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Iniciativas e ideias do varejo

Fototica versão 2014

A VIEW conversou com o CEO da empresa, Alvaro Vieira, para conhecer o momento atual da Fototica e saber quais são os planos da rede de ópticas para os próximos anos.
Cíntia Marcucci Flavio Bitelman

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Poucas marcas sintetizam tão bem em sua história a trajetória do mercado óptico brasileiro como a Fototica. Começou como uma loja, ampliou a atuação e envolveu na administração toda uma família, abriu a opção para o franqueamento, foi vendida para um grupo de investimentos, depois vendida de novo, deixou de lado o “p” que tinha em seu nome original (“Fotoptica”) e hoje está nas mãos de um dos maiores grupos investidores do setor óptico mundial com planos de expansão por todo o território nacional.

É sobre essa fase atual, que faz parte da rede sob a gestão do fundo de investimentos europeu Hal, que o CEO (do inglês, “Chief Executive Officer”, sigla que denomina o cargo de diretor executivo), Alvaro Vieira, conversou com a VIEW.

Vieira, que é chileno, está na GrandVision, a divisão de varejo óptico da Hal, desde 2010. Tem experiência de 20 anos em varejo, começando como gerente de marcas em uma loja de departamentos, passando por diversos cargos e depois atuou em uma cadeia de lojas de sapatos até chegar à Rotter & Krauss, rede de ópticas chilenas também sob o comando da GrandVision. Atua na Fototica desde março de 2013 e acredita que ainda há muito o que ser feito pelo desenvolvimento da rede e do próprio setor óptico brasileiro.

Como é hoje a estrutura da Fototica no Brasil?
A Hal atua por meio da GrandVision, seu guarda-chuva para redes de ópticas em vários países, com mais de 5 mil pontos de venda, à exceção da Turquia (onde atua sob o nome de Atasun Optik) e da chinesa Shangai Red Star. Além de mim, há um diretor de suprimentos, um diretor financeiro, um diretor de vendas, um diretor de tecnologia da informação, um diretor de recursos humanos e um de marketing. No campo, há os gerentes regionais que cuidam, em média, de 16 pontos de venda cada.

Qual o perfil de atuação atual? Qual o caminho para o crescimento da marca e da rede?
A Fototica definiu trabalhar com lojas próprias, são 116 hoje. Ainda há uma ou outra franquia, mas não há mais a intenção de trabalhar sob esse sistema. As antigas franquias foram recompradas ou fecharam. O plano é ter um crescimento orgânico das lojas já estabelecidas, além da abertura de novos pontos de venda, mas acho que ainda há muito o que crescer nos pontos já abertos, convertendo mais atendimentos em vendas. Atualmente, as redes de óptica no Brasil são responsáveis por apenas 7% dos pontos de venda do varejo local, que ainda é focado em ópticas independentes e negócios familiares. Diante disso, há muito o que crescer mesmo sem que isso signifique expansão em números de lojas.

A opção de não trabalhar com franquias é global ou apenas local?
Esse modelo é seguido tanto pelos países latinos como em outras partes do mundo em que a GrandVision opera. Há franquias em outros países em que a Hal atua, mas não é o foco nem em termos locais ou mundiais.

Quem são os principais concorrentes da Fototica hoje? Como você enxerga essa concorrência?
Há poucas outras redes no Brasil com número importante de lojas e o comum entre elas é que operam sob o sistema de franquia. Há uma diferença na cobrança de impostos de franqueados (regime simples) e redes de lojas próprias e isso faz a concorrência ser um pouco mais peculiar que em outros países. Mas há muito espaço para o desenvolvimento do varejo de óptica no Brasil para ser explorado ainda por mais de uma rede.

Como é o desenvolvimento de pessoal na Fototica?
A fim de estabelecer diferença em relação à concorrência, o foco é oferecer uma experiência de compra mais agradável, com os óculos à disposição para serem provados pelos clientes, além de um atendimento especial e atencioso. Por isso, há investimento em técnicos e uma constante busca por talentos em lidar com o público. A Fototica oferece cursos e treinamentos constantes para as equipes de vendas, que recebem um fixo, uma comissão individual por vendas e um coletivo pelas metas atingidas na loja.

Como a Fototica atua em termos de laboratório?
A montagem é própria e os serviços de surfaçagem são terceirizados por meio de acordos mundiais da GrandVision com as corporações de lentes oftálmicas. Há um laboratório em Salvador, um em São Paulo e agora começa a operar um novo, maior e mais moderno, na Marginal Tietê, também em São Paulo, onde também fica o centro de distribuição.

O serviço de óculos em uma hora foi desativado pois se mostrou ineficaz em todo o mundo. É melhor esperar para ter lentes com qualidade garantida e com menor margem de erro que ter de fazer reparos ou ajustes constantes. Atualmente, as lentes prontas são entregues em três dias e as surfaçadas entre cinco e dez dias.

