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Iniciativas e ideias do varejo

Carol em outras mãos

Anunciada no início de março, venda da rede paulista por R$ 108 milhões para grupo de investimentos internacional é reflexo de um momento favorável da economia brasileira para negócios desse tipo.
Cíntia Marcucci Divulgação

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Depois de cinco anos, a Óticas Carol tem uma nova configuração de seus proprietários. A Amaro Participações, empresa do investidor Marcos Amaro que, em 2008, adquiriu o controle majoritário da rede comprando ações que antes pertenciam ao Grupo Tecnol, sai de cena para dar lugar a um grupo de investidores internacionais formado por um grupo de private equity (do inglês, expressão que define fundos que compram participações em empresas) que tem o fundo inglês 3i como organizador e os coinvestidores institucionais Neuberger Berman e Siguler Guff. O valor total do investimento é de R$ 108 milhões e a negociação durou dez meses. Além dessa mudança, o CEO (do inglês, “Chief Operating Officer“, sigla que denomina o cargo de diretor executivo) da Carol, Ronaldo Pereira, também aumentará sua participação no capital da empresa.

A Carol é atualmente a segunda maior rede de ópticas do país, atrás apenas da Diniz, e segue os mesmos passos de outro grande nome do varejo brasileiro, a Fototica, controlada pelo fundo holandês Hal, que também é, entre outras redes de óptica pelo mundo afora, dona da GrandVision, um dos gigantes internacionais do varejo óptico. Hoje, a Carol está presente em 19 estados e 235 cidades com 507 lojas e opera sob o sistema de franquias.

Brasil, a bola da vez – Faz bastante sentido a busca de investidores internacionais nas redes brasileiras, principalmente quando se avalia que, nos últimos seis anos, o mercado óptico no Brasil teve crescimento de 6% ao ano, muito superior ao do Produto Interno Bruto (Pib) e impulsionado pelo aumento do poder de consumo da classe C e o envelhecimento da população. “Isso foi o resultado de muitos anos de trabalho e investimento. Posso dizer, abertamente, que 2012 foi o primeiro ano em que a rede obteve resultados financeiros positivos. Isso passou a tornar a Carol atrativa para o private equity”, explica o CEO Ronaldo Pereira em entrevista concedida à VIEW para falar desse novo momento.

Trocando em miúdos – Mais que uma notícia para o setor óptico, a transação é importante para a economia e contribui para entender a posição atual do Brasil no cenário econômico-financeiro mundial. Tudo começa compreendendo o que são investidores como o 3i. Private equity é um tipo de atividade financeira realizada por instituições que investem essencialmente em empresas que ainda não são listadas em bolsa de valores com o objetivo de alavancar seu desenvolvimento. Isso é feito por meio de fundos de investimento, como o 3i. A intenção desses fundos é fazer o valor da empresa aumentar para, então, revendê-la com lucros. Em geral, processos desse gênero levam de três a quarto anos.

O Brasil é muito atraente para esse tipo de investimento, pois passa, nos últimos anos, por um momento de desenvolvimento econômico saudável e ainda tem muitas empresas nessa situação: que ainda não são de capital aberto e de portes médio a grande, passíveis de serem negociadas. Para o setor óptico, isso traz visibilidade. “O 3i não tem outros investimentos em óptica no mundo e o fato de terem escolhido a Carol no Brasil atrai, sim, atenção para a óptica nacional. Traz mais possibilidades do setor de consolidar, se formalizar, se profissionalizar e aproveitar de alguma maneira essa vontade dos investidores”, afirmou Pereira.

O 3i data de 1945 e hoje opera em 11 países (inclusive o Brasil, desde 2011) na Europa, na Ásia e nas Américas. A maior fatia de seus negócios (25%) se concentra na área financeira. Em segundo lugar, vêm os setores industrial e de energia com 24% e, em seguida, o mercado de consumo, com 18%. Entre seus dez maiores investimentos, figuram as inglesas Mayborn (produtora de produtos para bebês) e Foster + Partners (arquitetura), a ACR, de Cingapura, que atua no segmento de resseguros de alto risco e a espanhola Mémora (serviços funerários).

E o franqueado, como fica? – De acordo com Ronaldo Pereira, pouco muda. “O 3i escolheu a Carol por concordar com a estratégia de trabalho da rede. Não é um dono que veio para revolucionar, mas para dar continuidade.” O plano de desenvolvimento da Carol iniciado em 2010 também deve ter continuidade, com investimentos, principalmente, em laboratório e na expansão da rede. A meta é chegar a 1,5 mil lojas até o fim de 2015.

Outra vantagem da nova fase citada pelo CEO é a possibilidade de ganhar com o conhecimento dos participantes desses fundos, que investem em outros tipos de varejo em todo o mundo, há nomes que já trabalharam em empresas como WalMart e Magazine Luiza e que podem trazer melhores práticas para a gestão da Carol, além de uma visão de setores já bem mais desenvolvidos que o de óptica. Além de certa vontade de quem está chegando agora na área e com pique para atingir bons resultados.

Carol em números

507 lojas
189 franqueados
235 cidades
19 estados
16 anos
R$ 108 milhões na venda para o 3i

 

A linha do tempo*

1997
Inauguração das duas primeiras lojas em Sorocaba, interior de São Paulo, fundada pelo empresário Odilon Santana

2000
Início do processo de franquias

2006
Primeira troca de mãos: o Grupo Tecnol adquire 50% da rede. Neste mesmo ano, ocorre o fortalecimento de marcas próprias

2008
Mais mãos na massa: fusão entre o Grupo Amaro Participações, de Marcos Amaro, e Óticas Carol. O Grupo Tecnol sai de cena.

2013
Além-mar: em março, é anunciada a venda para o fundo de private equity inglês 3i

Fonte: www.oticascarol.com.br

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