detalhe mais divertido daquela manhã foi ver a apresentadora Marília Gabriela entrar no ar imediatamente após o final da transmissão com seu TV Mulher, cuja linguagem, justiça seja feita, revolucionou os programas matinais e femininos da época, caracterizada de um detalhe insólito. Ou melhor, descaracterizada: estava completamente sem maquiagem! Gabi se desculpou e disse que não teve tempo de passar na sala de maquiagem porque não queria perder um segundo do casamento real. Acho que foi naquele dia que tive a certeza de que maquiagem é fundamental na vida de uma mulher.
Mas voltando ao século 21 e ao matrimônio do filho de Diana com Kate, adorei a histeria em torno do mistério do designer e do design do vestido da nova princesa – agora não mais Kate, mas Catherine, a duquesa de Cambridge. Até a câmera parecia vibrar compulsivamente, sugando a imagem da noiva saindo quase furtivamente do hotel e entrando na sua carruagem em busca de um palpite sobre o tão falado vestido.

Mas, além de amante da cultura pop que sou e da febre que um evento como esse causa planeta afora (afinal, eram 2,5 bilhões de telespectadores!), também sou maníaca por óculos e logo comecei a me perguntar “por Deus, onde estão os óculos dessas pessoas?”. Era dia claro e eu não consigo acreditar que nenhum dos 2 mil convidados tenha sentido falta de seus óculos de sol. Como foi possível acompanhar a chegada de muita gente com a transmissão desde cedo, deu para observar claramente os “rostos vazios”.

E então comecei a pensar que motivos levariam a essa ausência dos óculos. Primeiro, lembrei que inglesas adoram chapéus (e isso não faltou na cerimônia, inclusive, para todos os gostos) e por uns bons chapéus elas abririam mão dos solares. Mas e os homens que vão sem chapéu? Depois comecei a pensar em questões de protocolo e, quem sabe, haja algo na tradição da realeza sobre plebeus não poderem cobrir os olhos diante de seus soberanos, pois poderia ser um desrespeito. A ex-Spice Girl Victoria Beckham é um bom exemplo: a mulher do craque David Beckham está sempre acompanhada de seus solares grandões no melhor estilo “celebridade intocável” e apareceu comportadíssima com seus belos vestido e chapéu azul marinho e de olhos à mostra!

Pelo fato de o Brasil não ter uma tradição de realeza, alguns códigos nos faltam. Para os ingleses, talvez seja óbvio. Mas se for esse o caso, se óculos escuros são proibidos diante da rainha, acho que esse protocolo deve ser quebrado da mesma forma que 30 anos depois, o filho de Diana pôde casar por amor com a plebeia que escolheu. Por favor, Dona Elizabeth, libere o uso de óculos solares. Deixe de achar que isso é um desrespeito à sua soberania, porque, sem eles, as pessoas estão desrespeitando o estilo e cometendo um atentado à saúde de seus olhos!

Enviar por email

Compartilhar

Últimas edições