Como a Hal influencia na administração da GrandVision e de cada rede nos países em que atua?
A GrandVision é uma empresa global que atua localmente, de acordo com as necessidades de cada mercado. Por isso, cada rede tem suas características próprias e não vai deixar de tê-las.

Há a possibilidade de trabalhar com cerca de oito marcas exclusivas entre armações de receituário e óculos solares de uma grande área de desenvolvimento de produto, que fica na Holanda, por conta desse volume global que a GrandVision proporciona.
Mas é comum achar que, pela Safilo também ter a Hal como investidora, há alguma maior influência no mix. E a relação da Fototica com a Safilo é a de cliente e fornecedor, da mesma forma com empresas como Luxottica, Marchon e outras, com as quais há acordos globais de distribuição, mas que são alinhados com as subsidiárias de cada país.

Quais os objetivos da Fototica e quais são as estratégias atuais para atingi-los?
O plano é triplicar as vendas nos próximos três a quatro anos por meio da maior conversão de visitantes em vendas nas lojas já existentes, mas também há a busca por pontos para novas lojas, tanto em ruas principais como em shoppings.

A Fototica tem ainda hoje uma fama de bons produtos e preços altos. Não é mais assim: há opções para todo tipo de consumidor, partindo de óculos completos por R$ 79.

Como é administração do estoque? Na loja ou remoto?
A proposta de ter um estoque remoto e trabalhar só com mostruário nas lojas é muito interessante, mas ainda difícil de ser implantada. É preciso conhecer muito bem os consumidores, o que querem em cada ponto de venda e isso leva algum tempo. Mas a Fototica trabalha com estudos sobre o assunto, realiza inventário nas lojas a cada duas semanas, além de auditorias constantes.

Alvaro Vieira: na Hal há quatro anos e desde 2013 comandando a brasileira Fototica

Alvaro Vieira: na Hal há quatro anos e desde 2013 comandando a brasileira Fototica

 

Hal, forte em óptica

A Hal foi fundada em 1873, em Roterdã, Holanda. Hoje, a Hal Trust é o nome da companhia-mãe que engloba a Hal Holding (ações) e a Hal Investiments (fundo de investimentos). De 1996, ano em que começou a investir no varejo óptico, até hoje, a Hal Holding acumulou cerca de 5 mil pontos-de-venda e fechou 2013 com receitas de € 4,1 bilhões.

A subsidiária que concentra os negócios de óptica da Hal é a GrandVision B.V., com sede no aeroporto de Schiphol, em Amsterdã, que atua como “guarda-chuva”, abrigando redes de varejo na Europa, na América Latina e na Índia sob várias marcas, inclusive a operação brasileira, à exceção das redes turca Atasun Optik e chinesa Shangai Redstar Optical Co., negócios conduzidos separadamente.
No final de 2009, a Hal realizou seu primeiro investimento no setor óptico fora do varejo ao adquirir a fabricante italiana de armações de receituário e óculos solares Safilo, operação que se mantém independente.

 

Fototica, rumo aos 100 anos

A história da Fotoptica começou em 1920, quando foi fundada pelo imigrante húngaro Desidério Farkas. A primeira loja foi aberta na Rua São Bento, no centro de São Paulo, e trazia na fachada o logotipo com uma máquina fotográfica, um olho e um galo. A primeira franquia surgiu na década de 90. Gradativamente, com o surgimento das câmeras digitais e celulares, a fotografia foi perdendo espaço até sumir das lojas atuais.

Em 1997, a rede deixou de ser um negócio familiar e foi vendida pela primeira vez a um fundo de investimentos. Em 2007, foi adquirida pelo fundo de investimentos Hal e colocada sob o “guarda-chuva” da subsidiária GrandVision B.V. Já em 2009, houve a integração da marca Fábrica de Óculos (rede baiana comprada pela Hal em 2007) e também a mudança de nome: a então Fotoptica perdeu o “p” de seu tradicional nome e tornou-se “Fototica”. Hoje, a rede conta com 116 lojas próprias nos estados de São Paulo, Bahia, Pernambuco e Sergipe.

 

Lunetterie loja seis

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A zona sul carioca ganhou em junho a filial de número seis da Lunetterie. O novo ponto de venda fica em Copacabana e é a primeira loja de rua do grupo fundado por Dick Reis em 1977. Segunda maior em tamanho, tem área de 70 metros quadrados e o espaço ainda abriga a nova sede administrativa da empresa.

A nova loja conta com rampa de acesso a deficientes físicos, bar, sala de estar e uma seção permanente com promoções, batizada de “Lunetterie Off”. Além disso, a rede também colocou no ar o seu e-commerce, comercializando óculos para todo o Brasil em www.lunetterieonline.com.br.

Copacabana: a nova loja é a primeira de rua e a segunda maior entre as filiais

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Time: a equipe à frente da nova loja da Lunetterie

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© Divulgação

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